{"id":6017,"date":"2020-08-08T16:18:26","date_gmt":"2020-08-08T19:18:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=6017"},"modified":"2020-08-08T16:18:26","modified_gmt":"2020-08-08T19:18:26","slug":"os-4-avancos-no-tratamento-que-reduzem-risco-de-morte-por-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/os-4-avancos-no-tratamento-que-reduzem-risco-de-morte-por-covid-19\/","title":{"rendered":"Os 4 avan\u00e7os no tratamento que reduzem risco de morte por covid-19"},"content":{"rendered":"<p>Da primeira morte por covid-19 no Brasil, em mar\u00e7o, at\u00e9 o pa\u00eds se aproximar de 100 mil vidas perdidas, o que a comunidade m\u00e9dica aprendeu sobre o tratamento dessa doen\u00e7a?<\/p>\n<p>Embora ainda existam muitas d\u00favidas sobre o coronav\u00edrus, m\u00e9dicos que trabalham no enfrentamento da covid-19 dizem que o avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o ao tratamento dos pacientes at\u00e9 aqui j\u00e1 reduz parte das mortes e interna\u00e7\u00f5es, ao dar um caminho mais claro de como efeitos da doen\u00e7a, como inflama\u00e7\u00f5es, podem ser combatidos.<\/p>\n<p>Essa evolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 no aprimoramento de pr\u00e1ticas dentro de hospitais, como mudar a posi\u00e7\u00e3o dos pacientes para melhorar oxigena\u00e7\u00e3o (evitando at\u00e9 a intuba\u00e7\u00e3o de alguns deles), al\u00e9m do uso de rem\u00e9dios para combater efeitos da doen\u00e7a em casos indicados, como a dexametasona (que combate uma rea\u00e7\u00e3o desproporcional do sistema imunol\u00f3gico que mata alguns pacientes).<\/p>\n<div id=\"pub-materia-2\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\"><\/div>\n<p>&#8220;Fomos literalmente aprendendo sobre a doen\u00e7a no curso do enfrentamento&#8221;, diz Jaques Sztajnbok, chefe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Instituto de Infectologia Em\u00edlio Ribas.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso, ele diz, que um paciente internado em agosto, em iguais condi\u00e7\u00f5es de uma pessoa internada em mar\u00e7o, tem agora &#8220;maiores chances de ser melhor tratado e sobreviver&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Quando ele chegava l\u00e1 em mar\u00e7o, n\u00e3o havia qualquer protocolo baseado em evid\u00eancias que se mostrasse efetivo. E hoje temos evid\u00eancias&#8221;, diz Sztajnbok.<\/p>\n<p>Se o debate p\u00fablico ficou centrado, em muitos momentos, na busca por um rem\u00e9dio milagroso e capaz de combater o v\u00edrus, os m\u00e9dicos ouvidos pela BBC News Brasil apontam que, na verdade, os avan\u00e7os no tratamento de pacientes com coronav\u00edrus est\u00e3o em pr\u00e1ticas e medicamentos que j\u00e1 existiam e que tiveram seus usos adaptados para combater n\u00e3o o v\u00edrus, mas os efeitos dele no corpo.<\/p>\n<div id=\"pub-materia-3\" class=\"adv adv-article halfpage\" data-advertising=\"0\"><\/div>\n<p>A seguir, veja os principais avan\u00e7os no tratamento da covid-19 apontados por m\u00e9dicos que atuam no Brasil:<\/p>\n<p><strong>1. Paciente de bru\u00e7os<\/strong><br \/>\nQuem acompanhou as not\u00edcias sobre o coronav\u00edrus nos \u00faltimos meses ouviu falar na t\u00e9cnica de virar o paciente de bru\u00e7os, a chamada prona\u00e7\u00e3o. Ela ganhou fama recentemente, mas \u00e9 uma t\u00e9cnica antiga, que j\u00e1 era usada antes da chegada do coronav\u00edrus, para aumentar a quantidade de oxig\u00eanio que entra nos pulm\u00f5es.<\/p>\n<p>No contexto de uma UTI, Sztajnbok diz que se trata de uma &#8220;estrat\u00e9gia salvadora&#8221;. &#8220;\u00c0s vezes voc\u00ea n\u00e3o consegue oxigenar bem o paciente de costas para o leito e, ao vir\u00e1-lo para baixo, os \u00edndices de oxigena\u00e7\u00e3o aumentam at\u00e9 50%&#8221;, afirma.