{"id":8476,"date":"2021-09-22T08:58:41","date_gmt":"2021-09-22T11:58:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=8476"},"modified":"2021-09-22T08:58:41","modified_gmt":"2021-09-22T11:58:41","slug":"governo-abriu-mao-de-ter-sensores-baratos-e-eficazes-para-deteccao-precoce-de-covid-no-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/governo-abriu-mao-de-ter-sensores-baratos-e-eficazes-para-deteccao-precoce-de-covid-no-sus\/","title":{"rendered":"Governo abriu m\u00e3o de ter sensores baratos e eficazes para detec\u00e7\u00e3o precoce de covid no SUS"},"content":{"rendered":"<p><em>Tecnologia nacional n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel aos brasileiros por decis\u00f5es pol\u00edticas de Jair Bolsonaro e seus ministros<\/em><\/p>\n<p>Cientistas brasileiros desenvolveram uma tecnologia inovadora para detec\u00e7\u00e3o precoce do\u00a0novo coronav\u00edrus: um dispositivo port\u00e1til, acoplado ao celular por meio de um leitor USB, que teria efic\u00e1cia similar ao exame PCR\u00a0\u2013 feito a partir da coleta de mucosa do nariz e da garganta.<\/p>\n<p>Esse biossensor, resultado de pesquisas iniciadas h\u00e1 sete anos, ainda n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel no mercado\u00a0nem no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS)\u00a0por decis\u00f5es pol\u00edticas do governo Jair Bolsonaro (sem partido).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fuRQGy5jqdE\" width=\"630\" height=\"320\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>Estudos sobre o tema foram desenvolvidos paralelamente no\u00a0Centro de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o (CTI) Renato Archer, vinculado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es (MCTI), e no\u00a0Centro Nacional de Tecnologia Eletr\u00f4nica Avan\u00e7ada (Ceitec), estatal fabricante de chips e semicondutores criada pelo governo Lula (PT) em 2008.<\/p>\n<p>Em junho de 2020, o Minist\u00e9rio da Economia iniciou o processo de liquida\u00e7\u00e3o do Ceitec, impedindo o avan\u00e7o daquele projeto.<\/p>\n<p>\u201cO Ceitec j\u00e1 tinha uma tecnologia pr\u00f3pria, um pouquinho diferente da minha\u201d, conta Talita Mazon, doutora em Qu\u00edmica e tecnologista s\u00eanior no CTI Renato Archer, com sede em Campinas (SP).<\/p>\n<p>\u201cEu cheguei a fazer alguns testes para validar rapidamente o biossensor deles para covid. Era uma tecnologia que j\u00e1 poderia estar no mercado, porque eles j\u00e1 tinham capacidade de produzir em larga escala\u201d, completa.<\/p>\n<p>A linha de produ\u00e7\u00e3o de sensores eletroqu\u00edmicos do Ceitec custou, em valores atualizados, cerca de R$ 18 milh\u00f5es aos cofres p\u00fablicos. A sede da empresa fica em Porto Alegre (RS).<\/p>\n<p>Com o desmonte dessa estatal, o aperfei\u00e7oamento das pesquisas e a valida\u00e7\u00e3o dos testes s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as a\u00a0uma empresa privada \u2013 a\u00a0startup\u00a0Visto.bio, parceira do\u00a0CTI desde 2020.<\/p>\n<p>Enquanto cada exame PCR custa em m\u00e9dia R$ 340 e deve ser feito de 3 a 10 dias ap\u00f3s o in\u00edcio dos sintomas, o\u00a0dispositivo\u00a0anunciado na p\u00e1gina da Visto.bio\u00a0detecta o coronav\u00edrus desde o instante zero da infec\u00e7\u00e3o, s\u00f3 com a saliva, segundo informa\u00e7\u00f5es disponibilizadas pela empresa.<\/p>\n<p>O custo de um leitor, para realizar at\u00e9 10 mil testes, \u00e9 de R$ 300 \u2013 mais R$ 10 de um refil descart\u00e1vel a cada nova testagem.