{"id":5693,"date":"2020-06-04T20:15:34","date_gmt":"2020-06-04T23:15:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=5693"},"modified":"2020-06-04T19:48:11","modified_gmt":"2020-06-04T22:48:11","slug":"ex-numero-2-de-mandetta-diz-que-pandemia-ainda-nao-comecou-em-areas-do-sul-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/ex-numero-2-de-mandetta-diz-que-pandemia-ainda-nao-comecou-em-areas-do-sul-do-pais\/","title":{"rendered":"Ex-n\u00famero 2 de Mandetta diz que pandemia &#8216;ainda n\u00e3o come\u00e7ou&#8217; em \u00e1reas do sul do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<p>O ex-secret\u00e1rio-executivo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Jo\u00e3o Gabbardo, afirma que a pandemia do novo coronav\u00edrus &#8220;ainda n\u00e3o come\u00e7ou&#8221; em regi\u00f5es do sul do Brasil, onde a rede hospitalar poderia ser posta \u00e0 prova nas pr\u00f3ximas semanas.<\/p>\n<p>Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paran\u00e1 figuram na lista dos estados brasileiros com menos casos proporcionalmente e t\u00eam menos de 30 \u00f3bitos por milh\u00e3o de habitantes. Comparativamente, Bel\u00e9m, a capital do Par\u00e1, lidera a lista com 900 mortes por milh\u00e3o de habitantes.<\/p>\n<\/div>\n<p>Em entrevista com AFP, Gabbardo, de 64 anos, explicou que \u00e9 muito dif\u00edcil estabelecer uma curva \u00fanica para o pa\u00eds, que j\u00e1 conta com mais de 550.000 casos e 31.000 mortes de COVID-19, e que poderia seguir um padr\u00e3o similar ao da It\u00e1lia, onde a pandemia atingiu com mais for\u00e7a a regi\u00e3o norte.<\/p>\n<p>Agora membro do Centro de Conting\u00eancia do combate ao coronav\u00edrus em S\u00e3o Paulo, o m\u00e9dico ga\u00facho destacou que a gest\u00e3o junto ao ex-ministro Luiz Henrique Mandetta foi caraterizada pelo apego \u00e0 ci\u00eancia e pela transpar\u00eancia.<\/p>\n<p>Pergunta: Em que ponto da curva est\u00e1 o Brasil?<\/p>\n<p>Resposta: A gente tem dito que n\u00e3o temos uma curva no pa\u00eds. O Brasil \u00e9 muito grande e tem muitas diferen\u00e7as por estados, n\u00f3s temos v\u00e1rias curvas. Temos locais no sul do pa\u00eds onde n\u00e3o come\u00e7ou a epidemia. Tem locais como Manaus, Bel\u00e9m, Fortaleza, em que j\u00e1 passou o pico, alguns j\u00e1 est\u00e3o na fase de plat\u00f4 e alguns est\u00e3o na fase descendente. N\u00f3s entendemos que S\u00e3o Paulo se encontra pr\u00f3ximo desse plat\u00f4, quem sabe j\u00e1 tenha atingido esse plat\u00f4, teremos certeza disso nas pr\u00f3ximas semanas, mas estamos longe de pensarmos que estamos numa curva descendente.<\/p>\n<p>Pergunta: A cidade de S\u00e3o Paulo estar\u00e1 atingindo, ent\u00e3o, o pico nos pr\u00f3ximas semanas?<\/p>\n<p>Resposta: Acredito que sim pelos dados que a gente tem. N\u00e3o significa que n\u00e3o esteja aumentando, mas que est\u00e1 aumentando numa velocidade menor (&#8230;) Com a exce\u00e7\u00e3o dos casos novos, eles v\u00e3o continuar aumentando e muito, porque estamos testando muito mais, antes est\u00e1vamos testando apenas os casos graves. Hoje estamos testando os pacientes leves, tanto pessoas que est\u00e3o doentes com poucos sintomas como de quem teve a doen\u00e7a tempos atr\u00e1s. Isso vai elevar consideravelmente a informa\u00e7\u00e3o sobre novos casos. Esse aumento de n\u00famero de casos n\u00e3o necessariamente \u00e9 o aumento da transmissibilidade.<\/p>\n<p>Pergunta: Devemos esperar uma diminui\u00e7\u00e3o no n\u00famero de \u00f3bitos em S\u00e3o Paulo?<\/p>\n<p>Resposta: A gente espera que haja [uma diminui\u00e7\u00e3o] para caraterizar essa redu\u00e7\u00e3o na epidemia e na velocidade de crescimento. Diminuir a velocidade significa que quando comparo uma semana com a outra, o n\u00famero de \u00f3bitos deve ser menor do que o da semana anterior.<\/p>\n<p>Pergunta: Qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o no sul do pa\u00eds?