<\/p>\n<figure>\n<figure style=\"width: 651px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazy-loaded lazy-loaded\" title=\"A prona\u00e7\u00e3o \u00e9 uma t\u00e9cnica antiga mas eficaz para ajudar a combater doen\u00e7as respirat\u00f3rias graves. (Foto: Getty Images via BBC News Brasil)\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/rlZUQdc1JOQvaebcahPvZLj8db8=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2020\/08\/08\/brucos.jpg\" alt=\"bbc - A prona\u00e7\u00e3o \u00e9 uma t\u00e9cnica antiga mas eficaz para ajudar a combater doen\u00e7as respirat\u00f3rias graves. (Foto: Getty Images via BBC News Brasil)\" width=\"651\" height=\"366\" data-src=\"\/\/s2.glbimg.com\/rlZUQdc1JOQvaebcahPvZLj8db8=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2020\/08\/08\/brucos.jpg\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">A prona\u00e7\u00e3o \u00e9 uma t\u00e9cnica antiga mas eficaz para ajudar a combater doen\u00e7as respirat\u00f3rias graves. (Foto: Getty Images via BBC News Brasil)<\/figcaption><\/figure><figcaption>&nbsp;<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ele diz que os pacientes ficam nessa posi\u00e7\u00e3o, em m\u00e9dia, 16 horas. Mas que j\u00e1 teve casos em que precisou deixar pacientes por at\u00e9 30 horas antes de voltar \u00e0 posi\u00e7\u00e3o inicial.<\/p>\n<p>&#8220;Tive uma paciente com 145kg para a qual precisei de 7 profissionais para pronar. Tive que brigar na UTI porque estavam dizendo que eu estava louco porque queria pronar aquela paciente&#8221;, diz Sztajnbok. &#8220;Isso foi feito de 5 a 7 vezes ao longo da interna\u00e7\u00e3o na UTI.&#8221;<\/p>\n<p>E ela sobreviveu? &#8220;Essa paciente n\u00e3o s\u00f3 teve alta como saiu andando do hospital.&#8221;<\/p>\n<div id=\"pub-materia-4\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\"><\/div>\n<p>Al\u00e9m de efetiva, a medida tamb\u00e9m \u00e9 trabalhosa, segundo os m\u00e9dicos, j\u00e1 que exige v\u00e1rios profissionais para virarem a pessoa, no caso dos pacientes intubados. Em um contexto de doen\u00e7a infecciosa, essa aproxima\u00e7\u00e3o de tantos profissionais se torna ainda mais delicada.<\/p>\n<p>Um avan\u00e7o importante no tratamento da covid-19 \u00e9 a prona\u00e7\u00e3o mesmo antes da intuba\u00e7\u00e3o do paciente.<\/p>\n<p>M\u00e1rcio Sommer Bittencourt, que \u00e9 m\u00e9dico do centro de pesquisa cl\u00ednica e epidemiol\u00f3gica do Hospital Universit\u00e1rio da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), diz: &#8220;Aprendemos que d\u00e1 para pronar sem intubar, e que muitos pacientes ficam bem nessas circunst\u00e2ncias, que talvez n\u00e3o precisasse intubar tanto&#8221;.<\/p>\n<p>E vai al\u00e9m: &#8220;Isso inclusive faz com que muita da nossa correria por respiradores, como ocorreu em alguns lugares, talvez n\u00e3o tivesse sido t\u00e3o necess\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n<p>Sztajnbok, que publicou numa revista eletr\u00f4nica um relato de caso de dois pacientes n\u00e3o-intubados que foram pronados, tamb\u00e9m destacou a import\u00e2ncia da t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>&#8220;Como tivemos risco potencial de escassez de equipamento e de uma sobrecarga enorme de paciente, come\u00e7amos a pronar pacientes sem intubar, no caso daqueles que tinham condi\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria melhor. Fazemos isso antes de intubar de cara &#8211; que era uma recomenda\u00e7\u00e3o inicial&#8221;, diz. &#8220;Conseguimos evitar que alguns pacientes fossem intubados. Hoje isso j\u00e1 \u00e9 pr\u00e1tica mais recorrente.