{"id":6080,"date":"2020-08-17T12:30:26","date_gmt":"2020-08-17T15:30:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=6080"},"modified":"2020-08-17T11:40:22","modified_gmt":"2020-08-17T14:40:22","slug":"fake-news-sobre-vacinas-contra-a-covid-19-ameacam-combate-a-doenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/fake-news-sobre-vacinas-contra-a-covid-19-ameacam-combate-a-doenca\/","title":{"rendered":"Fake news sobre vacinas contra a covid-19 amea\u00e7am combate \u00e0 doen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">A vacina da covid-19 ainda n\u00e3o existe, mas a resist\u00eancia a ela j\u00e1 \u00e9 um problema bem real. Uma pesquisa do Datafolha com 2.065 brasileiros mostrou que 9% dizem que n\u00e3o ir\u00e3o se vacinar contra o novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Os \u00edndices s\u00e3o ainda maiores nos Estados Unidos e no Reino Unido: 16% dos brit\u00e2nicos se recusariam a tomar a vacina se ela estivesse dispon\u00edvel hoje, segundo o instituto Ipsos Mori, e um em cada tr\u00eas americanos faria o mesmo, de acordo com o instituto Gallup.<\/p>\n<p>Um medo das autoridades de sa\u00fade \u00e9 que essa parcela da popula\u00e7\u00e3o cres\u00e7a junto com o aumento dos ataques \u00e0s vacinas contra a covid-19 e que isso comprometa os esfor\u00e7os para imunizar gente em n\u00famero suficiente contra o novo coroanv\u00edrus para acabar com a pandemia.<\/p>\n<p><a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-53533697\">Como a BBC News Brasil mostrou<\/a>, j\u00e1 h\u00e1 uma campanha em curso contra as vacinas para covid-19 e ela est\u00e1 ganhando mais for\u00e7a conforme avan\u00e7am as pesquisas.<\/p>\n<p>Os posts publicados nos dois principais grupos antivacina do Facebook no Brasil estavam at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo mais concentrados em falar da covid-19 em si e de alguns medicamentos que v\u00eam sendo testados contra ela.<\/p>\n<p>Mas os ataques \u00e0s vacinas no grupo &#8220;Vacina: O maior crime da Hist\u00f3ria!&#8221;, que tem 8 mil membros, e o &#8220;Vacinas: O lado obscuro das vacinas&#8221;, que tem 13,8 mil, est\u00e3o ficando mais frequentes, diz Jo\u00e3o Henrique Rafael Junior, idealizador do Uni\u00e3o Pr\u00f3-Vacina, projeto do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da Universidade de S\u00e3o Paulo em Ribeir\u00e3o Preto que combate a propaga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es falsas sobre o assunto.<\/p>\n<p>Um dos posts mais recentes diz, por exemplo, que um novo tipo de vacina, que est\u00e1 em teste contra a covid-19, seria capaz de &#8220;modificar o DNA&#8221; de seres humanos.<\/p>\n<p>A origem dessa &#8220;den\u00fancia&#8221; seria a osteopata americana Carrie Madej, que afirmou em um v\u00eddeo divulgado na internet que esta tecnologia vai criar uma &#8220;nova esp\u00e9cie e, talvez, destrua a nossa&#8221;.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que isso n\u00e3o \u00e9 verdade, como disseram especialistas \u00e0s\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/www.reuters.com\/article\/uk-factcheck-covid-19-vaccine-modify\/false-claim-a-covid-19-vaccine-will-genetically-modify-humans-idUSKBN22U2BZ\">ag\u00eancias Reuters<\/a>\u00a0e\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/lupa\/2020\/07\/22\/verificamos-vacinas-covid-altera-dna\/?fbclid=IwAR094MKHdp4ZoBUapNJ3RXq6YrJx73xtV8ckKNyaNY1uWeldXLodmknaRl8\">Lupa<\/a>\u00a0e ao<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/fato-ou-fake\/coronavirus\/noticia\/2020\/07\/29\/e-fake-que-vacinas-contra-o-novo-coronavirus-possam-gerar-seres-geneticamente-modificados.ghtml\">\u00a0portal G1<\/a>.<\/p>\n<p>De fato, algumas vacinas em teste contra o novo coronav\u00edrus usam uma t\u00e9cnica in\u00e9dita, conhecida como RNA mensageiro, para fazer com que parte do material gen\u00e9tico do coronav\u00edrus, seja absorvido por nossas c\u00e9lulas para fazer com que elas produzam uma prote\u00edna caracter\u00edstica desse micro-organismo, que ser\u00e1 detectada pelo sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<figure style=\"width: 654px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17D13\/production\/_113955579_foto2.jpg\" alt=\"Funcion\u00e1rio da Fiocruz trabalha na produ\u00e7\u00e3o de vacinas\" width=\"654\" height=\"368\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Pesquisas apontam que a resist\u00eancia \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19 j\u00e1 \u00e9 um problema real. Foto: EPA<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">\u00a0<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A ideia \u00e9 que o nosso corpo aprenda desta forma a nos proteger da covid-19. Mas essa tecnologia n\u00e3o altera o DNA das nossas c\u00e9lulas e, portanto, n\u00e3o cria seres humanos geneticamente modificados.