{"id":5674,"date":"2020-06-02T17:20:29","date_gmt":"2020-06-02T20:20:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=5674"},"modified":"2020-06-02T16:21:04","modified_gmt":"2020-06-02T19:21:04","slug":"equador-onde-pandemia-e-desinformacao-viajaram-de-maos-dadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/equador-onde-pandemia-e-desinformacao-viajaram-de-maos-dadas\/","title":{"rendered":"Equador, onde pandemia e desinforma\u00e7\u00e3o viajaram de m\u00e3os dadas"},"content":{"rendered":"<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<p>Assim como o novo coronav\u00edrus, a desinforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m perdeu o controle no Equador, com &#8220;fake news&#8221; que iam do lan\u00e7amento de corpos no mar, descoberta de mortos nas praias, \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios &#8220;milagrosos&#8221; &#8211; \u00e0s vezes perigosos &#8211; contra a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Em 25 de janeiro, v\u00eddeos sobre a suposta origem da doen\u00e7a j\u00e1 circulavam nas redes sociais. Eram imagens de um mercado de animais vivos, mas n\u00e3o haviam sido gravadas em Wuhan, China, e sim a mais de 3.200 quil\u00f4metros, na Indon\u00e9sia.<\/p>\n<\/div>\n<p>Quando a China registrava quase 80.000 casos e cerca de 250 mortes, em 29 de fevereiro, o Equador relatava o primeiro cont\u00e1gio, o Brasil ostentava apenas um caso, e o M\u00e9xico, tr\u00eas. Na Col\u00f4mbia e na Argentina, o v\u00edrus ainda era assunto de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Um m\u00eas depois, o Equador contabilizava 2.748 casos, tr\u00eas vezes mais do que a Argentina, para uma popula\u00e7\u00e3o inversamente proporcional. Os servi\u00e7os de sa\u00fade entraram em colapso, e a desinforma\u00e7\u00e3o se espalhou livremente, com consequ\u00eancias tang\u00edveis para os equatorianos.<\/p>\n<p>&#8211; Pico de desinforma\u00e7\u00e3o &#8211;<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o comprem peixe! Mortos por coronav\u00edrus s\u00e3o lan\u00e7ados no mar no Equador e no Peru&#8221;, dizia a legenda de dois v\u00eddeos compartilhados milhares de vezes nas redes sociais.<\/p>\n<p>Um deles mostrava, na realidade, corpos de migrantes em uma praia l\u00edbia, em 2014, e o outro, o translado em uma embarca\u00e7\u00e3o de um falecido, cujo corpo havia sido jogado ao mar, relataram seus familiares \u00e0 AFP.<\/p>\n<p>&#8220;Sou comerciante de frutos do mar. Isso afetou minhas vendas, devido \u00e0s mentiras, ou grava\u00e7\u00f5es falsas, que foram feitas&#8221;, contou por WhatsApp \u00e0 AFP Factual um usu\u00e1rio do Equador.<\/p>\n<p>A r\u00e1pida expans\u00e3o de casos no pa\u00eds gerou incerteza sobre o paradeiro final dos corpos.<\/p>\n<p>Circularam suspeitas de fossas comuns, com fotos de t\u00famulos cavados em descampados &#8211; imagens freneticamente compartilhadas nas redes. Do material verificado pela AFP Factual, por\u00e9m, uma foto havia sido tirada no M\u00e9xico, em 2018, e a outra, no Equador, mas em 2016, sem qualquer v\u00ednculo com a atual pandemia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Facebook, o governo identificou cerca de 25 grupos com aproximadamente 4.000 usu\u00e1rios cada, no Telegram e no WhatsApp, cruciais na dissemina\u00e7\u00e3o da desinforma\u00e7\u00e3o com \u00e1udios falsos. A entidade diz ter &#8220;desmentido mais de 300 publica\u00e7\u00f5es desde mar\u00e7o&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo dados da rede internacional de Fact-Checking (IFCN, em sua sigla em ingl\u00eas), &#8220;as duas categorias de informa\u00e7\u00f5es falsas que mais chamam a aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o sobre &#8216;autoridades&#8217; &#8211; ou seja, desinforma\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter pol\u00edtico -, com 230, e as curas falsas, com 181 casos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211; Rem\u00e9dios milagrosos (ou mortais) &#8211;<\/p>\n<p>Como em outras regi\u00f5es, surgiram receitas caseiras para curar a doen\u00e7a: tomar \u00e1gua morna &#8220;a cada 10 minutos&#8221;, alho, gengibre, mel, fazer gargarejos de sal, ou de bicarbonato, entre outros.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo o presidente da Venezuela, Nicol\u00e1s Maduro, publicou em mar\u00e7o uma receita para esses fins, a qual o Twitter se encarregou de apagar.<\/p>\n<p>Autoridades de sa\u00fade e especialistas concordam: no melhor dos cen\u00e1rios, esses ingredientes apenas aliviam sintomas, mas n\u00e3o curam o novo coronav\u00edrus, nem impedem seu cont\u00e1gio. E tamb\u00e9m alertam: ingerir alguns destes produtos em grandes quantidades pode ser prejudicial \u00e0 sa\u00fade e at\u00e9 fatal.<\/p>\n<p>Hoje, Peru, M\u00e9xico e principalmente o Brasil tiraram o Equador do protagonismo que teve no in\u00edcio da crise, que atualmente apresenta cerca de 40.000 casos e 3.400 mortos \u2013 em contraste com o meio milh\u00e3o de casos e quase 30.000 mortos do Brasil.<\/p>\n<p>AFP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assim como o novo coronav\u00edrus, a desinforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m perdeu o controle no Equador, com &#8220;fake news&#8221; que iam do lan\u00e7amento de corpos no mar, descoberta de mortos nas praias, \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios &#8220;milagrosos&#8221; &#8211; \u00e0s vezes perigosos &#8211; contra a doen\u00e7a. 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