&#8221;<\/p>\n<div id=\"pub-materia-5\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\"><\/div>\n<p>Para os pacientes que precisam de respiradores, outro ponto destacado pelos m\u00e9dicos est\u00e1 na opera\u00e7\u00e3o do equipamento. Sztajnbok lembra que, se a programa\u00e7\u00e3o n\u00e3o for correta, &#8220;pode levar inclusive \u00e0 morte do paciente&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Existe o que chamamos de ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica protetora. S\u00e3o v\u00e1rias vari\u00e1veis que voc\u00ea tem que saber dirigir. E n\u00e3o adianta dar um Porsche se ele s\u00f3 dirigia Fusca at\u00e9 ent\u00e3o, porque ele vai bater o Porsche na primeira esquina.&#8221;<\/p>\n<p><strong>2. Extens\u00e3o da doen\u00e7a e ajuda m\u00e9dica<\/strong><br \/>\nO pr\u00f3prio entendimento da extens\u00e3o da doen\u00e7a no corpo do paciente mudou, como explica o epidemiologista Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>&#8220;Isso foi um baile que o v\u00edrus nos deu. Quando sai o primeiro relato da China, parece que \u00e9 mais uma gripe, tipo H1N1, (contra a qual) sabemos como atuar. Quando chega \u00e0 It\u00e1lia, come\u00e7amos a conversar com m\u00e9dicos Italianos e saem os primeiros artigos da China. E a\u00ed \u00e9 que se fala: \u00b4pera\u00ed, \u00e9 algo diferente\u00b4. Ent\u00e3o vimos que o v\u00edrus atua no sistema circulat\u00f3rio&#8221;, diz. &#8220;E isso \u00e9 parte da cat\u00e1strofe da mortalidade alta que estamos vendo.&#8221;<\/p>\n<p>Entender a complexidade da covid, em vez de pensar no v\u00edrus como sendo exclusivamente um causador de pneumonia, foi um passo importante para entender outras \u00e1reas que devem ser foco de aten\u00e7\u00e3o e de tratamento, se necess\u00e1rio, como problemas card\u00edacos e renais causados pela doen\u00e7a.<\/p>\n<div id=\"pub-materia-6\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\"><\/div>\n<p>Outra importante mudan\u00e7a foi sobre a recomenda\u00e7\u00e3o de quando procurar ajuda m\u00e9dica, como aponta Bittencourt.<\/p>\n<p>&#8220;Uma coisa que mudou em mar\u00e7o, com a China, e n\u00f3s demoramos para incorporar, \u00e9 a ideia de que o cuidado do paciente deve ser precoce. N\u00e3o esse besteirol do governo daqui de que deve ser tratado com rem\u00e9dio precoce, mas a ideia de que o paciente deve ser avaliado precocemente para avaliar a gravidade e eventualmente internado para medidas de suporte de forma precoce&#8221;, diz. &#8220;\u00c9 uma coisa que no come\u00e7o muita gente n\u00e3o recomendava, e agora \u00e9 recomendado&#8221;.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o precoce e, consequentemente, a poss\u00edvel interna\u00e7\u00e3o precoce \u00e9 importante no combate \u00e0 doen\u00e7a porque as medidas para combater os efeitos come\u00e7am e s\u00e3o adequadamente acompanhadas pela equipe m\u00e9dica mais cedo.<\/p>\n<p>No Brasil, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade anunciou em julho a altera\u00e7\u00e3o do protocolo m\u00e9dico para pessoas que sentirem sintomas leves da doen\u00e7a, passando a orientar que esses pacientes procurem um m\u00e9dico. Antes, a indica\u00e7\u00e3o era buscar ajuda profissional apenas em caso de sintomas mais graves.<\/p>\n<p><strong>3. Medicamentos<\/strong><br \/>\nSe a cloroquina foi o rem\u00e9dio mais discutido no primeiro semestre de 2020, nenhum avan\u00e7o veio dela. Pelo contr\u00e1rio, segundo os especialistas ouvidos pela reportagem: o debate em torno desse rem\u00e9dio tirou aten\u00e7\u00e3o e recursos de discuss\u00f5es e pesquisas mais importantes.<\/p>\n<div id=\"pub-materia-7\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\"><\/div>\n<p>&#8220;Essa discuss\u00e3o faz mais mal do que as pessoas conseguem imaginar. O efeito colateral de uma medica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o mal que faz diretamente no corpo da pessoa. O primeiro efeito colateral \u00e9 econ\u00f4mico, de aloca\u00e7\u00e3o de recurso escasso: nosso tempo como m\u00e9dico e pesquisador \u00e9 escasso. Nosso recurso de atendimento \u00e9 escasso. O malef\u00edcio \u00e9 gastar recurso (tempo e dinheiro) com coisa que comprovadamente n\u00e3o funciona&#8221;, diz Bittencourt.