{"id":5718,"date":"2020-06-11T18:55:33","date_gmt":"2020-06-11T21:55:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=5718"},"modified":"2020-06-11T18:55:33","modified_gmt":"2020-06-11T21:55:33","slug":"enfermeiras-as-heroinas-sem-capa-que-combatem-o-coronavirus-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/enfermeiras-as-heroinas-sem-capa-que-combatem-o-coronavirus-no-brasil\/","title":{"rendered":"Enfermeiras: as &#8216;hero\u00ednas sem capa&#8217; que combatem o coronav\u00edrus no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<p>Longos plant\u00f5es, sal\u00e1rios baixos e press\u00e3o psicol\u00f3gica por medo de levar o coronav\u00edrus para casa: esta \u00e9 a rotina de enfermeiras e enfermeiros no Brasil, onde 181 profissionais morreram na linha de frente contra a pandemia.<\/p>\n<p>Hans Bossan \u00e9 um dos mais de 18.000 casos de COVID-19 reportados entre trabalhadores da \u00e1rea.<\/p>\n<\/div>\n<p>&#8220;A gente \u00e9 muito desvalorizado pela realidade que n\u00f3s vivemos. \u00c9 a enfermagem que est\u00e1 de frente direto com o paciente, com o v\u00edrus, nessa zona de guerra. E nem todo mundo sempre v\u00ea dessa forma&#8221;, explica \u00e0 AFP em sua casa em S\u00e3o Gon\u00e7alo, munic\u00edpio da regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro, onde mora com a esposa e a filha de dois anos.<\/p>\n<p>Falta pouco para come\u00e7ar uma semana de trabalho de 72 horas &#8211; em dois hospitais e em uma emerg\u00eancia m\u00f3vel do SAMU -, que o mant\u00e9m longe de casa de quarta a domingo, com curtos intervalos para descansar e se alimentar.<\/p>\n<p>&#8220;A enfermagem sempre foi sobrecarregada. E com essa pandemia a gente est\u00e1 duplamente carregado&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>Assintom\u00e1tico, Hans foi diagnosticado com a COVID-19 durante uma rodada de exames. Cumpriu 15 dias de isolamento em casa e depois se reintegrou. Presume que a sobrecarga de trabalho prejudicou suas defesas.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje eu fa\u00e7o plant\u00f5es atr\u00e1s de plant\u00f5es para poder suprir as necessidades dos hospitais [substituindo colegas doentes] e sustentar minha fam\u00edlia. N\u00e3o consigo sustentar minha fam\u00edlia com um emprego, eu sempre trabalhei em dois, hoje estou em tr\u00eas&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>&#8211; Momento de &#8220;ang\u00fastia&#8221; e &#8220;depress\u00e3o&#8221; &#8211;<\/p>\n<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<div class=\"w50 right ml1\">\n<figure style=\"width: 573px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w100\" src=\"https:\/\/www.afp.com\/sites\/default\/files\/nfs\/diff-intra\/portugues\/jornal\/america-latina\/eb2c3e3d4a3070436fd00301b2bbb58849094e99.jpg\" alt=\"\" width=\"573\" height=\"381\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">O enfermeiro Hans Bossan coloca seu EPI para entrar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital P\u00fablico Doutor Ernesto Che Guevara, onde pacientes infectados com COVID-19 s\u00e3o tratados, em Maric\u00e1, em 6 de junho de 2020. Foto:AFP \/ Mauro Pimentel<\/figcaption><\/figure>\n<p><span class=\"copyright_under\"><br \/>\n<\/span><\/div>\n<p>Segundo o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), o sal\u00e1rio m\u00e9dio da categoria (enfermeiros, t\u00e9cnicos e auxiliares de enfermagem) \u00e9 de R$ 3.000 para uma carga hor\u00e1ria de 30 a 44 horas por semana.<\/p>\n<p>A entidade reivindica h\u00e1 anos um piso salarial de R$ 6.000.<\/p>\n<\/div>\n<p>Os enfermeiros &#8220;vivem este momento com muita ang\u00fastia e depress\u00e3o&#8221;, diz \u00e0 AFP Nadia Mattos, vice-presidente do Cofen, que montou um servi\u00e7o virtual de aten\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica 24 horas.