{"id":6089,"date":"2020-08-17T17:48:11","date_gmt":"2020-08-17T20:48:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=6089"},"modified":"2020-08-17T17:48:11","modified_gmt":"2020-08-17T20:48:11","slug":"grupo-antiaborto-chamou-de-assassinos-medicos-que-atendiam-menina-de-10-anos-estuprada-por-tio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/grupo-antiaborto-chamou-de-assassinos-medicos-que-atendiam-menina-de-10-anos-estuprada-por-tio\/","title":{"rendered":"Grupo antiaborto chamou de &#8216;assassinos&#8217; m\u00e9dicos que atendiam menina de 10 anos estuprada por tio"},"content":{"rendered":"<p>Ativistas\u00a0<strong>antiaborto<\/strong>\u00a0fizeram uma manifesta\u00e7\u00e3o em frente ao hospital onde est\u00e1 internada uma\u00a0<strong>menina de 10 anos<\/strong>, que engravidou ao ser\u00a0<strong>estuprada pelo tio<\/strong>. A crian\u00e7a, do\u00a0<strong>Espirito Santo<\/strong>, teve atendimento negado no hospital de Vit\u00f3ria e precisou viajar para outro estado para se submeter ao procedimento autorizado pela Justi\u00e7a. O destino era sigiloso, mas foi desvendado. Uma das respons\u00e1veis por disseminar o paradeiro da menina foi a ativista bolsonarista Sara Giromini, autodenominada Sara Winter, que divulgou o primeiro nome da crian\u00e7a capixaba em postagem de Twitter. O texto foi removido pela administra\u00e7\u00e3o da rede social, que j\u00e1 havia bloqueado a ativista antes por ordem judicial.<\/p>\n<p>Giromini havia sido presa pela Pol\u00edcia Federal durante apura\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o dos atos antidemocr\u00e1ticos em Bras\u00edlia. Antes, havia trabalhado como coordenadora-geral de Aten\u00e7\u00e3o Integral \u00e0 Gestante e \u00e0 Maternidade do Minist\u00e9rio da Fam\u00edlia, Mulheres e Direitos Humanos, por indica\u00e7\u00e3o da ministra Damares Alves, com quem compartilha bandeiras contra o feminismo e o aborto.<\/p>\n<p>A coordenadora do hospital informou que um grupo de \u201cfundamentalistas religiosos\u201d cercou a unidade e chamou os m\u00e9dicos de assassinos. Um outro grupo de manifestantes, de defesa dos direitos sexuais e reprodutivos, foi ao local para impedir que os ativistas antiaborto invadissem o hospital. A coordenadora n\u00e3o soube informar quantas pessoas participaram da manifesta\u00e7\u00e3o. Em v\u00eddeos, o grupo antiaborto aparentava ter cerca de 40 pessoas.<\/p>\n<p>Um dos v\u00eddeos que circulam nas redes mostra ativistas contr\u00e1rios ao aborto tentando invadir o hospital, protegido por seguran\u00e7as. Numa outra grava\u00e7\u00e3o, o mesmo grupo faz uma ora\u00e7\u00e3o pela interrup\u00e7\u00e3o do aborto, enquanto outros manifestantes criticam a atitude.<\/p>\n<p><strong>Refor\u00e7o policial<\/strong><\/p>\n<p>O hospital solicitou refor\u00e7o policial ao governo do estado. Segundo a coordenadora, os agentes de seguran\u00e7a devem permanecer na porta at\u00e9 que a menina tenha alta. Ela diz que esse tipo de procedimento costuma exigir uma interna\u00e7\u00e3o de cerca de um dia, mas que a paciente s\u00f3 deve ser liberada para voltar ao Esp\u00edrito Santo, ap\u00f3s a garantia de que seu estado de sa\u00fade \u00e9 satisfat\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u2014 Me surpreende ver tantas pessoas reunidas, num momento de pandemia, sem respeitar recomenda\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias, gritando na porta de uma maternidade, nos agredindo, chamando de assassino \u2014 afirma a coordenadora do hospital.<\/p>\n<p>Ela diz que o hospital teve que bloquear portas depois de sofrer amea\u00e7as, comportamento que ela considerou como \u201cagressivo&#8221;.<\/p>\n<p>\u2014 A diretoria da institui\u00e7\u00e3o lamenta o ocorrido, e mais do que nunca defendemos a vida das mulheres e a garantia de seus direitos sexuais e reprodutivos. Temos lutado pela efetiva\u00e7\u00e3o desses direitos no SUS, para que todas as mulheres tenham um atendimento digno \u2014 declarou ela.