{"id":8960,"date":"2021-11-28T16:31:03","date_gmt":"2021-11-28T19:31:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=8960"},"modified":"2021-11-28T16:31:03","modified_gmt":"2021-11-28T19:31:03","slug":"para-especialistas-nova-variante-e-desastre-anunciado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/para-especialistas-nova-variante-e-desastre-anunciado\/","title":{"rendered":"Para especialistas, nova variante \u00e9 desastre anunciado"},"content":{"rendered":"<p>Para os ativistas e cientistas que passaram o \u00faltimo ano defendendo uma distribui\u00e7\u00e3o mais justa das vacinas contra a covid-19, a not\u00edcia de uma nova variante do coronav\u00edrus, potencialmente mais perigosa, era um desastre \u00e0 espera de acontecer.<\/p>\n<p>A variante se chama \u00f4micron e foi detectada inicialmente na \u00c1frica do Sul, onde menos de 25% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 totalmente vacinada. A variante \u00e9 a primeira desde a detec\u00e7\u00e3o da delta, h\u00e1 cerca de um ano, a ganhar da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) o r\u00f3tulo de \u201cvariante de preocupa\u00e7\u00e3o\u201d, sua categoria mais elevada.<\/p>\n<p>A designa\u00e7\u00e3o significa que a variante tem muta\u00e7\u00f5es que podem torn\u00e1-la mais contagiosa ou mais virulenta, ou tornar as vacinas e outras medidas preventivas menos eficazes \u2013 embora nenhum desses efeitos ainda tenha sido oficialmente confirmado. V\u00e1rios pa\u00edses da Europa j\u00e1 detectaram casos.<\/p>\n<p>\u201cO que a ci\u00eancia nos diz desde o in\u00edcio \u00e9 que, se voc\u00ea tem grandes popula\u00e7\u00f5es desprotegidas contra este v\u00edrus, ele vai sofrer uma muta\u00e7\u00e3o\u201d, diz David McNair, diretor executivo de pol\u00edtica global da ONG ONE, que combate a mis\u00e9ria na \u00c1frica. \u201c\u00c9 uma trag\u00e9dia que hoje estejamos vendo isso acontecer.\u201d<\/p>\n<p>\u201cArmazenar vacinas, n\u00e3o financiar uma resposta conjunta global \u2013 tudo isso levou a esta situa\u00e7\u00e3o. E o triste \u00e9 que os pa\u00edses da UE, Am\u00e9rica do Norte, Canad\u00e1 e outros tinham o poder de mudar isso h\u00e1 um ano e escolheram n\u00e3o faz\u00ea-lo\u201d, complementa.<\/p>\n<p><strong>UE reivindica lideran\u00e7a global<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto quase 70% dos adultos na Uni\u00e3o Europeia est\u00e3o totalmente vacinados contra a covid-19, a maioria dos trabalhadores da sa\u00fade nos pa\u00edses africanos n\u00e3o est\u00e1.<\/p>\n<p>Apesar desta discrep\u00e2ncia, o porta-voz da Comiss\u00e3o Europeia, Stefan De Keersmaeker, insiste que a UE est\u00e1 \u201cna vanguarda para assegurar a solidariedade global com o resto do mundo\u201d.<\/p>\n<p>Ele destaca a promessa conjunta da UE com os EUA de vacinar 70% do mundo at\u00e9 setembro de 2022, com o bloco como um dos principais contribuintes para a Covax, a iniciativa global destinada a impulsionar a produ\u00e7\u00e3o e fornecimento de vacinas para as na\u00e7\u00f5es mais pobres.<\/p>\n<p>\u201cE, naturalmente, h\u00e1 tamb\u00e9m o fato de que somos os principais exportadores de vacinas para o resto do mundo\u201d, diz. \u201cN\u00f3s somos, por assim dizer, a farm\u00e1cia do mundo nessa conta\u201d.