{"id":8482,"date":"2021-09-22T17:00:30","date_gmt":"2021-09-22T20:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=8482"},"modified":"2021-09-22T15:30:31","modified_gmt":"2021-09-22T18:30:31","slug":"como-os-erros-e-as-falhas-do-governo-agravam-o-apagao-de-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/como-os-erros-e-as-falhas-do-governo-agravam-o-apagao-de-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Como os erros e as falhas do governo agravam o &#8216;apag\u00e3o de Bolsonaro&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><em>Reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas nas regi\u00f5es Sudeste e Sul chegaram ao m\u00eas de setembro em seu pior n\u00edvel hist\u00f3rico<\/em><\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 em contagem regressiva para o pior apag\u00e3o energ\u00e9tico de sua hist\u00f3ria \u2013 o \u201capag\u00e3o de Bolsonaro\u201d. Por causa de erros e falhas do governo, \u00e9 de quase 100% o risco de interrup\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias de fornecimento de energia, ainda mais em momentos de picos de consumo, que ficam mais frequentes com a volta do calor.<\/p>\n<p>O governo Jair Bolsonaro n\u00e3o agiu a tempo diante de uma crise anunciada. Com isso, os reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas nas regi\u00f5es Sudeste e Sul chegaram ao m\u00eas de setembro em seu pior n\u00edvel hist\u00f3rico, abaixo mesmo do patamar de 2001, quando o Pa\u00eds enfrentou um severo racionamento de energia.<\/p>\n<p>O baixo n\u00edvel dos reservat\u00f3rios \u00e9 especialmente preocupante porque as hidrel\u00e9tricas representam 65% da capacidade de gera\u00e7\u00e3o de energia do Pa\u00eds. As medidas lan\u00e7adas por Bolsonaro para tentar reduzir a demanda e, ao mesmo tempo, aumentar a oferta de outras fontes geradoras s\u00e3o insuficientes, al\u00e9m de pol\u00eamicas.<\/p>\n<p>Uma dessas medidas foi o aumento do uso de t\u00e9rmicas, que tem custo maior que o das hidrel\u00e9tricas. Para desestimular o consumo \u201cpelo bolso\u201d, o governo aumentou a conta de luz no Pa\u00eds e prejudicou especialmente a popula\u00e7\u00e3o mais pobre \u2013 que j\u00e1 sofre com a infla\u00e7\u00e3o dos alimentos e dos combust\u00edveis. Segundo o IPCA (principal \u00edndice de pre\u00e7os do IBGE), a conta de luz ficou em m\u00e9dia 21% mais cara no pa\u00eds nos \u00faltimos 12 meses encerrados em agosto, mais que o dobro da infla\u00e7\u00e3o geral (9,68%).<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio de Minas e Energia lan\u00e7ou tamb\u00e9m um programa de desconto na conta de luz para quem reduzir seu consumo, com objetivo de provocar uma redu\u00e7\u00e3o de 15% na demanda entre setembro e dezembro. Tamb\u00e9m foi editado um decreto com a\u00e7\u00f5es para os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos federais consumirem de 10% a 20% menos energia de setembro a abril de 2022. Outra provid\u00eancia foi aumentar a importa\u00e7\u00e3o de energia da Argentina e do Uruguai. Tudo isso, por\u00e9m, s\u00f3 entrou em vigor nos \u00faltimos meses.<\/p>\n<p>Para o engenheiro Edvaldo Santana, diretor da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel) entre 2005 e 2013, o governo deveria ter feito mais, adotando desde julho uma estrat\u00e9gia de racionamento para evitar os riscos de apag\u00f5es agora. Isso n\u00e3o foi feito por temor do impacto eleitoral da medida.<\/p>\n<p>\u201cDesde que o PSDB perdeu a elei\u00e7\u00e3o\u00a0(de 2002)\u00a0por causa do racionamento\u00a0(na era Fernando Henrique Cardoso), os governos consideram melhor o consumidor gastar mais do que fazer um racionamento\u201d, ressalta. \u201cO racionamento n\u00e3o sai em menos de 60 dias. Primeiro tem que planejar e, depois, as pessoas t\u00eam que entender\u00a0(como funciona). Como a temporada seca est\u00e1 terminando, agora \u00e9 esperar o que vai acontecer.<\/p>\n<p>Para a professora da USP Virginia Parente, o governo falha em n\u00e3o fazer campanhas para conscientizar a popula\u00e7\u00e3o a economizar energia e luz, ou em estabelecer melhores acordos bilaterais para uso de energia dos pa\u00edses vizinhos. Segundo ela, apag\u00f5es, ainda que localizados em algumas partes do Pa\u00eds, podem causar grandes preju\u00edzos.<\/p>\n<p>\u201cOs momentos de pico de consumo s\u00e3o perigosos, com maior probabilidade de \u2018apaguinhos\u2019 de dura\u00e7\u00f5es variadas. A gente corre esse risco e \u00e9 bem grave\u201d, diz. \u201cSe voc\u00ea estiver em casa trabalhando no seu computador, a bateria aguenta um tempo. Mas, se voc\u00ea for uma ind\u00fastria de cer\u00e2mica que precisa apagar seu forno, voc\u00ea estraga toda a produ\u00e7\u00e3o do dia. Pequenos \u2018apaguinhos\u2019 da ind\u00fastria podem fazer grandes estragos.\u201d<\/p>\n<p>No inverno, o auge do consumo de energia se concentra no in\u00edcio da noite, quando escurece. J\u00e1 com a chegada da primavera, a demanda fica maior tamb\u00e9m de tarde, devido ao aumento do uso de ar condicionado. Esse fen\u00f4meno j\u00e1 come\u00e7ou a ocorrer a partir do final de agosto, conforme dados do Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico (ONS). Na semana passada, o consumo de energia entre 15h e 16h chegou a superar a demanda da noite nos dias 13 e 14 de setembro.