<\/p>\n<figure class=\"image\">\n<figure style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"width: 598px; height: 341px;\" src=\"https:\/\/www.ncst.org.br\/images_news\/Image\/kit.jpeg\" alt=\"\" width=\"630\" height=\"354\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Kit \u00e9 composto por leitor USB que se conecta em um celular para leitura dos dados; o refil \u00e9 um biossensor descart\u00e1vel com o anticorpo do v\u00edrus imobilizado \/ Divulga\u00e7\u00e3o \/ Visto.bio<\/figcaption><\/figure><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cA gente comprou todos os equipamentos e dispositivos necess\u00e1rios para o desenvolvimento. Por conta de [o CTI] ser um \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico, doamos todo o material\u201d, explica Renan Serrano, CEO da Visto.bio. \u201cEnt\u00e3o, a gente dividiu a patente com o CTI, 50-50.\u201d<\/p>\n<p>A empresa tamb\u00e9m custeou, no primeiro semestre, a valida\u00e7\u00e3o do biossensor para detec\u00e7\u00e3o de covid-19. Foram testadas com sucesso 70 pessoas no\u00a0Hospital das Cl\u00ednicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP).<br \/>\nAl\u00e9m do pre\u00e7o, o diferencial \u00e9 que o resultado \u00e9 obtido em apenas 15 segundos, enquanto o PCR leva at\u00e9 7 dias \u00fateis.<\/p>\n<p>O dispositivo est\u00e1 em fase final de valida\u00e7\u00e3o junto \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), que pede uma an\u00e1lise cl\u00ednica com mil pessoas.<\/p>\n<p>\u00danica empresa p\u00fablica capaz de produzir sensores em escala industrial, o Ceitec poderia agilizar os processos de valida\u00e7\u00e3o e autoriza\u00e7\u00e3o se n\u00e3o estivesse em pleno desmonte.<\/p>\n<p>N\u00fameros de maio da plataforma \u201cNosso Mundo em Dados\u201d, ligada \u00e0 Universidade de Oxford,\u00a0mostravam que o Brasil era apenas o 78\u00ba pa\u00eds do mundo em testes de covid realizados. Enquanto Chile e Austr\u00e1lia faziam mais de 700 testes por mil habitantes, no Brasil eram apenas 149.<\/p>\n<p>A testagem e o rastreio s\u00e3o considerados essenciais pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) para o controle da pandemia.<\/p>\n<p>Sem adotar essas pol\u00edticas, o Brasil deve atingir, ainda em setembro, a marca de 600 mil mortos em decorr\u00eancia do novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>As pesquisas para desenvolvimento de biossensores come\u00e7aram no CTI h\u00e1 cerca de sete anos.<\/p>\n<p>\u201cAssim que surgiu o surto do zika v\u00edrus [em 2015], n\u00f3s adaptamos a base, fomos aperfei\u00e7oando e aprofundando. Quando \u00edamos come\u00e7ar a valida\u00e7\u00e3o com amostras, veio a pandemia de covid-19, ent\u00e3o a gente adaptou o teste novamente\u201d, relata a pesquisadora Talita Mazon.<\/p>\n<p>A tecnologia que est\u00e1 prestes a ser disponibilizada no mercado pela Visto.bio poderia ser adaptada para detec\u00e7\u00e3o de qualquer doen\u00e7a infecciosa. Basta substituir o material biol\u00f3gico adicionado ao sensor.<\/p>\n<p>\u201cA gente usava um anticorpo para identificar a prote\u00edna NS1, que era espec\u00edfica da zika. Nesse [da covid], a gente escolheu um material biol\u00f3gico para detectar a esp\u00edcula [prote\u00edna que recobre o v\u00edrus]\u201d, explica a tecnologista s\u00eanior do CTI.<\/p>\n<p>O primeiro artigo publicado pelo grupo de Talita Mazon nessa \u00e1rea foi sobre um biomarcador de c\u00e2ncer de ov\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em seguida, a tecnologia foi adaptada para desenvolvimento de um sensor para nefropatia diab\u00e9tica \u2013 a partir de uma demanda da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p>\u201cEra importante detect\u00e1-la [nefropatia] j\u00e1 no in\u00edcio, para poder evitar que o paciente chegasse logo \u00e0 hemodi\u00e1lise\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Na mesma \u00e9poca, pesquisadores do sul do pa\u00eds tamb\u00e9m obtiveram avan\u00e7os importantes.