<\/p>\n<p>Essa forma de &#8220;den\u00fancia&#8221; recorre a um expediente frequente nesse tipo de ataque: mistura algumas informa\u00e7\u00f5es verdadeiras com outras falsas para nos fazer acreditar que corremos algum perigo e, neste caso, gerar desconfian\u00e7a sobre as vacinas contra a covid-19.<\/p>\n<p>Outros rumores que circulam dizem que c\u00e9lulas de fetos abortados s\u00e3o usadas na composi\u00e7\u00e3o das vacinas; que elas s\u00e3o parte de uma conspira\u00e7\u00e3o do bilion\u00e1rio Bill Gates para implantar microchips em n\u00f3s, ou que volunt\u00e1rios dos testes j\u00e1 morreram por terem se submetido \u00e0s vacinas em fase experimental.<\/p>\n<p>O temor de Junior, do Uni\u00e3o Pr\u00f3-Vacina, \u00e9 que, uma vez lan\u00e7ada a vacina, ela se torne o \u00fanico alvo dos v\u00e1rios grupos que espalham mentiras na internet e isso leve \u00e0 &#8220;maior campanha de desinforma\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria&#8221;.<\/p>\n<p>Isso pode n\u00e3o s\u00f3 comprometer a imuniza\u00e7\u00e3o contra o coronav\u00edrus, mas aumentar a desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vacinas contra outras doen\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 como em um tsunami. O mar j\u00e1 come\u00e7ou a recuar. Em breve, vamos ser atingidos por uma onda gigantesca de desinforma\u00e7\u00e3o sobre as vacinas. Se n\u00e3o estivermos preparados, \u00e9 impens\u00e1vel o efeito que isso pode ter&#8221;, diz Junior.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A &#8216;infodemia&#8217; \u00e9 &#8216;amea\u00e7a \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica&#8217;<\/h2>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) j\u00e1 alertou que teorias da conspira\u00e7\u00e3o, rumores e mentiras divulgadas em torno da pandemia v\u00eam se espalhando t\u00e3o rapidamente quanto o pr\u00f3prio coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Essa &#8220;infodemia&#8221; tem contribu\u00eddo para aumentar o n\u00famero de casos e mortes por covid-19 no mundo, segundo a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"http:\/\/www.ajtmh.org\/content\/journals\/10.4269\/ajtmh.20-0812;jsessionid=-ETrfB53Hw7IIHnlp2BbSu4i.ip-10-241-1-122\">estudo publicado no peri\u00f3dico American Journal of Tropical Medicine and Hygiene<\/a>\u00a0d\u00e1 uma ideia do seu impacto.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<figure style=\"width: 647px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/487B\/production\/_113955581_foto3.jpg\" alt=\"Mulher \u00e9 vacinada em estudo realizado em S\u00e3o Paulo\" width=\"647\" height=\"364\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Estudo apontou que desinforma\u00e7\u00e3o levou a queda da cobertura vacinal da tr\u00edplice viral na Inglaterra. Foto: REUTERS.<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><span class=\"story-image-copyright\">.<\/span><\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Entre 31 de dezembro e 5 de abril, seus autores encontraram 2.311 publica\u00e7\u00f5es na internet com rumores e teorias da conspira\u00e7\u00e3o ou que promoviam a estigmatiza\u00e7\u00e3o de grupos sociais, em 87 pa\u00edses e em 25 idiomas.<\/p>\n<p>Eles avaliaram 2.276 e conclu\u00edram que s\u00f3 9% eram verdadeiras. A maioria eram falsas (82%), enganosas (8%) ou infundadas (1%).<\/p>\n<p>Os cientistas estimam que um dos mitos mais difundidos (que ingerir \u00e1lcool com uma alta concentra\u00e7\u00e3o poderia desinfetar o corpo e matar o v\u00edrus), fez 5.876 pessoas serem hospitalizadas, matou 800 e deixou 60 cegas.