<\/p>\n<p><strong>S\u00f3 um ter\u00e7o das doses entregue<\/strong><\/p>\n<p>Mas quando se trata de cumprir compromissos de curto prazo, as promessas da UE parecem estar aqu\u00e9m das expectativas.<\/p>\n<p>O bloco e seus membros se comprometeram a doar 300 milh\u00f5es de doses de vacinas a pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda at\u00e9 o final de 2021 \u2013 atrav\u00e9s da Covax e de doa\u00e7\u00f5es bilaterais. Mas at\u00e9 agora, menos de um ter\u00e7o foi entregue.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros obtidos pela DW mostram que, at\u00e9 26 de novembro, cerca de 95 milh\u00f5es de doses doadas haviam chegado aos pa\u00edses benefici\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Disputas com empresas farmac\u00eauticas<\/strong><\/p>\n<p>Fontes diplom\u00e1ticas disseram \u00e0 DW que os Estados-membros do bloco est\u00e3o jogando para as farmac\u00eauticas parte da culpa pela lentid\u00e3o nas entregas.<\/p>\n<p>\u201cA maioria das empresas farmac\u00eauticas n\u00e3o quer cuidar da log\u00edstica por conta pr\u00f3pria\u201d, diz um diplomata da UE em condi\u00e7\u00e3o de anonimato. \u201cEles pensam que cabe ao Estado-membro que comprou as doses envi\u00e1-las ao pa\u00eds para o qual querem do\u00e1-las. O problema \u00e9 que estas s\u00e3o vacinas complicadas, com condi\u00e7\u00f5es complicadas de entrega e armazenamento\u201d.<\/p>\n<p>Em carta \u00e0 Comiss\u00e3o Europeia obtida pela ag\u00eancia de not\u00edcias Reuters, o secret\u00e1rio de Estado da Sa\u00fade alem\u00e3o, Thomas Steffen, tamb\u00e9m culpa os fabricantes de vacinas.<\/p>\n<p>\u201cEstamos diante de cont\u00ednuos problemas burocr\u00e1ticos, log\u00edsticos e legais\u201d, diz a carta, datada de 18 de outubro. \u201cAs fabricantes parecem tirar proveito da obriga\u00e7\u00e3o contratual dos Estados-Membros de obter seu consentimento pr\u00e9vio por escrito para impedir as transfer\u00eancias de vacinas que consideram potencialmente prejudiciais a seus interesses comerciais\u201d.<\/p>\n<p>De Keersmaecker, porta-voz da Comiss\u00e3o Europeia, n\u00e3o confirmou o recebimento da carta, mas disse \u00e0 DW que discuss\u00f5es com empresas farmac\u00eauticas est\u00e3o em andamento. \u201cContinuamos a acompanhar a situa\u00e7\u00e3o das entregas sob nossos contratos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>As fabricantes de vacinas negam qualquer papel no atraso de doa\u00e7\u00f5es. Em uma declara\u00e7\u00e3o enviada \u00e0 DW, a Pfizer diz: \u201cDesde o primeiro dia de nosso programa de desenvolvimento de vacinas, a Pfizer e a BioNTech est\u00e3o comprometidas com o acesso justo e equitativo \u00e0 nossa vacina contra a covid-19\u201d.<\/p>\n<p>A Johnson &amp; Johnson disse \u00e0 DW que \u201cacredita firmemente que o acesso n\u00e3o equitativo \u00e0s vacinas contra a covid-19 s\u00f3 prolongar\u00e1 a pandemia\u201d e exorta os governos com vacinas dispon\u00edveis a \u201caumentar imediatamente a partilha de doses\u201d.<\/p>\n<p>A empresa disse que \u201cdar\u00e1 certo apoio log\u00edstico e de cadeia de fornecimento para garantir que as vacinas doadas possam ser entregues aos pa\u00edses receptores o mais r\u00e1pido poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>A AstraZeneca afirma em seu website que a maioria das doses que fabricou foi para pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda, e a Moderna anunciou recentemente um novo acordo com a UE para entregar mais doses de sua vacina a na\u00e7\u00f5es pobres.