<\/p>\n<p>O f\u00edsico Vin\u00edcius Zoldan, especialista em tecnologia eletr\u00f4nica avan\u00e7ada do Ceitec, participou de\u00a0um projeto aprovado na \u00e1rea de detectores em um edital do\u00a0Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq)\u00a0em 2016.<br \/>\n\u201cNa \u00e9poca, a ideia foi um detector de micro RNA, focado principalmente no diagn\u00f3stico precoce do c\u00e2ncer\u201d, explica Zoldan.<\/p>\n<p>\u201cEsse foi o ponto de partida da linha de sensores dentro do Ceitec. Porque n\u00e3o \u00e9 algo que se cria da noite para o dia\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>A verba foi liberada pelo CNPq a partir de 2017. Os primeiros testes de sensibilidade foram realizados em agosto de 2018.<\/p>\n<p>Em dezembro daquele ano, um dispositivo para separa\u00e7\u00e3o do plasma sangu\u00edneo foi testado com sucesso pela primeira vez.<\/p>\n<p>O projeto foi desenvolvido em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), das \u00e1reas de eletroqu\u00edmica e farm\u00e1cia, e resultou no registro de uma primeira patente.<\/p>\n<p>A partir de 2019, o Ceitec passou a otimizar o processo produtivo para aprimorar a sensibilidade do dispositivo.<\/p>\n<p>\u201cPara chegarmos a esse sensor de RNA, tivemos que fazer novos desenvolvimentos internos, e isso foi abrindo v\u00e1rias possibilidades. Entre elas, utilizar essa plataforma como sensores eletroqu\u00edmicos\u201d, relata Vin\u00edcius Zoldan.<\/p>\n<p><strong>De volta ao CTI<\/strong><\/p>\n<p>Em 2019, um artigo escrito pela equipe de Talita Mazon no CTI sobre biossensores para detec\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as\u00a0ficou entre os 100 mais acessados da \u00e1rea de qu\u00edmica na\u00a0Scientific Reports, publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do grupo brit\u00e2nico\u00a0Nature.<\/p>\n<p>O texto teve mais de 1,6 mil downloads e detalhava os avan\u00e7os no desenvolvimento de sensores de baixo custo para detec\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as como c\u00e2ncer, Parkinson e zika.<\/p>\n<p>Pesquisas sobre o tema se tornaram comuns em universidades p\u00fablicas nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 cada vez mais interesse internacional por testes r\u00e1pidos, que sejam port\u00e1teis e menos invasivos, sem precisar tirar sangue\u201d, explica Mazon.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 2020, o Ceitec come\u00e7ou a ser procurado por institui\u00e7\u00f5es interessadas em parcerias para fabrica\u00e7\u00e3o desses sensores. Al\u00e9m dos avan\u00e7os dos cinco anos anteriores, a estatal chamava aten\u00e7\u00e3o por sua capacidade de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cHav\u00edamos feito um sensor de glicose, simplesmente para mostrar que nosso sensor eletroqu\u00edmico conseguia perceber pequenas varia\u00e7\u00f5es em uma solu\u00e7\u00e3o. A gente demonstrou que era algo r\u00e1pido e port\u00e1til, que poderia ser controlado via celular\u201d, enfatiza Vin\u00edcius Zoldan, que liderava as pesquisas no Ceitec.<\/p>\n<p>\u201cA gente mostrou toda a viabilidade, mostrou que era r\u00e1pido, e ressaltou que o Ceitec tinha capacidade de produ\u00e7\u00e3o em escala desses sensores.\u201d<\/p>\n<p>Internacionalmente, o dispositivo \u00e9 conhecido como\u00a0lab-on-chip, termo em ingl\u00eas que significa\u00a0\u201claborat\u00f3rio dentro de um chip.