{"id":6394,"date":"2020-09-17T13:00:36","date_gmt":"2020-09-17T16:00:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=6394"},"modified":"2020-09-17T15:09:35","modified_gmt":"2020-09-17T18:09:35","slug":"103-milhoes-de-pessoas-moram-em-domicilios-com-inseguranca-alimentar-grave","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/103-milhoes-de-pessoas-moram-em-domicilios-com-inseguranca-alimentar-grave\/","title":{"rendered":"10,3 milh\u00f5es de pessoas moram em domic\u00edlios com inseguran\u00e7a alimentar grave"},"content":{"rendered":"<div class=\"single\">\n<div class=\"texto--single \">\n<p>A inseguran\u00e7a alimentar grave esteve presente no lar de 10,3 milh\u00f5es de pessoas ao menos em alguns momentos entre 2017 e 2018. Dos 68,9 milh\u00f5es de domic\u00edlios do pa\u00eds, 36,7% estavam com algum\u00a0n\u00edvel de inseguran\u00e7a alimentar, atingindo, ao todo, 84,9 milh\u00f5es de pessoas. \u00c9 o que retrata a Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares (POF) 2017-2018: An\u00e1lise da Seguran\u00e7a Alimentar no Brasil, divulgada hoje (17) pelo IBGE.<\/p>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o com 2013, a \u00faltima vez em que o tema foi investigado pelo IBGE, na Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD), a preval\u00eancia de inseguran\u00e7a quanto ao acesso aos alimentos aumentou 62,4% nos lares do Brasil. A inseguran\u00e7a vinha diminuindo ao longo dos anos, desde 2004, quando aparecia em 34,9% dos lares, 30,2% na PNAD 2009 e 22,6% na PNAD 2013. Mas em 2017-2018, houve uma piora, subindo para 36,7%, o equivalente a 25,3 milh\u00f5es de domic\u00edlios. Com isso, a seguran\u00e7a alimentar atingiu seu patamar mais baixo (63,3%) desde a primeira vez em que os dados foram levantados. J\u00e1 a inseguran\u00e7a alimentar leve atingiu seu ponto mais elevado.<\/p>\n<p>\u201cEm 2017-2018, a gente viu que esse grau de seguran\u00e7a alimentar diminuiu e, como \u00e9 tudo proporcional, significa tamb\u00e9m que as inseguran\u00e7as aumentaram. H\u00e1 uma distribui\u00e7\u00e3o. Alguma coisa nesse intervalo de tempo fez com que as pessoas reavaliassem sua vis\u00e3o sobre o acesso aos alimentos, apontando uma maior restri\u00e7\u00e3o ou, pelo menos, a estrat\u00e9gia de selecionar ou administrar alimentos para que n\u00e3o falte quantidade para ningu\u00e9m\u201d, explica o gerente da pesquisa, Andr\u00e9 Martins.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/images\/agenciadenoticias\/estatisticas_sociais\/2020_09\/graficos-pof-seg-serie.png\" alt=\"\" width=\"558\" height=\"459\" \/><\/p>\n<p>A Escala Brasileira de Inseguran\u00e7a Alimentar (EBIA), aplicada na POF, classifica os domic\u00edlios de acordo com seu n\u00edvel de seguran\u00e7a quanto ao acesso aos alimentos em quantidade e qualidade.<\/p>\n<p>Em 2017-2018, eram 43,6 milh\u00f5es de domic\u00edlios brasileiros que tinham seguran\u00e7a alimentar. \u201cS\u00e3o domic\u00edlios que t\u00eam acesso pleno e regular aos alimentos em quantidade suficiente sem comprometer o acesso de outras necessidades essenciais, ou seja, que n\u00e3o t\u00eam preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao acesso aos alimentos\u201d, afirma Andr\u00e9.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar, os domic\u00edlios podem ser classificados em tr\u00eas n\u00edveis: leve, moderado e grave. Um domic\u00edlio \u00e9 classificado com inseguran\u00e7a leve quando aparece preocupa\u00e7\u00e3o com acesso aos alimentos no futuro e a qualidade da alimenta\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 comprometida. Nesse contexto, os moradores j\u00e1 assumem estrat\u00e9gias para manter uma quantidade m\u00ednima de alimentos dispon\u00edveis. Trocar um alimento por outro que esteja mais barato, por exemplo. No segundo n\u00edvel, de inseguran\u00e7a moderada, os moradores j\u00e1 t\u00eam uma quantidade restrita de alimentos. A inseguran\u00e7a grave aparece quando os moradores passaram por priva\u00e7\u00e3o severa no consumo de alimentos, podendo chegar \u00e0 fome.