<\/p>\n<p>Resposta: No sul do pa\u00eds o teste sorol\u00f3gico que foi feito mostra que menos de 1% apresentam anticorpos, 99% da popula\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul ainda n\u00e3o teve contato com o v\u00edrus. Podem acontecer duas coisas: pode acontecer como na It\u00e1lia, que teve um n\u00famero muito grande de \u00f3bitos no norte e n\u00e3o no sul. A distribui\u00e7\u00e3o da pandemia n\u00e3o \u00e9 muito homog\u00eanea. Mas temos muito receio porque historicamente no Rio Grande do Sul e na Santa Catarina as pr\u00f3ximas 4 semanas \u00e9 o per\u00edodo em que todos anos h\u00e1 um volume muito maior de doen\u00e7as respirat\u00f3rias por conta do inverno. Se isso acontecer junto com o aumento dos casos de COVID-19 pode ser uma press\u00e3o muito alta para que os estados possam garantir todo o atendimento. Agora, a regi\u00e3o sul tem historicamente melhor oferta de leitos, bons hospitais, e pode ser que enfrente isso n\u00e3o com tanta dificuldade quanto os estados da regi\u00e3o norte.<\/p>\n<p>Pergunta: Qual \u00e9 o epicentro da pandemia no Brasil atualmente?<\/p>\n<p>Resposta: Norte do pa\u00eds. Hoje os quatro estados que t\u00eam o maior n\u00famero de casos confirmados relacionados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o em n\u00famero absolutos, s\u00e3o o Amap\u00e1, Amazonas, Acre e Roraima. Se n\u00f3s pegarmos os \u00f3bitos com exce\u00e7\u00e3o do Cear\u00e1, que \u00e9 o segundo, dos tr\u00eas estados, Amazonas e Par\u00e1 s\u00e3o da regi\u00e3o norte.<\/p>\n<p>Pergunta: A reabertura n\u00e3o \u00e9 prematura?<\/p>\n<p>Resposta: Temos locais nos quais j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel, com controle, pelos indicadores, dar tratamentos diferentes para cen\u00e1rios epidemiol\u00f3gicos diferentes. \u00c9 isso que a gente preconiza, n\u00e3o \u00e9 flexibiliza\u00e7\u00e3o. N\u00f3s temos cen\u00e1rios que permitem que haja uma redu\u00e7\u00e3o nas medidas de isolamento e tem locais que a gente vai preconizar que sejam ainda mais intensas as medidas de isolamento.<\/p>\n<p>Pergunta: O senhor poderia fazer uma an\u00e1lise da gest\u00e3o feita no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade?<\/p>\n<p>Resposta: Acho que n\u00f3s trabalhamos no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade sempre muito sincronizados com as orienta\u00e7\u00f5es da OMS e sempre muito baseados nas evid\u00eancias cient\u00edficas. Desde o primeiro momento, montamos um comit\u00ea de combate \u00e0 crise com especialistas de todas \u00e1reas e sempre ouvimos esse comit\u00ea para todas as medidas que foram tomadas. N\u00e3o eram medidas que sa\u00edam do que o ministro pensava ou do que o secret\u00e1rio-executivo pensava (&#8230;) E a outra carater\u00edstica era a da transpar\u00eancia. Desde o princ\u00edpio, optamos em informar diariamente o pa\u00eds de tudo o que estava acontecendo, desde o primeiro caso, desde o primeiro \u00f3bito. Passamos a dar coletivas di\u00e1rias, fizemos isso da forma mais transparente poss\u00edvel, todos tinham as informa\u00e7\u00f5es, todos sabiam o que estava acontecendo.<\/p>\n<p>Pergunta: O senhor v\u00ea alguma mudan\u00e7a na pol\u00edtica comunicacional do Minist\u00e9rio?<\/p>\n<p>Resposta: Eu n\u00e3o gostaria de fazer coment\u00e1rios sobre a atua\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio. Acho que \u00e9 um momento muito dif\u00edcil e a gente tem que estar junto, tentando achar solu\u00e7\u00f5es para combater a epidemia, reduzir o n\u00famero de \u00f3bitos. Essa polariza\u00e7\u00e3o, acho que para esse processo que estamos vivenciando agora, n\u00e3o \u00e9 o melhor.<\/p>\n<p>AFP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ex-secret\u00e1rio-executivo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Jo\u00e3o Gabbardo, afirma que a pandemia do novo coronav\u00edrus &#8220;ainda n\u00e3o come\u00e7ou&#8221; em regi\u00f5es do sul do Brasil, onde a rede hospitalar poderia ser posta \u00e0 prova nas pr\u00f3ximas semanas. 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