\u201d<\/p>\n<figure class=\"image\">\n<figure style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"width: 606px; height: 280px;\" src=\"https:\/\/www.ncst.org.br\/images_news\/Image\/maquinas.jpeg\" alt=\"\" width=\"630\" height=\"291\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">M\u00e1quinas utilizadas na montagem do chip ou c\u00e9lula eletroqu\u00edmica no Ceitec \/ Arquivo\/ACCEITEC<\/figcaption><\/figure><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Parceria interrompida<\/strong><\/p>\n<p>Dois meses ap\u00f3s o primeiro caso de covid-19 no Brasil, o Ceitec j\u00e1 assegurava ter capacidade de fabricar sensores eletroqu\u00edmicos em grandes volumes. Foi o que escreveu Marcos Tadeu de Lorenzi, diretor t\u00e9cnico e de neg\u00f3cios da estatal, em carta ao professor Jorge Luiz Pesquero, doutor em biologia molecular, em 30 de abril de 2020.<\/p>\n<p>Pesquero coordenava um grupo de pesquisa sobre o tema na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).<\/p>\n<p>\u201cA produ\u00e7\u00e3o de sensores eletroqu\u00edmicos destinados a testes r\u00e1pidos (&#8230;) [\u00e9] uma tecnologia robusta, de baixo custo de produ\u00e7\u00e3o, e que gera resultados r\u00e1pidos. A Ceitec j\u00e1 desenvolve uma plataforma integrada para testes eletroqu\u00edmicos, a qual permitir\u00e1 que os testes sejam realizados usando um simples smartphone\u201d, escreveu de Lorenzi.<\/p>\n<p>\u201cA Ceitec possui toda a linha de teste e encapsulamento totalmente operante. (&#8230;) Por exemplo, possui capacidade de produ\u00e7\u00e3o que pode chegar a mais de 1 milh\u00e3o de unidades por m\u00eas\u201d, completou o diretor t\u00e9cnico e de neg\u00f3cios da estatal, em carta obtida com exclusividade pelo\u00a0Brasil de Fato.<\/p>\n<p>Especialistas do Ceitec ouvidos pela reportagem confirmaram que a capacidade aproximada era de 1,5 milh\u00e3o de unidades por m\u00eas.<\/p>\n<figure class=\"image\">\n<figure style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"width: 609px; height: 373px;\" src=\"https:\/\/www.ncst.org.br\/images_news\/Image\/ceitec.jpeg\" alt=\"\" width=\"630\" height=\"386\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ceitec foi criado\u00a0em 2008 e est\u00e1 em fase de liquida\u00e7\u00e3o\u00a0\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>Ap\u00f3s contatos de v\u00e1rias universidades e centros de pesquisa, foi concretizada uma parceria entre o Ceitec, o CTI Renato Archer e o\u00a0Instituto de Biologia Molecular do Paran\u00e1 (IBMP)\u00a0\u2013 associa\u00e7\u00e3o de direito privado, sem fins lucrativos.<\/p>\n<p>Uma\u00a0carta de inten\u00e7\u00f5es, em 23 de julho de 2020, formalizou o desejo das tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es de cooperar para \u201cvalida\u00e7\u00e3o de sensores para aplica\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas, com potencialidade de produ\u00e7\u00e3o em escala, e com versatilidade para solu\u00e7\u00f5es personalizadas envolvendo diferentes cen\u00e1rios de diagn\u00f3stico como, por exemplo, para zika v\u00edrus e covid-19.\u201d<\/p>\n<p>O documento foi assinado\u00a0pelo diretor do CTI, Jorge Vicente Lopes da Silva, pelo presidente do Ceitec, Paulo de Tarso Mendes Luna, e pelo diretor-presidente do IBMP, Pedro Ribeiro Barbosa.<\/p>\n<p>A parceria tamb\u00e9m envolvia cientistas da\u00a0Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Paran\u00e1, com uma tarefa espec\u00edfica.<\/p>\n<p>\u201cNem sempre o que se consegue produzir de forma manual em um laborat\u00f3rio \u00e9 vi\u00e1vel como produto. Esse era um dos pontos importantes da Fiocruz na parceria\u201d, explica Zoldan, especialista em tecnologia eletr\u00f4nica avan\u00e7ada do Ceitec.