<\/p>\n<p><strong>Risco de morte materna<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da decis\u00e3o judicial, o hospital de refer\u00eancia de Vit\u00f3ria alegou quest\u00f5es t\u00e9cnicas para n\u00e3o fazer o procedimento. Com apoio da Promotoria da Inf\u00e2ncia e da Juventude de S\u00e3o Mateus e da Secretaria Estadual de Sa\u00fade, ela foi transferida em companhia da av\u00f3.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a, gr\u00e1vida de cerca de 20 semanas, enfrenta, de acordo com fontes da reportagem, problemas de sa\u00fade. Ela tem direito de realizar o aborto legal por ter sido v\u00edtima de viol\u00eancia sexual e pelo risco de morte materna.<\/p>\n<figure>\n<figure style=\"width: 448px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"inline\" src=\"https:\/\/extra.globo.com\/incoming\/24590008-9b5-638\/w448\/xhospital.jpeg.jpg.pagespeed.ic.qzfc9B4YrJ.jpg\" alt=\"O hospital de Vit\u00f3ria, no Esp\u00edrito Santo, se negou a fazer o procedimento na crian\u00e7a estuprada\" width=\"448\" height=\"252\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">O hospital de Vit\u00f3ria, no Esp\u00edrito Santo, se negou a fazer o procedimento na crian\u00e7a estuprada Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Rede Globo<\/figcaption><\/figure><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>O hospital alegou que a idade gestacional estava avan\u00e7ada e, portanto, n\u00e3o era amparada pela legisla\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, a advogada Sandra Lia Bazzo Barwinski, do Comit\u00ea da Am\u00e9rica Latina e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem Brasil), afirma que, no Brasil n\u00e3o \u00e9 determinado qualquer tipo de limite na legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 O C\u00f3digo Penal diz que n\u00e3o \u00e9 crime o aborto, com consentimento da gestante e praticado por m\u00e9dico, quando houver risco de vida \u00e0 gestante ou for decorrente de estupro. Nosso c\u00f3digo n\u00e3o coloca data, peso, limite. Se uma paciente chegar com gesta\u00e7\u00e3o de seis, sete, oito meses e estiver correndo risco de morte, o m\u00e9dico vai avaliar o risco e dar op\u00e7\u00e3o de fazer a antecipa\u00e7\u00e3o do parto para salvar a sua vida \u2014 afirma a advogada.<\/p>\n<p>Segundo a advogada, que acompanha o caso, a menina est\u00e1 com diabetes gestacional.<\/p>\n<p>\u2014 A crian\u00e7a est\u00e1 doente, o que potencializa o risco de morte dela. \u00c9 uma emerg\u00eancia m\u00e9dica e numa emerg\u00eancia m\u00e9dica n\u00e3o h\u00e1 obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia, pela \u00e9tica m\u00e9dica. Era obriga\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o de sa\u00fade prestar assist\u00eancia m\u00e9dica.<\/p>\n<p>O tio da crian\u00e7a \u00e9 investigado por estupr\u00e1-la desde que ela tinha 6 anos de idade. Ela fugiu de casa e foi levada pelo Conselho Tutelar para um abrigo.<\/p>\n<p>A secretaria de sa\u00fade do estado que recebeu a crian\u00e7a afirma que segue a legisla\u00e7\u00e3o vigente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o da gravidez, al\u00e9m dos protocolos do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para a realiza\u00e7\u00e3o do procedimento.<\/p>\n<p>* Colaboraram Guilherme Caetano e Rafael Garcia<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por Constan\u00e7a Tatsch &#8211; Extra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ativistas\u00a0antiaborto\u00a0fizeram uma manifesta\u00e7\u00e3o em frente ao hospital onde est\u00e1 internada uma\u00a0menina de 10 anos, que engravidou ao ser\u00a0estuprada pelo tio. A crian\u00e7a, do\u00a0Espirito Santo, teve atendimento negado no hospital de Vit\u00f3ria e precisou viajar para outro estado para se submeter ao procedimento autorizado pela Justi\u00e7a. O destino era sigiloso, mas foi desvendado. 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