<\/p>\n<p>A pesquisa aponta que pelo menos metade das crian\u00e7as menores de cinco anos viviam em lares com algum grau de inseguran\u00e7a alimentar. S\u00e3o 6,5 milh\u00f5es de crian\u00e7as vivendo sob essas condi\u00e7\u00f5es. Em 2017-2018, 5,1% das crian\u00e7as com menos de 5 anos e 7,3% das pessoas com idade entre 5 e 17 anos viviam em domic\u00edlios com inseguran\u00e7a alimentar grave. H\u00e1 a indica\u00e7\u00e3o, portanto, de maior vulnerabilidade \u00e0 restri\u00e7\u00e3o alimentar nas casas em que h\u00e1 crian\u00e7as ou adolescentes.<\/p>\n<p>\u201cQuando um domic\u00edlio tem inseguran\u00e7a alimentar grave, h\u00e1 uma restri\u00e7\u00e3o maior de acesso aos alimentos, com uma redu\u00e7\u00e3o da quantidade consumida para todos os moradores, inclusive crian\u00e7as, quando presentes. E nesses lares pode ter ocorrido a fome, situa\u00e7\u00e3o em que pelo menos algu\u00e9m ficou o dia inteiro sem comer um alimento\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>O n\u00edvel de maior restri\u00e7\u00e3o no acesso a esses alimentos tamb\u00e9m aparece com mais frequ\u00eancia nos domic\u00edlios localizados na \u00e1rea rural do Brasil. A propor\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar grave foi de 7,1% nessas localidades, tr\u00eas pontos percentuais acima do observado na \u00e1rea urbana (4,1%).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/images\/agenciadenoticias\/estatisticas_sociais\/2020_09\/graficos-pof-seg-urbano-rural.png\" alt=\"\" width=\"586\" height=\"586\" \/><\/p>\n<p>\u201cIsso est\u00e1 muito associado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Ou seja, as pessoas que est\u00e3o nos meios urbanos conseguem mais alternativas. Essas diferen\u00e7as surgem por facilidade no acesso tanto a alimentos quanto \u00e0s oportunidades. No meio urbano voc\u00ea consegue adotar estrat\u00e9gias de um jeito mais f\u00e1cil que no meio rural\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>Inseguran\u00e7a alimentar grave continua mais presente no Norte e Nordeste<\/strong><\/p>\n<p>A inseguran\u00e7a alimentar aparece de forma desigual entre as regi\u00f5es. O Norte e o Nordeste ficaram abaixo da m\u00e9dia nacional: menos da metade de seus domic\u00edlios tinham seguran\u00e7a alimentar. Essa desigualdade j\u00e1 havia aparecido nas pesquisas de 2004, 2009 e 2013.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio da\u00a0inseguran\u00e7a alimentar \u00e9 mais frequente nas duas regi\u00f5es. Dos 3,1 milh\u00f5es de domic\u00edlios com inseguran\u00e7a grave no pa\u00eds, 1,3 milh\u00e3o estava no Nordeste, o que equivale a 7,1% dos lares. A forma mais restrita de acesso aos alimentos atingiu 10,2% dos domic\u00edlios no Norte (508 mil).<\/p>\n<p>Assim como aconteceu no cen\u00e1rio nacional, a seguran\u00e7a alimentar dessas regi\u00f5es vinha aumentando desde 2004, mas regrediu em 2017-2018. Em 2004, a seguran\u00e7a alimentar estava presente em 53,4% dos domic\u00edlios do Norte e chegou ao seu ponto mais elevado em 2013 (63,9%), mas caiu para 43% na \u00faltima pesquisa. Em 2004, 46,4% dos domic\u00edlios do Nordeste estavam em situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a alimentar, atingindo 61,9% em 2013 e caindo para 49,7% em 2017-2018.<\/p>\n<p>As demais regi\u00f5es superaram a m\u00e9dia nacional: Centro-Oeste (64,8%), Sudeste (68,8%) e Sul (79,3%). Apesar disso, elas tamb\u00e9m atingiram o menor percentual de seguran\u00e7a alimentar desde que os dados come\u00e7aram a ser levantados.<\/p>\n<p><strong>Alimentos b\u00e1sicos t\u00eam maior peso no or\u00e7amento dos domic\u00edlios com inseguran\u00e7a alimentar<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 medida que aumentam os n\u00edveis de severidade da inseguran\u00e7a alimentar, a participa\u00e7\u00e3o percentual das despesas com alimenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m vai crescendo. Nos lares em que h\u00e1 seguran\u00e7a alimentar, o percentual mensal das despesas com alimentos foi de 16,3% em rela\u00e7\u00e3o ao resto das despesas de consumo. J\u00e1 nos domic\u00edlios com inseguran\u00e7a grave, esse percentual era de 23,4%.