{"id":5239,"date":"2020-02-07T14:59:39","date_gmt":"2020-02-07T17:59:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=5239"},"modified":"2020-02-07T14:59:39","modified_gmt":"2020-02-07T17:59:39","slug":"em-pleno-auge-cinema-brasileiro-teme-os-efeitos-da-guerra-cultural-de-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/em-pleno-auge-cinema-brasileiro-teme-os-efeitos-da-guerra-cultural-de-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Em pleno auge, cinema brasileiro teme os efeitos da &#8220;guerra cultural&#8221; de Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<p>Pr\u00eamios em Cannes, indica\u00e7\u00f5es ao Oscar e \u00e0 Berlinale: o cinema brasileiro vive um ciclo de esplendor, mas teme um retrocesso pela perda de apoio p\u00fablico sob o governo ultraconservador de Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>Diretores, produtores e profissionais do setor afirmam que a pol\u00edtica cultural atual \u00e9 ideol\u00f3gica e amea\u00e7a uma ind\u00fastria que \u00e9 uma das faces vis\u00edveis do pa\u00eds e mant\u00e9m cerca de 300.000 empregos.<\/p>\n<\/div>\n<p>&#8220;Artisticamente \u00e9 um momento de florescimento. Temos filmes comerciais brasileiros dando muito certo comercialmente e filmes brasileiros de car\u00e1ter mais autoral dando muito certo em festivais tamb\u00e9m&#8221;, afirmou \u00e0 AFP Caetano Gotardo, co-diretor do longa-metragem Todos os Mortos, co-produzido com a Fran\u00e7a e em competi\u00e7\u00e3o na sele\u00e7\u00e3o oficial do pr\u00f3ximo Festival de Berlim, no final de fevereiro.<\/p>\n<p>&#8220;Mas a gente vive um momento de bastante d\u00favida sobre a continuidade dessa produ\u00e7\u00e3o&#8221;, alerta Gotardo.<\/p>\n<p>Seu filme, que retrata a rela\u00e7\u00e3o entre uma fam\u00edlia branca e uma negra no Brasil no final do s\u00e9culo XIX, ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, conseguiu escapar a tempo do per\u00edodo de turbul\u00eancias que enfrentam muitas produ\u00e7\u00f5es ainda em andamento.<\/p>\n<p>O mesmo aconteceu com \u201cA vida invis\u00edvel de Euridice Gusm\u00e3o\u201d, de Karim Ainouz, vencedor do pr\u00eamio Un Certain Regard no \u00faltimo festival de Cannes, e com \u201cBacurau\u201d, de Kleber Mendon\u00e7a Filho, vencedor do Pr\u00eamio do J\u00fari e que foi um sucesso de bilheteria nos cinemas brasileiros.<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;Falta de a\u00e7\u00e3o&#8221; &#8211;<\/p>\n<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<div class=\"w50 right ml1\">\n<figure style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w100\" src=\"https:\/\/www.afp.com\/sites\/default\/files\/nfs\/diff-intra\/portugues\/jornal\/america-latina\/cb807e82ab6ab7f560fabcd79011d6327f76113f.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">O produtor de cinema brasileiro Luiz Carlos Barreto fala durante entrevista \u00e0 AFP no Rio de Janeiro. Foto:AFP \/ MAURO PIMENTELO<\/figcaption><\/figure>\n<p><span class=\"copyright_under\"><br \/>\n<\/span><\/div>\n<p>Nenhuma dessas vit\u00f3rias foi comemorada por Bolsonaro, envolvido junto a seus ministros em uma \u201cguerra cultural\u201d contra o que consideram \u201carte de esquerda\u201d.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as come\u00e7aram com a extin\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura, convertido em uma secretaria do Minist\u00e9rio do Turismo, e continuaram com o corte do patroc\u00ednio de empresas p\u00fablicas para atividades culturais, medida que afetou v\u00e1rios festivais de cinema.