<\/p>\n<p>\u00c9 improv\u00e1vel que a UE atinja sua meta de 2021, msmo que as entregas de vacinas \u00e0s na\u00e7\u00f5es mais pobres tenham aumentado desde o ver\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Desafio da distribui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Aurelia Nguyen, diretora administrativa do escrit\u00f3rio da Covax na Alia\u00e7a Gavi diz quem embora ainda exista extrema discrep\u00e2ncia na partilha de vacinas, um novo per\u00edodo \u201cem que o fornecimento est\u00e1 se tornando mais prontamente dispon\u00edvel para aqueles pa\u00edses que foram deixados para tr\u00e1s\u201d est\u00e1 come\u00e7ando.<\/p>\n<p>Mas isso, segundo ela, representa \u201cum novo conjunto de desafios\u201d.<\/p>\n<p>O aumento das promessas, ao mesmo tempo, pode fazer com que os pa\u00edses mais pobres, com a infraestrutura de sa\u00fade mais fraca, tenham que recusar doa\u00e7\u00f5es, especialmente quando as vacinas est\u00e3o pr\u00f3ximas das datas de validade ou exigem m\u00e9todos complexos de armazenamento e distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nguyen diz que foram feitos esfor\u00e7os para aumentar a \u201ccapacidade de absor\u00e7\u00e3o\u201d desses pa\u00edses para receber e distribuir grandes quantidades de doses.<\/p>\n<p>Ainda assim, proibi\u00e7\u00f5es de voos de emerg\u00eancia impostas em meio a temores em torno da nova variante podem acrescentar novas complica\u00e7\u00f5es \u00e0s entregas de vacinas.<\/p>\n<p><strong>Menos terceira dose, mais partilha<\/strong><\/p>\n<p>Mas para Dimitri Eynikel, conselheiro da UE na M\u00e9dicos Sem Fronteiras, a implementa\u00e7\u00e3o em massa de doses de refor\u00e7o, em andamento na Europa, pode se revelar problem\u00e1tica tanto do ponto de vista epidemiol\u00f3gico quanto da igualdade.<\/p>\n<p>Mesmo antes que as not\u00edcias da nova variante chegassem \u00e0 Europa, segundo ele, os pa\u00edses estavam mostrando \u201crelut\u00e2ncia em doar\u201d.<\/p>\n<p>\u201cCom as novas ondas chegando agora, com o interesse em doses de refor\u00e7o \u2013 eles est\u00e3o atrasando as doa\u00e7\u00f5es. Esta n\u00e3o \u00e9, para n\u00f3s, a abordagem correta. A ideia n\u00e3o deveria ser dar mais e mais doses para as mesmas pessoas\u201d, comenta.<\/p>\n<p>David McNair, da ONG ONE, insiste na necessidade de ampliar a resposta global \u00e0 pandemia. \u201cO risco \u00e9 que os pa\u00edses fa\u00e7am o que t\u00eam feito desde o in\u00edcio e digam: precisamos fechar as fronteiras e vacinar nossos pr\u00f3prios cidad\u00e3os novamente. Isso n\u00e3o vai resolver o problema\u201d, afirma. \u201cOs pa\u00edses-membros da UE, em particular, precisam compartilhar seus excedentes de vacinas. Se n\u00e3o fizermos isso, ent\u00e3o estaremos na mesma situa\u00e7\u00e3o dentro de alguns meses\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/istoe.com.br\/autor\/deutsche-welle\/\">Deutsche Welle<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para os ativistas e cientistas que passaram o \u00faltimo ano defendendo uma distribui\u00e7\u00e3o mais justa das vacinas contra a covid-19, a not\u00edcia de uma nova variante do coronav\u00edrus, potencialmente mais perigosa, era um desastre \u00e0 espera de acontecer. 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