<\/p>\n<p>Os profissionais da sa\u00fade enfrentaram a primeira enxurrada de casos com falta de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual (EPI) e treinamento adequados, critica Mattos.<\/p>\n<p>Embora a situa\u00e7\u00e3o tenha melhorado, &#8220;ainda temos muita den\u00fancia de falta de EPI e, principalmente, da baixa qualidade, que n\u00e3o garante a prote\u00e7\u00e3o desse profissional&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Dos 2,3 milh\u00f5es de enfermeiros registrados no Brasil, mais de 80% s\u00e3o mulheres.<\/p>\n<p>Isto implica em que, depois de jornadas duplas ou triplas, muitas voltam para casa para se ocupar dos pr\u00f3prios familiares, com a preocupa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o transmitir o v\u00edrus para eles.<\/p>\n<p>Segundo o Conselho Internacional de Enfermeiras, sediado em Genebra, mais de 600 profissionais morreram em todo o mundo v\u00edtimas do novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Dos 181 falecidos no Brasil, 39 trabalhavam no estado de S\u00e3o Paulo e 36 no Rio de Janeiro. Dois eram colegas pr\u00f3ximos de Hans.<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;O amor levanta a gente&#8221; &#8211;<\/p>\n<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<div class=\"w50 left mr1\">\n<figure style=\"width: 572px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w100\" src=\"https:\/\/www.afp.com\/sites\/default\/files\/nfs\/diff-intra\/portugues\/jornal\/america-latina\/1ed3060f3cda1e055d5abbad6d431360d4ddc3f7.jpg\" alt=\"\" width=\"572\" height=\"381\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Amanda, Claudia, Hans Bossan, Tatiana e Erika, equipe de enfermagem. Foto: AFP \/ Mauro Pimentel<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u00c9 sexta-feira e depois do almo\u00e7o, Hans volta ao Centro de Terapia Intensiva do Hospital Municipal Ernesto Che Guevara, em Maric\u00e1 (a 60 km do Rio de Janeiro), unidade p\u00fablica de excel\u00eancia inaugurada em 1\u00ba de maio.<\/p>\n<p>Ele j\u00e1 acumula mais de 40 horas em tr\u00eas plant\u00f5es diferentes, mas n\u00e3o aparenta cansa\u00e7o.<\/p>\n<\/div>\n<p>Antes de entrar na sala, se paramenta com um kit de m\u00e1scara, luvas, t\u00fanica, gorro cir\u00fargico e escudo facial. Move-se com agilidade para checar o estado dos pacientes, vigiando monitores que emitem apitos constantes no ambiente.<\/p>\n<p>Aqui n\u00e3o faltam recursos. Quatro m\u00e9dicos e pelo menos cinco enfermeiros cuidam de uma dezena de pacientes com insufici\u00eancia respirat\u00f3ria, um dos sintomas do novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Alguns est\u00e3o entubados e sedados. Outros, como Eliane Lima, est\u00e3o acordados.<\/p>\n<p>&#8220;Todos os m\u00e9dicos e enfermeiros s\u00e3o excelentes. Cuidam de n\u00f3s com amor, n\u00e3o \u00e9 pouco amor n\u00e3o. \u00c9 muito amor. O amor levanta a gente, o carinho levanta a gente&#8221;, conta \u00e0 AFP esta mulher de 56 anos que respira com ajuda de uma m\u00e1scara de oxig\u00eanio.<\/p>\n<p>Na ala de cuidados semi-intensivos, a t\u00e9cnica de Enfermagem Flavia Menezes lamenta a perda de v\u00e1rios colegas e defende mais reconhecimento &#8211; salarial e simb\u00f3lico &#8211; para a profiss\u00e3o, que ela define como &#8220;a arte de cuidar&#8221;.<\/p>\n<p>Com orgulho, repete a frase que mandou estampar em uma camiseta: &#8220;Nem toda hero\u00edna veste capa&#8221;.<\/p>\n<p>AFP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Longos plant\u00f5es, sal\u00e1rios baixos e press\u00e3o psicol\u00f3gica por medo de levar o coronav\u00edrus para casa: esta \u00e9 a rotina de enfermeiras e enfermeiros no Brasil, onde 181 profissionais morreram na linha de frente contra a pandemia. 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