{"id":9154,"date":"2022-01-02T16:09:24","date_gmt":"2022-01-02T19:09:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=9154"},"modified":"2022-01-02T16:09:24","modified_gmt":"2022-01-02T19:09:24","slug":"vitimas-de-violencia-de-genero-se-tornam-ativistas-no-iraque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/vitimas-de-violencia-de-genero-se-tornam-ativistas-no-iraque\/","title":{"rendered":"V\u00edtimas de viol\u00eancia de g\u00eanero se tornam ativistas no Iraque"},"content":{"rendered":"<p>Quando seu dia de trabalho termina, Azhar se torna uma ativista para fornecer assist\u00eancia jur\u00eddica a mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia de g\u00eanero no Iraque, um compromisso nascido de sua experi\u00eancia nas m\u00e3os de um ex-marido brutal.<\/p>\n<p>Essa mulher de 56 anos, que trabalha para o governo de Bagd\u00e1, teve que batalhar por uma d\u00e9cada no tribunal para obter o div\u00f3rcio, uma prova\u00e7\u00e3o que a levou a retomar seus estudos de direito.<\/p>\n<p>\u201cPercebi que era fraca diante da justi\u00e7a\u201d, diz a mulher, cuja ONG faz parte da Rede de Mulheres Iraquianas, uma coaliz\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es feministas. Hoje, sua organiza\u00e7\u00e3o garante apoio jur\u00eddico \u00e0s v\u00edtimas.<\/p>\n<p>\u201cPara que essas mulheres tenham consci\u00eancia de seus direitos e possam se defender\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Nesta sociedade t\u00e3o patriarcal, onde proliferam os casamentos precoces, as press\u00f5es econ\u00f4micas, feministas e advogadas lutam pela defesa de direitos violados impunemente, denunciam as leis retr\u00f3gradas e a omiss\u00e3o das autoridades.<\/p>\n<p>Azhar foi for\u00e7ada em 2010 a se casar sob press\u00e3o familiar. Ela mostra fotos em que aparece com hematomas roxos nos bra\u00e7os e nas pernas. \u201cAchava que ia morrer\u201d, diz. \u201cNaquele momento decidi quebrar minhas correntes.\u201d<\/p>\n<p>\u2013 \u201cA v\u00edtima paga o pre\u00e7o\u201d \u2013<\/p>\n<p>Azhar deixou o lar conjugal com seus oito filhos e exigiu o div\u00f3rcio. Um primeiro juiz conhecia o marido e rejeitou a reclama\u00e7\u00e3o, apesar dos tr\u00eas atestados m\u00e9dicos, diz a mulher.<\/p>\n<p>\u201cSua resposta: \u2018N\u00e3o vou desfazer uma fam\u00edlia com base em certificados, e da\u00ed que um homem bate em sua esposa?&#8217;\u201d.<\/p>\n<p>No Iraque, com 40 milh\u00f5es de habitantes, em 2021 houve 17 mil den\u00fancias de viol\u00eancia conjugal, segundo uma c\u00e9lula de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia do Minist\u00e9rio do Interior.<\/p>\n<p>E os casamentos de mulheres menores de idade est\u00e3o em alta: 25,5% das mulheres casaram com menos de 18 anos em 2021, contra 21,7% em 2011. Para as menores de 15 anos, o percentual dobrou, ultrapassando 10%.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel da c\u00e9lula de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia, o brigadeiro Ali Mohamed, reconhece que os tribunais que recebem casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica tendem a favorecer a \u201creconcilia\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cMas \u00e9 a v\u00edtima que paga o pre\u00e7o da reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d, lamenta Hana Edwar, presidente da ONG Al-Amal.<\/p>\n<p>Na falta de uma lei dedicada \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres, a advogada Marwa Eleoui lamenta o uso do c\u00f3digo penal, e seu artigo 398, por exemplo, que permite ao estuprador evitar a puni\u00e7\u00e3o se contrair matrim\u00f4nio com a v\u00edtima.<\/p>\n<p>Desde 2010, h\u00e1 um projeto de lei em que as ONGs est\u00e3o trabalhando, mas os isl\u00e2micos sempre dificultaram sua ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das suas disposi\u00e7\u00f5es fundamentais \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de abrigos para v\u00edtimas de viol\u00eancia, sublinha Eleoui, cuja organiza\u00e7\u00e3o \u201cFor Her\u201d presta assist\u00eancia jur\u00eddica.<\/p>\n<p>Em Kirkuk (norte), a associa\u00e7\u00e3o Amal salvou Lina de um marido violento. Ela se casou contra sua vontade aos 13 anos.<\/p>\n<p>\u201cEu tinha 25 anos quando disse \u2018basta&#8217;\u201d, lembra Lina. Seu pai e seu marido, para evitar o esc\u00e2ndalo, tentaram obter um atestado dizendo que a mulher era psicologicamente fr\u00e1gil.<\/p>\n<p>\u201cO m\u00e9dico me colocou em contato com a associa\u00e7\u00e3o\u201d, diz Lina, um pseud\u00f4nimo.<\/p>\n<p>Quatro anos depois, trabalha com Amal e faz visitas domiciliares para sensibilizar as mulheres sobre seus direitos.<\/p>\n<p>Jamais esquecer\u00e1 o primeiro dia de sua nova vida: \u201cSair do tribunal, quando me divorciei, foi como sair de uma pris\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Por Isto \u00e9<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando seu dia de trabalho termina, Azhar se torna uma ativista para fornecer assist\u00eancia jur\u00eddica a mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia de g\u00eanero no Iraque, um compromisso nascido de sua experi\u00eancia nas m\u00e3os de um ex-marido brutal. 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