{"id":5623,"date":"2020-05-23T19:34:27","date_gmt":"2020-05-23T22:34:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=5623"},"modified":"2020-05-23T19:34:27","modified_gmt":"2020-05-23T22:34:27","slug":"a-dupla-batalha-do-prefeito-de-sao-paulo-contra-o-cancer-e-o-coronavirus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/a-dupla-batalha-do-prefeito-de-sao-paulo-contra-o-cancer-e-o-coronavirus\/","title":{"rendered":"A dupla batalha do prefeito de S\u00e3o Paulo: contra o c\u00e2ncer e o coronav\u00edrus"},"content":{"rendered":"<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<p>O prefeito de S\u00e3o Paulo, Bruno Covas, de 40 anos, enfrenta dois combates: contra um c\u00e2ncer e contra a pandemia do novo coronav\u00edrus, que castiga duramente a capital econ\u00f4mica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Do seu gabinete, onde instalou sua cama e uma mesa de cabeceira para evitar deslocamentos em raz\u00e3o do seu estado de sa\u00fade, Covas declara estar 24 horas dispon\u00edvel para atender a crise que ocorre na capital que governa, com uma popula\u00e7\u00e3o de 12,2 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<\/div>\n<p>Foi diagnosticado com c\u00e2ncer no ano passado. Dois tumores, na c\u00e1rdia e f\u00edgado, desapareceram com quimioterapia. Para o terceiro, nos g\u00e2nglios linf\u00e1ticos, come\u00e7ou a ser tratado com imunoterapia em 26 de fevereiro, quando S\u00e3o Paulo registrava o primeiro caso da COVID-19 no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o cogitei sair (da prefeitura) porque em nenhum momento os m\u00e9dicos apontaram a necessidade disso&#8221;, disse Covas em entrevista \u00e0 AFP em uma das salas situadas na sede do governo.<\/p>\n<p>Sua magreza, a aus\u00eancia de cabelos que come\u00e7am a crescer e a palidez de sua face retratam sua luta pessoal contra o c\u00e2ncer. Vestido de preto e com uma m\u00e1scara facial bem ajustada, ele responde \u00e0 entrevista de forma sucinta e concreta.<\/p>\n<p>Reconhece sua frustra\u00e7\u00e3o com a relut\u00e2ncia dos paulistanos em respeitar as medidas de confinamento, apesar do novo coronav\u00edrus j\u00e1 ter deixado mais de 4.000 mortos em sua cidade, de um total de mais de 21.000 no pa\u00eds, al\u00e9m de mais de 40.000 casos de cont\u00e1gio (330.890 nacionalmente).<\/p>\n<p>&#8220;Mas ao mesmo tempo \u00e9 gratificante falar que 6 milh\u00f5es de pessoas respeitam (as medidas de confinamento)&#8221;, afirma Covas, em men\u00e7\u00e3o \u00e0s estimativas de um \u00edndice de isolamento de 50% em todo o pa\u00eds, desde a quarentena iniciada no \u00faltimo 24 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>O maior desafio \u00e9 convencer a popula\u00e7\u00e3o da necessidade de isolamento, opina.<\/p>\n<p>&#8220;A gente est\u00e1 h\u00e1 praticamente dois meses de quarentena, cada dia que passa \u00e9 um dia de sacrif\u00edcio extra que solicitamos&#8221;, ressalta.<\/p>\n<p>No entanto, Covas considera &#8220;invi\u00e1vel&#8221; decretar confinamento total na capital do estado mais rico e populoso do pa\u00eds, sem se alinhar com outras autoridades locais e estaduais, j\u00e1 que S\u00e3o Paulo \u00e9 &#8220;uma cidade t\u00e3o conectada com munic\u00edpios vizinhos&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar da situa\u00e7\u00e3o, o prefeito afirma que a cidade &#8220;tem passado essa crise numa situa\u00e7\u00e3o melhor do que outras grandes capitais&#8221;.<\/p>\n<p>Uma de suas prioridades \u00e9 garantir aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica a todos os paulistanos, algo que ele afirma ter conseguido at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Mas o sistema de sa\u00fade est\u00e1 chegando ao limite, com 88% de ocupa\u00e7\u00e3o de unidades de terapia intensiva na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, segundo dados oficiais.<\/p>\n<p>Covas destaca a busca por alternativas para expandir a estrutura hospitalar. A prefeitura abriu dois hospitais de campanha para pacientes com COVID-19.<\/p>\n<p>No momento, busca um acordo com os maiores hospitais privados para disponibilizar mais espa\u00e7os.<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;Muito prejudicial&#8221; &#8211;<\/p>\n<p>O gabinete do prefeito funciona no imponente e central Edif\u00edcio Matarazzo, com quinze andares, cercado de uma variedade de \u00e1rvores e plantas, onde Covas passa a maior parte do tempo e onde recebe seu filho de 14 anos, cuja m\u00e3e \u00e9 divorciada dele.<\/p>\n<p>Ele sai apenas para ir a hospitais ou se reunir com autoridades, como Jo\u00e3o Doria, governador de S\u00e3o Paulo, com quem est\u00e1 alinhado.<\/p>\n<p>Formado em Direito, o neto de Mario Covas (1930-2001), um dos pol\u00edticos mais influentes do Brasil, iniciou sua carreira cedo. Em 2006, venceu sua primeira elei\u00e7\u00e3o, como deputado de S\u00e3o Paulo pelo PSDB.<\/p>\n<p>No conturbado Brasil contempor\u00e2neo, Covas, que se declara de centro, diz estar preocupado com os efeitos do discurso de Bolsonaro.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil perde muitas oportunidades (&#8230;) Voc\u00ea v\u00ea um presidente que n\u00e3o est\u00e1 preocupado com o protocolo m\u00e9dico, mas que quer um decreto sobre o uso da cloroquina, e isso acaba sendo muito prejudicial&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Os grupos de apoiadores de Bolsonaro percorrem as ruas com carreatas desde o in\u00edcio da pandemia, desafiando as recomenda\u00e7\u00f5es das autoridades regionais e municipais.<\/p>\n<p>No entanto, Covas afirma que &#8220;A repress\u00e3o n\u00e3o cabe. A cidade de S\u00e3o Paulo \u00e9 s\u00edmbolo da democracia no pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p>E ele questiona a politiza\u00e7\u00e3o da luta contra a pandemia, afirmando que &#8220;o v\u00edrus n\u00e3o \u00e9 de esquerda ou direta, o v\u00edrus \u00e9 uma realidade cient\u00edfica que precisa ser enfrentada&#8221;.<\/p>\n<p>AFP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O prefeito de S\u00e3o Paulo, Bruno Covas, de 40 anos, enfrenta dois combates: contra um c\u00e2ncer e contra a pandemia do novo coronav\u00edrus, que castiga duramente a capital econ\u00f4mica do pa\u00eds. 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