<\/p>\n<p>&#8220;E tem outro efeito colateral que \u00e9 dar falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. Se voc\u00ea fala que se ela tomar cloroquina vai ficar tudo bem, as pessoas deixam de se proteger. Se consigo te explicar o risco verdadeiro, voc\u00ea pode se cuidar.&#8221;<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia dos medicamentos pesquisados at\u00e9 aqui est\u00e1 em combater os efeitos da doen\u00e7a, e n\u00e3o o v\u00edrus em si. O \u00fanico antiviral que apresentou resultados positivos at\u00e9 agora foi o remdesivir, produzido nos Estados Unidos e criado inicialmente pra combater o ebola.<\/p>\n<p>Ainda assim, especialistas dizem que n\u00e3o h\u00e1 estudos que comprovam um efeito muito significativo, e apontam que, al\u00e9m de caro, n\u00e3o \u00e9 produzido no Brasil. Um tratamento \u00e0 base de remdesivir utiliza seis doses, em m\u00e9dia, e custar\u00e1 oficialmente quase US$ 3.200 (cerca de R$ 17 mil).<\/p>\n<div id=\"pub-materia-8\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\"><\/div>\n<p>Ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o de um estudo que envolveu 1.063 pacientes com quadro moderado a cr\u00edtico em diferentes pa\u00edses, um editorial do New England Journal of Medicine classificou os resultados como &#8220;relativamente modestos&#8221;. O principal deles foi uma diminui\u00e7\u00e3o no tempo para recupera\u00e7\u00e3o dos doentes, de 11 dias entre aqueles que receberam o remdesivir na veia e 15 o placebo. Tamb\u00e9m foi constatado menor percentual de mortalidade entre aqueles que receberam o remdesivir (7,1%) do que os que tomaram o placebo (11,9%), mas essa diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 considerada estatisticamente relevante.<\/p>\n<p>O grande destaque \u00e9 o corticoide dexametasona, que reduz a mortalidade de pacientes de covid-19 em ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica, e que s\u00f3 deve ser usada com acompanhamento m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Em junho, pesquisadores da Universidade Oxford, no Reino Unido, anunciaram o resultado de um estudo que mostrou que as taxas de mortalidade dos pacientes graves e submetidos \u00e0 ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica que tomaram o medicamento foram reduzidas em um ter\u00e7o. A mortalidade dos que n\u00e3o estavam em respiradores, mas recebiam oxig\u00eanio suplementar foi reduzida em um quinto. E n\u00e3o houve benef\u00edcios para pacientes que n\u00e3o precisavam de ajuda para respirar.<\/p>\n<p>O ensaio faz parte do estudo cl\u00ednico rand\u00f4mico Recovery, que investiga seis potenciais tratamentos contra a covid em mais de 11 mil pacientes.<\/p>\n<div id=\"pub-materia-9\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\"><\/div>\n<p>Bittencourt alerta que o medicamento &#8220;n\u00e3o \u00e9 para qualquer caso&#8221;, mas que, para quem est\u00e1 na indica\u00e7\u00e3o, &#8220;o benef\u00edcio \u00e9 substancial&#8221;. &#8220;\u00c9 a \u00fanica medica\u00e7\u00e3o que realmente tem documenta\u00e7\u00e3o clara, indiscut\u00edvel, de benef\u00edcio&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Sztajnbok destaca tamb\u00e9m o uso de anticoagulantes na terapia intensiva. &#8220;Antes da covid, a gente j\u00e1 usava em doses preventivas, para pacientes acamados. E nos pacientes com covid \u00e0s vezes n\u00e3o era suficiente para evitar fen\u00f4menos tromb\u00f3ticos, a\u00ed passamos a doses mais altas nesses pacientes, e isso teve impacto inicial em mortalidade. J\u00e1 foi um divisor de \u00e1guas.