<br \/>\n\u201cEles avaliavam at\u00e9 que ponto o projeto era comercialmente atrativo, considerando o custo para transformar o prot\u00f3tipo em produto.\u201d<\/p>\n<p>No mesmo m\u00eas, o projeto\u00a0\u201cDesenvolvimentos colaborativos multic\u00eantricos de testes\u00a0point of care\u00a0(POC) para diagn\u00f3stico de covid-19\u201d, elaborado pelas tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es, ficou de fora da lista de aprovados em edital do CNPq para enfrentamento da pandemia.<\/p>\n<p>\u201cA gente tentou v\u00e1rios editais. Mas o Ceitec, infelizmente, entrou em liquida\u00e7\u00e3o e ficou muito complicado desenvolver com eles\u201d, relata Talita Mazon.<\/p>\n<p>Em 25 de agosto de 2020, em plena liquida\u00e7\u00e3o, o Ceitec registrou uma solicita\u00e7\u00e3o de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) com o t\u00edtulo \u201cDispositivo sensor eletroqu\u00edmico do tipo microm\u00f3dulo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA presente inven\u00e7\u00e3o refere-se a um microm\u00f3dulo eletroqu\u00edmico formado pela integra\u00e7\u00e3o de um chip sensor com um substrato flex\u00edvel de m\u00faltiplos terminais, contendo uma cavidade eletroqu\u00edmica para receber a amostra fluida\u201d, dizia a descri\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do pedido.<\/p>\n<p>Essa patente foi aceita e publicada oficialmente em 6 de abril deste ano \u2013 com a estatal j\u00e1 praticamente desmontada e incapaz de produzir sensores.<\/p>\n<p>Na lista de inventores, al\u00e9m de Zoldan, constam os engenheiros mec\u00e2nicos\u00a0Eduardo Poletto H\u00f6ehr e\u00a0Jefferson Frasson e os f\u00edsicos\u00a0Ronald Tararam, Artur Pfeifer Coelho\u00a0e Ludmar Guedes Matos.<\/p>\n<p><strong>A liquida\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O desmonte do Ceitec pelo governo Bolsonaro foi decisivo para que a parceria n\u00e3o decolasse.<\/p>\n<p>\u201cQuando o Ceitec entra no PPI [Programa de Parcerias de Investimentos] no in\u00edcio de 2019 e, em seguida, passa ao Programa Nacional de Desestatiza\u00e7\u00e3o [PND], tudo que a empresa tinha de desenvolvimento foi recha\u00e7ado. A administra\u00e7\u00e3o do Ceitec passou a ser exclusivamente do Minist\u00e9rio da Economia\u201d, explica Silvio Luis Santos J\u00fanior, presidente da\u00a0Associa\u00e7\u00e3o dos Colaboradores do Ceitec (ACCEITEC).<\/p>\n<p>Esse primeiro passo foi comemorado por Salim Mattar, fundador da empresa Localiza e ent\u00e3o secret\u00e1rio de Desestatiza\u00e7\u00e3o na pasta chefiada por Paulo Guedes.<\/p>\n<p>\u201cA Ceitec [&#8230;] \u00e9 a primeira estatal a ser liquidada. Isso significa menos uma estatal que s\u00f3 onerava o cidad\u00e3o pagador de impostos\u201d,\u00a0escreveu em sua conta no Twitter\u00a0em 11 de junho de 2020.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Economia assumiu, ent\u00e3o, a nomea\u00e7\u00e3o de conselheiros do Ceitec, travando a aquisi\u00e7\u00e3o de insumos para desenvolvimento de projetos como o do biossensor.<\/p>\n<p>\u201cAgora, para gastar um real, n\u00e3o basta justificar: \u00e9 preciso convencer o conselheiro de que aquilo \u00e9 essencial para a continuidade da empresa. Ou seja, s\u00f3 \u00e1gua, luz e algum insumo estritamente necess\u00e1rio\u201d, afirma Santos J\u00fanior.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, ficamos engessados. Eles proibiram a diretoria do Ceitec de comprar qualquer coisa para desenvolvimento dos projetos.\u201d<\/p>\n<p>Vin\u00edcius Zoldan exemplifica essa situa\u00e7\u00e3o lembrando a compra de um insumo espec\u00edfico, que demorou de junho a outubro para ser liberada.