<\/p>\n<p>O risco de apag\u00f5es \u00e9 alto porque o sistema j\u00e1 est\u00e1 operando no limite. Mais t\u00e9rmicas foram acionadas para compensar a quantidade menor de energia gerada nas hidrel\u00e9tricas e uso intenso das linhas de transmiss\u00e3o. A interrup\u00e7\u00e3o de abastecimento pode ocorrer tanto da gera\u00e7\u00e3o insuficiente, como da falha em algum ponto do sistema.<\/p>\n<p>\u201cApag\u00f5es s\u00e3o prov\u00e1veis. Estamos com pouca folga no despacho de energia justamente por estarmos usando pr\u00f3ximo ao m\u00e1ximo das linhas que temos para transmitir energia\u201d, explica o meteorologista Filipe Pungirum, da Climatempo. \u201cSe algum problema causar interrup\u00e7\u00e3o numa linha de transmiss\u00e3o, consequentemente alguns apag\u00f5es poder\u00e3o ocorrer, principalmente nos momentos de picos de carga.\u201d<\/p>\n<p>Quem compartilha da opini\u00e3o \u00e9 Ana Carla Petti, presidente da consultoria MegaWhat. \u201cO risco de apag\u00e3o permanece para o atendimento \u00e0 carga de ponta \u2013 aquele momento do dia em que a sociedade consome mais energia el\u00e9trica\u201d, diz ela. \u201cEsse momento de ponta tem ocorrido na parte da tarde, por conta de temperatura, uso de ar condicionado \u2013 e vai at\u00e9 o in\u00edcio da noite, por volta de 18h. Principalmente o mercado Sudeste tem esse comportamento caracter\u00edstico\u201d.<\/p>\n<p>A crise h\u00eddrica \u00e9 a pior do Pa\u00eds em 91 anos, segundo especialistas e o pr\u00f3prio Minist\u00e9rio de Minas e Energia. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 especialmente grave no Sudeste, que responde por 70% da energia produzida no Pa\u00eds. H\u00e1 um problema no chamado \u201cvolume \u00fatil\u201d \u2013 a quantidade de \u00e1gua que pode ser usada para gera\u00e7\u00e3o de energia.<\/p>\n<p>Segundo a ONS, o volume \u00fatil dos reservat\u00f3rios que integram o subsistema das regi\u00f5es Sudeste e Centro-Oeste estava, no s\u00e1bado (18), em apenas 18% da sua capacidade m\u00e1xima. \u00c9 o pior resultado j\u00e1 registrado para setembro. Um ano atr\u00e1s, o volume \u00fatil desse subsistema era de 32,9%, quase o dobro do atual.<\/p>\n<p>Em setembro de 2001, quando o governo FHC imp\u00f4s medidas dr\u00e1sticas de racionamento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e a empresas para reduzir a demanda, a capacidade dos reservat\u00f3rios estava em 20,7%. Naquele ano, consumidores que ultrapassassem determinado patamar de consumo de energia tinham que pagar multas. At\u00e9 a ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica nas ruas foi reduzida em diversos estados.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 preocupante no subsistema Sul, em que os reservat\u00f3rios est\u00e3o com capacidade m\u00e9dia de 30%. A expectativa \u00e9 que os reservat\u00f3rios devem continuar secando at\u00e9 novembro, quando come\u00e7a a temporada de chuvas na maior parte do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em junho, durante audi\u00eancia p\u00fablica na C\u00e2mara dos Deputados, o diretor-geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi, disse que os reservat\u00f3rios do subsistema Sudeste e Centro-Oeste devem chegar, em m\u00e9dia, a 10% da sua capacidade em novembro. Segundo ele, esse patamar, aliado \u00e0s medidas adotadas pelo governo, \u00e9 suficiente para as hidrel\u00e9tricas seguirem operando.<\/p>\n<p>Nas a proje\u00e7\u00e3o de meteorologistas \u00e9 que, mesmo com a volta da temporada chuvosa, os n\u00edveis dos reservat\u00f3rios permanecer\u00e3o insuficientes para uma recupera\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica aumenta o risco de clima quente e seco. Nem todas as secas se devem \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas ambientalistas apontam que o excesso de calor na atmosfera est\u00e1 tirando mais umidade da terra e piorando as secas.<\/p>\n<p>Hoje, os mercados do Sudeste, Centro-Oeste e Sul est\u00e3o sendo em parte abastecidos por energia produzida no Nordeste, onde os reservat\u00f3rios est\u00e3o mais cheios e h\u00e1 tamb\u00e9m gera\u00e7\u00e3o relevante de energia e\u00f3lica. Mas a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 confort\u00e1vel. Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, ao mesmo tempo em que se ampliou a gera\u00e7\u00e3o e a transmiss\u00e3o de energia no Pa\u00eds, tamb\u00e9m houve aumento do consumo.<\/p>\n<p><em>Fonte:<strong>\u00a0Portal Vermelho\u00a0<\/strong>com informa\u00e7\u00f5es da\u00a0<strong>BBC News<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas nas regi\u00f5es Sudeste e Sul chegaram ao m\u00eas de setembro em seu pior n\u00edvel hist\u00f3rico O Brasil est\u00e1 em contagem regressiva para o pior apag\u00e3o energ\u00e9tico de sua hist\u00f3ria \u2013 o \u201capag\u00e3o de Bolsonaro\u201d. 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