<\/p>\n<p>O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse em um comunicado em setembro do ano passado que a &#8220;desinforma\u00e7\u00e3o sobre vacinas \u00e9 uma grande amea\u00e7a \u00e0 sa\u00fade global&#8221;.<\/p>\n<p>Ele pediu que empresas de tecnologia, como Google, Facebook e Twitter, combatam esse tipo de conte\u00fado.<\/p>\n<p>&#8220;As principais organiza\u00e7\u00f5es digitais t\u00eam uma responsabilidade: garantir que seus usu\u00e1rios possam acessar informa\u00e7\u00f5es sobre vacinas e sa\u00fade. Queremos que os atores digitais fa\u00e7am mais para tornar conhecido em todo o mundo que #VacinasFuncionam&#8221;, disse Ghebreyesus.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">As vacinas s\u00e3o seguras?<\/h2>\n<p><a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/www.acpjournals.org\/doi\/full\/10.7326\/M20-2726\">Um estudo<\/a>\u00a0verificou a seguran\u00e7a das vacinas ao analisar as mudan\u00e7as feitas nas bulas das 57 que foram aprovadas ao longo de 20 anos pela Food and Drug Administration (FDA), o \u00f3rg\u00e3o americano equivalente \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa).<\/p>\n<p>Houve mudan\u00e7as nas bulas relacionadas \u00e0 seguran\u00e7a em 25 das vacinas, menos da metade do total. Ao todo, foram 58 altera\u00e7\u00f5es, entre janeiro de 1996 e dezembro de 2015.<\/p>\n<p>A maioria (36%) foi para ampliar restri\u00e7\u00f5es de uso, como, por exemplo, indicar que gr\u00e1vidas e pessoas com problemas no sistema imune n\u00e3o devem usar vacinas feitas com v\u00edrus atenuados (&#8220;vivos&#8221;, mas enfraquecidos). Nestes casos, o mais indicado s\u00e3o vacinas com v\u00edrus inativados (&#8220;mortos&#8221;).<\/p>\n<p>Alertas sobre alergias, frequentemente causadas pelo l\u00e1tex usado nas embalagens, levaram a 22% das mudan\u00e7as, e 12 altera\u00e7\u00f5es foram para avisar sobre o risco de desmaios ap\u00f3s a vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<figure style=\"width: 637px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/969B\/production\/_113955583_foto4-2.jpg\" alt=\"Reuters\" width=\"637\" height=\"358\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Quanto mais a pandemia se prolonga, maior \u00e9 chance da desinforma\u00e7\u00e3o se propagar. Foto: VACINA CONTRA A COVID-19<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">\u00a0<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>S\u00f3 uma vacina foi tirada do mercado por motivos de seguran\u00e7a. A RotaShield, usada contra o rotav\u00edrus, que causa diarreia em crian\u00e7as, parou de ser vendida porque podia levar a uma obstru\u00e7\u00e3o intestinal em beb\u00eas, potencialmente fatal.<\/p>\n<p>O imunologista Carlos Zanetti, da Universidade Federal de Santa Catarina, diz que as vacinas que temos hoje s\u00e3o &#8220;bastante seguras&#8221;, embora causem alguns efeitos adversos.<\/p>\n<p>&#8220;Eventualmente, algumas pessoas podem ter problemas, ficar doentes ou at\u00e9 morrer. Mas uma pessoa est\u00e1 sujeita a sofrer efeitos adversos com qualquer produto que injete no corpo, engula, passe na pele&#8221;, diz Zanetti.<\/p>\n<p>Zanetti explica que a efic\u00e1cia das vacinas (o percentual das pessoas que tomam e realmente ficam protegidas contra uma doen\u00e7a) varia de uma para outra e de acordo com as caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Mas o imunologista afirma que, no geral, elas s\u00e3o &#8220;altamente eficientes&#8221;. &#8220;Do ponto de vista biom\u00e9dico, elas protegem muita gente&#8221;, diz.<\/p>\n<p>As vacinas da covid-19 ter\u00e3o de passar por estudos cl\u00ednicos para provar que tamb\u00e9m s\u00e3o seguras e eficazes antes de serem aplicadas. Tamb\u00e9m ser\u00e3o monitoradas uma vez que cheguem ao mercado.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 importante porque, como Zanetti esclarece, os estudos podem n\u00e3o ser capazes de detectar um problema.<\/p>\n<p>Ou algum efeito colateral que tenha sido insignificante nas estat\u00edsticas das pesquisas pode ganhar outra dimens\u00e3o quando uma vacina for usada por milh\u00f5es ou mesmo bilh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>&#8220;Vamos passar por um grande experimento humano. Mas n\u00e3o tem outro jeito. Eu tomaria a vacina, porque essa decis\u00e3o sempre envolve um julgamento entre risco e benef\u00edcio. No caso da covid, o benef\u00edcio \u00e9 muito maior que o risco. A vacina nunca vai ser t\u00e3o mortal quanto a doen\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O impacto das campanhas antivacina<\/h2>\n<p>O diretor-geral da OMS j\u00e1 disse que est\u00e1 preocupado com o alcance crescente das campanhas antivacina. Ghebreyesus alertou que elas podem reverter &#8220;d\u00e9cadas de progresso no combate a doen\u00e7as que podem ser prevenidas&#8221;.