&#8221;<\/p>\n<p>Ele reflete que, at\u00e9 agora, os rem\u00e9dios que mais fizeram diferen\u00e7a na vida dos pacientes s\u00e3o baratos e aos quais os hospitais j\u00e1 tinham acesso. &#8220;O curioso \u00e9 que isso n\u00e3o gera tanto impacto. Todo mundo quer uma droga que mate o v\u00edrus, como se isso fosse o principal&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;A a\u00e7\u00e3o direta do v\u00edrus pode ter potencial lesivo, mas a inflama\u00e7\u00e3o \u00e0 qual ele se associa e os fen\u00f4menos tromb\u00f3ticos t\u00eam um impacto na mortalidade muito grande e, para um e para outro, encontramos caminhos terap\u00eauticos que modulam muito bem essa resposta. E isso realmente teve impacto na mortalidade. O desfecho do v\u00edrus \u00e9 o sistema imunol\u00f3gico do organismo que tem feito sua li\u00e7\u00e3o de casa, enquanto a gente mant\u00e9m o paciente vivo.&#8221;<\/p>\n<div id=\"pub-materia-10\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\"><\/div>\n<p><strong>4. A equipe<\/strong><br \/>\nAssim como os outros m\u00e9dicos entrevistados, Lotufo destaca a import\u00e2ncia da quantidade e da qualidade dos profissionais de sa\u00fade como fator essencial no combate \u00e0 covid-19.<\/p>\n<p>&#8220;O que aconteceu de mar\u00e7o pra c\u00e1 \u00e9 que houve uma melhoria da qualidade. \u00c9 a famosa curva de aprendizado. Acontece em todos os lugares e o determinante dela nunca \u00e9 o medicamento, na maior parte das vezes. \u00c9 quando as equipes se afinam, se acertam. O tratamento de pacientes cr\u00edticos, ele \u00e9 mais determinante da qualidade e quantidade de pessoal. Claro que precisa ter bons equipamentos, mas o ventilador n\u00e3o ventila sozinho. \u00c9 isso que aconteceu. Tivemos melhoria dessa qualidade.&#8221;<\/p>\n<p>Novas pesquisas sobre o tratamento do coronav\u00edrus continuam sendo divulgadas todos os dias, com novas possibilidades. E, embora haja diretrizes para o tratamento da doen\u00e7a, os m\u00e9dicos t\u00eam autonomia para indicar o procedimento adequado ao paciente. O que o m\u00e9dico n\u00e3o pode \u00e9, segundo o C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica, &#8220;deixar de usar todos os meios dispon\u00edveis de promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade e de preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e tratamento de doen\u00e7as, cientificamente reconhecidos e a seu alcance, em favor do paciente&#8221;.<\/p>\n<p>No momento em que todo mundo deposita as expectativas numa vacina contra a covid-19, Bittencourt lembra que, do ponto de vista de sa\u00fade p\u00fablica, confiar num recurso n\u00e3o dispon\u00edvel \u00e9 uma m\u00e1 estrat\u00e9gia. &#8220;N\u00e3o tem como deixar de tomar atitudes hoje por algo que pode acontecer no futuro.&#8221;<\/p>\n<div id=\"pub-materia-11\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\"><\/div>\n<p>&#8220;Falta as pessoas entenderem que uma doen\u00e7a epid\u00eamica desse jeito \u00e9 uma doen\u00e7a da comunidade, n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a de pessoas. Ou a gente aprende isso, ou n\u00e3o acaba&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;O problema \u00e9 nosso, no sentido mais amplo poss\u00edvel. Ou a gente age junto, ou erra junto, ou morre junto. Quem tem mais recursos sempre tem mais acessos, mas tem muita gente mais rica e mais educada morrendo tamb\u00e9m. Se a gente age como indiv\u00edduo, que acha que \u00e9 mais importante do que o grupo, n\u00e3o tem como dar certo.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da primeira morte por covid-19 no Brasil, em mar\u00e7o, at\u00e9 o pa\u00eds se aproximar de 100 mil vidas perdidas, o que a comunidade m\u00e9dica aprendeu sobre o tratamento dessa doen\u00e7a? 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