<\/p>\n<p>\u201cPara deslanchar o desenvolvimento dos sensores na parceria com o CTI, a gente dependia de comprar a fita do microm\u00f3dulo. Foi uma novela. Eu me lembro de escrever uns 30 relat\u00f3rios explicando a necessidade, e receb\u00edamos mil desculpas diferentes, porque estavam aguardando o parecer do conselho\u201d, relata.<\/p>\n<p>\u201cEles [conselheiros] se reuniam uma vez por m\u00eas. Ent\u00e3o, a gente fazia um pedido em uma reuni\u00e3o, eles pediam uma explica\u00e7\u00e3o extra. No m\u00eas seguinte, pediam mais dois ou tr\u00eas detalhes. E assim por diante. Imagina, no meio de uma pandemia, tr\u00eas ou quatro meses de espera.\u201d<\/p>\n<p>Atas de reuni\u00f5es do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o mostram que as negativas eram reiteradas sem maiores explica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cParecia intencional toda aquela burocracia\u201d, observa Silvio Luis Santos J\u00fanior, representante dos trabalhadores da estatal.<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse a demora na aquisi\u00e7\u00e3o de insumos, toda a equipe de desenvolvimento que trabalhava na linha de biossensores do Ceitec foi demitida.<\/p>\n<p>\u201cA gente chegou a fazer algumas rodadas de testes. Eles [CTI] nos enviaram amostras, e a gente enviou de volta os prot\u00f3tipos. Pr\u00f3ximo \u00e0 minha demiss\u00e3o, j\u00e1 estavam sendo feitos testes pr\u00e1ticos em hospital com esses sensores\u201d, lembra Vin\u00edcius Zoldan, do Ceitec.<\/p>\n<p>A\u00a0demiss\u00e3o de Zoldan do cargo de especialista em tecnologia eletr\u00f4nica avan\u00e7ada foi oficializada em 26 de julho de 2021.<\/p>\n<p>\u201cFoi mandada uma \u00faltima rodada de testes ao CTI, mas n\u00e3o houve um rompimento oficial da parceria\u201d, afirma o cientista.<\/p>\n<p>\u201cLembro de um \u00faltimo e-mail dela [Talita Mazon], que eu nem respondi porque j\u00e1 sabia a data de demiss\u00e3o \u2013 minha e de toda a equipe. Eu n\u00e3o sabia nem o que responder, mas a mensagem era a mais \u00f3bvia poss\u00edvel: se n\u00e3o tem ningu\u00e9m da \u00e1rea de desenvolvimento, n\u00e3o vai ter como seguir.\u201d<\/p>\n<p>H\u00e1 duas semanas, o Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) ordenou ao governo federal que suspendesse a liquida\u00e7\u00e3o do Ceitec. O Minist\u00e9rio da Economia tem at\u00e9 o fim de outubro para justificar que h\u00e1 interesse p\u00fablico nessa decis\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Projeto avan\u00e7ou sem o Ceitec<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisadora do CTI refor\u00e7a o impacto da liquida\u00e7\u00e3o do Ceitec na interrup\u00e7\u00e3o da parceria para desenvolvimento dos biossensores.<\/p>\n<p>\u201cSe a Ceitec estivesse funcionando, acredito que o biossensor j\u00e1 estaria no mercado\u201d, diz Talita Mazon.<\/p>\n<p>Em meio ao desmonte da estatal com sede em Porto Alegre, o CTI aproximou-se\u00a0startup\u00a0Visto.bio \u2013 que contribuiu no desenvolvimento dos testes e financiou as valida\u00e7\u00f5es em Botucatu.<\/p>\n<p>\u201cA [Visto.bio] procurou o CTI porque sabia da nossa pesquisa do zika v\u00edrus, e perguntou da possibilidade de fazer teste para detectar a covid-19. Ent\u00e3o, n\u00f3s firmamos uma parceria, uma colabora\u00e7\u00e3o\u201d, explica a cientista.<\/p>\n<figure class=\"image\">\n<figure style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ncst.org.br\/images_news\/Image\/chip.jpeg\" alt=\"\" width=\"630\" height=\"437\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Imagem em detalhe mostra o biossensor acoplado a um smartphone para verifica\u00e7\u00e3o do resultado \/ Divulga\u00e7\u00e3o\/Visto.bio<\/figcaption><\/figure><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>Como n\u00e3o tem estrutura para fabrica\u00e7\u00e3o do dispositivo, a Visto.bio buscou uma empresa privada para fabricar mil unidades e submeter os testes \u00e0 \u00faltima an\u00e1lise cl\u00ednica requerida pela Anvisa.