<\/p>\n<\/div>\n<p>Bolsonaro afirmou que \u201co Estado tem maiores prioridades\u201d do que financiar a cultura e amea\u00e7ou fechar a Ag\u00eancia Nacional de Cinema (Ancine) se n\u00e3o pudesse estabelecer um \u201cfiltro\u201d de conte\u00fado ao alocar recursos p\u00fablicos para incentivar o setor.<\/p>\n<p>O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), administrado pela Ancine e alimentado principalmente por receitas da pr\u00f3pria ind\u00fastria audiovisual, sofrer\u00e1 em 2020 um corte or\u00e7ament\u00e1rio de mais de 40%.<\/p>\n<p>O cinema brasileiro est\u00e1 \u201cfreado pelas decis\u00f5es erradas\u201d e pela \u201cfalta de a\u00e7\u00e3o\u201d do governo, que \u00e9 \u201ccontra a cultura\u201d, aponta Sara Silveira, produtora de \u201cTodos os mortos\u201d.<\/p>\n<p>Nesta semana, o Minist\u00e9rio da Comunica\u00e7\u00e3o da Presid\u00eancia acusou a diretora Petra Costa de \u201cdifamar a imagem do pa\u00eds\u201d com seu document\u00e1rio \u201cDemocracia em Vertigem\u201d, indicado ao Oscar, que conta sob uma perspectiva de esquerda o processo que levou ao poder o presidente ultradireitista.<\/p>\n<p>Bolsonaro, cujo mandato termina em 2022 e pode ser reeleito, havia dito pouco antes que n\u00e3o perderia tempo assistindo essa \u201cporcaria\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; Momento &#8220;perturbador&#8221; &#8211;<\/p>\n<p>\u201cO momento cultural atual \u00e9 talvez o mais perturbador que j\u00e1 se tenha vivido no processo cultural brasileiro\u201d, declarou \u00e0 AFP Luiz Carlos Barreto, um dos maiores produtores do cinema brasileiro, que viveu o auge do Cinema Novo na d\u00e9cada de 1960 e negociou com a censura da ditadura militar (1964-1985) a autoriza\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00f5es qualificadas \u201csubversivas\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Barreto, de 91 anos, est\u00e1 em curso uma \u201cnova estrat\u00e9gia, um sistema de censura pr\u00e9via\u201d, no qual n\u00e3o se trata mais de \u201creprimir um produto [art\u00edstico], mas de colocar barreiras para que n\u00e3o sejam produzidos\u201d.<\/p>\n<p>Barreto pensa que o principal problema, agravado pelo governo atual, \u00e9 que a cultura no Brasil \u00e9 tratada como um \u201cenfeite\u201d e n\u00e3o como uma ind\u00fastria valiosa.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos lutar e brigar para que a ind\u00fastria da cultura, o que chamamos de \u2018economia criativa\u2019, que engloba muitos outros setores, seja vista de fato como um pilar econ\u00f4mico\u201d, afirmou Ilda Santiago, diretora do Festival de Cinema do Rio, cuja \u00faltima edi\u00e7\u00e3o estava prestes a ser cancelada ap\u00f3s a redu\u00e7\u00e3o do patroc\u00ednio da estatal Petrobras.<\/p>\n<p>O futuro pr\u00f3ximo \u00e9, para muitos, uma inc\u00f3gnita.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a ren\u00fancia do quarto secret\u00e1rio de Cultura \u2013 que parafraseou o ministro da propaganda de Hitler em um discurso \u2013, a esperan\u00e7a mais pragm\u00e1tica \u00e9 de que sua substituta, a atriz Regina Duarte, promova o di\u00e1logo com a classe art\u00edstica e retome os programas que ajudam o setor a avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Apesar de todas as dificuldades, \u201cn\u00e3o vamos parar de produzir [filmes], n\u00e3o vamos parar de fazer o que fazemos\u201d, conclui Ilda Santiago.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>AFP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pr\u00eamios em Cannes, indica\u00e7\u00f5es ao Oscar e \u00e0 Berlinale: o cinema brasileiro vive um ciclo de esplendor, mas teme um retrocesso pela perda de apoio p\u00fablico sob o governo ultraconservador de Jair Bolsonaro. 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