<\/p>\n<p>Um estudo feito pela\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/www.fticonsulting-emea.com\/~\/media\/Files\/emea--files\/insights\/articles\/2020\/jun\/covid-19-real-world-effects-fake-news.pdf\">FTI Consulting<\/a>, uma empresa de intelig\u00eancia de mercado presente em 11 pa\u00edses, d\u00e1 uma ideia do potencial impacto da desinforma\u00e7\u00e3o que circula em redes sociais sobre as vacinas contra covid-19.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<figure style=\"width: 644px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/21A7\/production\/_113751680_vacuna.png\" alt=\"Homem a ponto de ser vacinado\" width=\"644\" height=\"362\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">A Universidade de Oxford possui uma das mais promissoras vacinas contra covid-19, mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. Foto: GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><\/figcaption><\/figure>\n<p>A pesquisa analisou o aumento do volume de posts deste tipo sobre a vacina tr\u00edplice viral (para sarampo, caxumba e rub\u00e9ola) no Twitter ao longo de 2012 e 2018. Neste per\u00edodo, houve uma queda de 3% na cobertura desta vacina na Inglaterra e no Pa\u00eds de Gales.<\/p>\n<p>Os cientistas da FTI analisaram a literatura sobre fatores comportamentais e demogr\u00e1ficos e criaram um um modelo computacional que levou em considera\u00e7\u00e3o todos estes motivos e tamb\u00e9m o aumento da desinforma\u00e7\u00e3o no Twitter.<\/p>\n<p>O objetivo foi, por meio de um sistema de intelig\u00eancia artificial, identificar o quanto da redu\u00e7\u00e3o da cobertura vacinal foi causada exclusivamente pela desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O estudo concluiu que cada aumento de 100% no volume de desinforma\u00e7\u00e3o sobre a tr\u00edplice viral no Twitter levou a uma queda de 0,2% na cobertura vacinal. Como houve no per\u00edodo analisado um aumento de 800% da desinforma\u00e7\u00e3o na rede social, isso gerou uma redu\u00e7\u00e3o de 1,6% na cobertura vacinal.<\/p>\n<p>Ou seja, mais da metade da queda foi causada pela desinforma\u00e7\u00e3o. &#8220;Outros estudos j\u00e1 haviam demonstrado uma associa\u00e7\u00e3o entre o aumento da desinforma\u00e7\u00e3o e a queda da cobertura vacinal. Nosso trabalho \u00e9 o primeiro a provar que a desinforma\u00e7\u00e3o causou uma queda&#8221;, diz Meloria Meschi, coautora do estudo.<\/p>\n<p>David Eastwood, coautor da pesquisa, diz que, diante disso, \u00e9 preciso levar a desinforma\u00e7\u00e3o em conta antes mesmo das vacinas contra covid-19 serem lan\u00e7adas.<\/p>\n<p>&#8220;Quando a vacina estiver dispon\u00edvel, ser\u00e1 importante que a imuniza\u00e7\u00e3o ocorra rapidamente. Mas, a menos que o risco da desinforma\u00e7\u00e3o seja combatido, a ado\u00e7\u00e3o da vacina pode ser retardada&#8221;, afirma Eastwood.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Quanto mais tempo passa, maior \u00e9 o desafio<\/h2>\n<p>O desafio \u00e9 que, quanto mais se prolonga a pandemia, maior \u00e9 a chance de uma pessoa entrar em contato com uma desinforma\u00e7\u00e3o capaz de levar \u00e0 recusa da vacina, aponta o f\u00edsico Manlio De Domenico, do Instituto Bruno Kessler, na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>O pesquisador criou o projeto\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/covid19obs.fbk.eu\/#\/\">Observat\u00f3rio de Infodemia Covid19<\/a>, no qual monitora o volume de desinforma\u00e7\u00e3o que circula no Twitter em 84 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Um programa de computador analisa 4,7 milh\u00f5es de mensagens publicadas na rede social todos os dias para criar um \u00edndice do risco que uma pessoa corre de ser exposta \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A partir deste trabalho, De Domenico identificou um padr\u00e3o semelhante em diferentes partes do mundo.