<\/p>\n<p>O nome da fabricante privada n\u00e3o foi confirmado pela Visto.bio \u2013 que j\u00e1 possui uma lista de espera de interessados no biossensor.<\/p>\n<p>\u201cHospitais que se interessaram v\u00e3o ser os primeiros [a receber os biossensores]. Depois, dentistas, psic\u00f3logos e outros profissionais da sa\u00fade que se inscreveram. Quando a Anvisa der ok, a gente j\u00e1 consegue iniciar a fabrica\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Renan Serrano, CEO da empresa.<\/p>\n<p>Segundo o fundador da Visto.bio, nenhuma unidade vinculada ao SUS est\u00e1 na lista de interessados.<\/p>\n<p><strong>Desperd\u00edcio<\/strong><\/p>\n<p>Em junho de 2020, a\u00a0revista Mundo MCTI, do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es, dava destaque \u00e0s pesquisas de biossensores no Ceitec. No mesmo m\u00eas, o governo Bolsonaro anunciava o in\u00edcio da liquida\u00e7\u00e3o da estatal.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, a pasta\u00a0deixou de dar visibilidade ao projeto e \u00e0 empresa p\u00fablica em seus canais oficiais.<\/p>\n<figure class=\"image\">\n<figure style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ncst.org.br\/images_news\/Image\/medicos.jpeg\" alt=\"\" width=\"630\" height=\"416\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ministro Marcos Pontes, do MCTI, em visita \u00e0\u00a0linha de sensores eletroqu\u00edmicos\u00a0do Ceitec, antes da demiss\u00e3o dos desenvolvedores\u00a0\/ Arquivo\/ACCEITEC<\/figcaption><\/figure><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cO ministro Marcos Pontes foi derrotado no debate sobre a liquida\u00e7\u00e3o. Como ele iria continuar projetando o Ceitec como solu\u00e7\u00e3o para testagem da covid, enquanto o governo que ele faz parte est\u00e1 liquidando a empresa? N\u00e3o tem como, \u00e9 incompat\u00edvel\u201d, analisa Silvio Luis Santos Junior, presidente da ACCEITEC.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dele, ter um dispositivo fabricado pelo Ceitec em hospitais e postos de sa\u00fade, em plena pandemia, poderia influenciar a opini\u00e3o p\u00fablica no debate\u00a0sobre a liquida\u00e7\u00e3o da estatal.<\/p>\n<p>\u201cNo momento em que uma tecnologia nacional entra no SUS para detec\u00e7\u00e3o precoce de covid, a nossa imagem muda. Hoje, a liquida\u00e7\u00e3o \u00e9 discutida apenas sob o fluxo de caixa, mas o Brasil poderia economizar milh\u00f5es de reais com uma tecnologia como essa, al\u00e9m de ajudar no combate \u00e0 pandemia\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong>Abandono \u00e0 ci\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Conforme\u00a0levantamento da economista Fernanda De Negri, do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), obtido pelo jornal\u00a0O Estado de S. Paulo, os investimentos do governo federal em ci\u00eancia e tecnologia em 2020 foram os menores dos \u00faltimos 12 anos.<\/p>\n<p>Este ano, o or\u00e7amento do CNPq foi o menor do s\u00e9culo: R$ 1,21 bilh\u00e3o, menos da metade do que foi disponibilizado no ano passado.<\/p>\n<p>Antes de presidir a ACCEITEC, Santos J\u00fanior atuava dando suporte aos pesquisadores da \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o da estatal. Ele afirma que a substitui\u00e7\u00e3o por uma organiza\u00e7\u00e3o social (OS), como prop\u00f5e o governo Bolsonaro, n\u00e3o garante a continuidade dos projetos.