<\/p>\n<p>As despesas com alimenta\u00e7\u00e3o,\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-sala-de-imprensa\/2013-agencia-de-noticias\/releases\/25598-pof-2017-2018-familias-com-ate-r-1-9-mil-destinam-61-2-de-seus-gastos-a-alimentacao-e-habitacao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">como divulgado nos primeiros resultados da POF 2017-2018<\/a>, representavam 14,2% da despesa total e 17,5% das despesas de consumo das fam\u00edlias do pa\u00eds. A pesquisa agora aponta que a maioria dos gastos entre os grupos de alimentos diminui \u00e0 medida que aumentam os n\u00edveis de inseguran\u00e7a alimentar. Ou seja, pessoas que t\u00eam maior restri\u00e7\u00e3o no acesso ao consumo de alimentos gastam menos com determinados produtos, como frutas, carnes e latic\u00ednios.<\/p>\n<p>O gasto m\u00e9dio mensal familiar com carnes, v\u00edsceras e pescados em domic\u00edlios em situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a alimentar, por exemplo, foi de R$94,98, ao passo que essa despesa foi de R$65,12 entre as fam\u00edlias em que h\u00e1 priva\u00e7\u00e3o mais severa de consumo de alimentos. Por outro lado, o gasto com alimentos mais b\u00e1sicos, como arroz, feij\u00e3o, aves e ovos \u00e9 maior entre o grupo de inseguran\u00e7a alimentar grave. A maior diferen\u00e7a foi observada em rela\u00e7\u00e3o ao arroz: o gasto m\u00e9dio mensal dos domic\u00edlios em seguran\u00e7a alimentar foi de R$11,32, enquanto nos de inseguran\u00e7a alimentar grave foi de R$15,01.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m de o alimento ter uma import\u00e2ncia maior dentro dos gastos, essas fam\u00edlias t\u00eam um padr\u00e3o de consumo diferente. Nele voc\u00ea v\u00ea que a import\u00e2ncia de cereais e leguminosas \u00e9 grande nas fam\u00edlias com inseguran\u00e7a alimentar, tanto em termos de gastos quanto em termos de quantidade\u201d, destaca Jos\u00e9 Mauro de Freitas, t\u00e9cnico da equipe da POF.<\/p>\n<p><strong>Mais da metade dos domic\u00edlios com inseguran\u00e7a alimentar grave s\u00e3o chefiados por mulheres<\/strong><\/p>\n<p>O homem \u00e9 a pessoa de refer\u00eancia em 61,4% dos domic\u00edlios em situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a alimentar. J\u00e1 nos domic\u00edlios em condi\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar grave predominam as mulheres (51,9%).<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 v\u00e1rios estudos que tratam dessa situa\u00e7\u00e3o. Fatores como a condi\u00e7\u00e3o de acesso ao trabalho acabam gerando menos renda e mais dificuldade no or\u00e7amento dom\u00e9stico, fazendo com que os domic\u00edlios fiquem mais propensos \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar\u201d, explica Andr\u00e9.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise por cor ou ra\u00e7a, os domic\u00edlios em que a pessoa de refer\u00eancia era autodeclarada parda representavam 36,9% daqueles com seguran\u00e7a alimentar, mas ficaram acima de 50% para todos os n\u00edveis de inseguran\u00e7a alimentar (50,7% para leve, 56,6% para moderada e 58,1% para grave). J\u00e1 em 15,8% do total de domic\u00edlios com inseguran\u00e7a alimentar grave, a pessoa de refer\u00eancia era autodeclarada preta. Nos domic\u00edlios com seguran\u00e7a alimentar, esse percentual \u00e9 10%.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/images\/agenciadenoticias\/estatisticas_sociais\/2020_09\/graficos-pof-seg-cor-ou-raca.png\" alt=\"\" width=\"511\" height=\"601\" \/><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"lista-noticias lista-noticias--interno\">\n<div class=\"lista-noticias__item pure-g\">Por <b>\u00a0Umberl\u00e2ndia Cabral<\/b><b>\u00a0| Arte: Brisa Gil<\/b><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A inseguran\u00e7a alimentar grave esteve presente no lar de 10,3 milh\u00f5es de pessoas ao menos em alguns momentos entre 2017 e 2018. 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