<\/p>\n<p>Quando a pandemia come\u00e7ou na China, os usu\u00e1rios de muitos pa\u00edses passaram a compartilhar conte\u00fado de fontes duvidosas, teorias da conspira\u00e7\u00e3o e not\u00edcias falsas em geral. O risco de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o era alto.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<figure style=\"width: 587px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/5771\/production\/_113558322_gettyimages-1205534989.jpg\" alt=\"Vacina\" width=\"587\" height=\"330\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">OMS acompanha o desenvolvimento de mais de 170 vacinas contra a covid-19. Foto: GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">\u00a0<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas, depois que o coronav\u00edrus atingiu um determinado pa\u00eds, esse risco caiu, porque houve um aumento significativo do compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es de fontes confi\u00e1veis, como sites de governos, autoridades de sa\u00fade e de ve\u00edculos de imprensa respeitados.<\/p>\n<p>&#8220;Uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o para isso \u00e9 que a proximidade da pandemia levou as pessoas a priorizarem as fontes confi\u00e1veis. Quando o risco de cont\u00e1gio estava longe, elas n\u00e3o se importavam tanto com isso&#8221;, diz o cientista.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que esse mesmo monitoramento mostra que o risco da desinforma\u00e7\u00e3o vem aumentando conforme a pandemia se prolonga.<\/p>\n<p>No Brasil, por exemplo, o \u00edndice variou entre 3% e 9% nos primeiros sete dias de mar\u00e7o. Na primeira semana de agosto, ficou entre 18% e 36%.<\/p>\n<p>De Domenico acredita que isso est\u00e1 relacionado com os efeitos sociais e econ\u00f4micos da pandemia.<\/p>\n<p>&#8220;Muita gente perdeu o emprego, amigos ou familiares. Depois de tanto tempo em isolamento, estamos com as emo\u00e7\u00f5es \u00e0 flor da pele. As pessoas precisam encontrar uma forma de dar vaz\u00e3o a isso&#8221;, diz De Domenico.<\/p>\n<p>Ele diz que a fase mais racional da pandemia est\u00e1 dando lugar a uma fase emocional, em que h\u00e1 uma tend\u00eancia maior de que fontes confi\u00e1veis de informa\u00e7\u00e3o sejam questionadas ou atacadas e da desinforma\u00e7\u00e3o se espalhar.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 neste contexto cada vez mais preocupante em que as primeiras vacinas ser\u00e3o lan\u00e7adas.<\/p>\n<p>&#8220;Podemos esperar um grande aumento de not\u00edcias falsas e teorias da conspira\u00e7\u00e3o quando isso acontecer. As vacinas j\u00e1 s\u00e3o uma quest\u00e3o emocional, e quanto mais emocionais as pessoas ficam, mais a desinforma\u00e7\u00e3o tende a prosperar&#8221;, diz De Domenico.<\/p>\n<p>&#8220;Ser\u00e1 crucial nos prepararmos para esse momento.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rafael Barifouse &#8211; BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vacina da covid-19 ainda n\u00e3o existe, mas a resist\u00eancia a ela j\u00e1 \u00e9 um problema bem real. Uma pesquisa do Datafolha com 2.065 brasileiros mostrou que 9% dizem que n\u00e3o ir\u00e3o se vacinar contra o novo coronav\u00edrus. Os \u00edndices s\u00e3o ainda maiores nos Estados Unidos e no Reino Unido: 16% dos brit\u00e2nicos se recusariam [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6081,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[153],"tags":[1301,1392,812,392],"class_list":["post-6080","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude","tag-coronavirus","tag-covid19","tag-fake-news","tag-vacina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6080","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6080"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6080\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6082,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6080\/revisions\/6082"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6081"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6080"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6080"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6080"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}