<\/p>\n<p>\u201cA gente tem uma vis\u00e3o macro do que est\u00e1 acontecendo, e v\u00ea colegas tirando dinheiro do bolso para comprar insumos, conseguir reagentes, finalizar pesquisas\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>\u201cA liquida\u00e7\u00e3o do Ceitec \u00e9 o fim. N\u00e3o vai ficar l\u00e1 para outro fazer. E estava pronto, era p\u00fablico, para o p\u00fablico, e totalmente nacional.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos sensores eletroqu\u00edmicos, outros projetos deixaram de ser realizados sob a justificativa de que a liquida\u00e7\u00e3o inviabilizaria o andamento.<\/p>\n<p>\u201cAlguns dizem que \u00e9 um desperd\u00edcio investir em ci\u00eancia porque os pesquisadores s\u00f3 produzem artigos, que v\u00e3o de nada a lugar nenhum. De fato, para quem est\u00e1 na universidade \u00e9 dif\u00edcil desenvolver a ideia e montar uma planta-piloto para produ\u00e7\u00e3o em escala e valida\u00e7\u00e3o\u201d, explica Vin\u00edcius Zoldan.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 nesse ponto que entrava o Ceitec. A gente oferecia capacidade de produ\u00e7\u00e3o em escala e testes para os sensores desenvolvidos. Ou seja, pod\u00edamos transformar um prot\u00f3tipo em um produto.\u201d<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a demiss\u00e3o, Zoldan desistiu de produzir ci\u00eancia no Brasil. Ele s\u00f3 n\u00e3o deixou o pa\u00eds porque a esposa estava gr\u00e1vida e o casal preferiu n\u00e3o se mudar.<\/p>\n<p>\u201cO governo investiu na minha forma\u00e7\u00e3o, pagou faculdade, mestrado, doutorado, p\u00f3s-doutorado. Quando eu estava no \u00e1pice da capacidade produtiva e realmente poderia devolver esse investimento ao Brasil, fui demitido. Depois do que aconteceu com o Ceitec, eu desisti da \u00e1rea acad\u00eamica, joguei 20 anos de trabalho fora\u201d, finaliza o cientista, que hoje trabalha como assessor de investimentos.<\/p>\n<p><strong>Outro lado<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0Brasil de Fato\u00a0apresentou as informa\u00e7\u00f5es, cr\u00edticas e questionamentos desta mat\u00e9ria ao MCTI, ao Minist\u00e9rio da Economia, ao CNPq e \u00e0 atual gest\u00e3o do Ceitec.<\/p>\n<p>A reportagem tamb\u00e9m questionou o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, para saber se a pasta estava ciente das etapas de desenvolvimento do biossensor para detec\u00e7\u00e3o de covid-19.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve retorno em nenhum dos casos.<\/p>\n<p><em>Fonte:\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tecnologia nacional n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel aos brasileiros por decis\u00f5es pol\u00edticas de Jair Bolsonaro e seus ministros Cientistas brasileiros desenvolveram uma tecnologia inovadora para detec\u00e7\u00e3o precoce do\u00a0novo coronav\u00edrus: um dispositivo port\u00e1til, acoplado ao celular por meio de um leitor USB, que teria efic\u00e1cia similar ao exame PCR\u00a0\u2013 feito a partir da coleta de mucosa do nariz [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":8477,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[153],"tags":[180,1301],"class_list":["post-8476","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude","tag-bolsonaro","tag-coronavirus"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8476","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8476"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8476\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8478,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8476\/revisions\/8478"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8477"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}