{"id":4981,"date":"2019-12-16T17:13:46","date_gmt":"2019-12-16T20:13:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=4981"},"modified":"2019-12-16T17:13:46","modified_gmt":"2019-12-16T20:13:46","slug":"a-rua-do-desemprego-em-sao-paulo-onde-esperanca-e-desalento-se-encontram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/a-rua-do-desemprego-em-sao-paulo-onde-esperanca-e-desalento-se-encontram\/","title":{"rendered":"A rua do desemprego em S\u00e3o Paulo, onde esperan\u00e7a e desalento se encontram"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Na rua do desemprego no centro de S\u00e3o Paulo, voc\u00ea pode at\u00e9 trope\u00e7ar em uma delas sem querer, a &#8220;caixinha da esperan\u00e7a&#8221; no cal\u00e7ad\u00e3o de pedras portuguesas. Os recipientes de pl\u00e1stico, espalhados pela Bar\u00e3o de Itapetininga, fazem um convite a quem n\u00e3o tem um sal\u00e1rio \u00e0 vista: coloque seu curr\u00edculo aqui.<\/strong><\/p>\n<p>Da\u00ed para frente, surge um fio de possibilidades: um recrutador pode pescar sua ficha, encontrar um servi\u00e7o perfeito para voc\u00ea e, de repente, te chamar para uma entrevista. Nunca se sabe.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que a Bar\u00e3o e suas caixas ofere\u00e7am empregos garantidos, daqueles em que \u00e9 s\u00f3 chegar, assinar uns pap\u00e9is e come\u00e7ar na segunda-feira \u2014 dizem que at\u00e9 j\u00e1 foi assim nos anos 80. Mas o fato \u00e9 que historicamente essa rua \u00e9 uma esp\u00e9cie de Meca para parte dos paulistanos pobres, sem servi\u00e7o e sem grandes qualifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>De um lado os desempregados e, do outro, uma d\u00fazia de ag\u00eancias oferecendo trabalhos que n\u00e3o exigem l\u00e1 muita forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Parte dessas empresas \u00e9 representada pelos chamados plaqueiros, homens e mulheres cuja \u00fanica fun\u00e7\u00e3o \u00e9 ficar sentado no meio da rua, segurando cartazes com an\u00fancios de vagas e recebendo os curr\u00edculos nas caixas de pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>Um deles \u00e9 Jonas Luis dos Santos, de 72 anos, 15 deles como plaqueiro \u2014 ganha R$ 50 por dia. Todos as manh\u00e3s, ele chega na Bar\u00e3o por volta das 7h, compra duas caixas por R$ 0,50 cada uma e coloca panos vermelhos em cima delas, onde est\u00e1 escrito: &#8220;Temos vagas: vendedor, vigilante, porteiro, motorista&#8221;.<\/p>\n<p>Em dias bons, conta, recebe at\u00e9 300 curr\u00edculos (duas c\u00f3pias por pessoa), que depois leva para duas ag\u00eancias por ali. Por\u00e9m, segundo ele, dezembro costuma ser um &#8220;m\u00eas fraco&#8221; \u2014 tem juntado s\u00f3 70 folhas por dia. &#8220;Nessa \u00e9poca do ano, as pessoas n\u00e3o querem trabalhar, n\u00e3o. Povo quer ir para praia, quer namorar&#8221;, diz.<\/p>\n<p>diz.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15858\/production\/_110125188_jonas.jpg\" alt=\"O plaqueiro Jonas Luis dos Santos trabalha h\u00e1 15 anos recebendo curr\u00edculo na rua Bar\u00e3o de Itapetininga\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">O plaqueiro Jonas Luis dos Santos trabalha h\u00e1 15 anos recebendo curr\u00edculo na rua Bar\u00e3o de Itapetininga. Foto: BBC<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas Jonas n\u00e3o fala isso como uma cr\u00edtica aos desempregados, pois ele mesmo sonha com uma aposentadoria mais tranquila, longe do agito do centro paulistano. Para isso, tem jogado na loteria todas as semanas nos \u00faltimos 30 anos. Ainda n\u00e3o est\u00e1 rico, obviamente.<\/p>\n<p>&#8220;Quando eu ganhar, vou comprar uma fazendinha no meio do mato, para ficar na rede o dia inteiro, assando uma carninha na brasa e pedindo a Deus uns dias a mais no meu contrato&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Tanta experi\u00eancia no trato com o desemprego faz ele arriscar um cen\u00e1rio melanc\u00f3lico para quem est\u00e1 na pinda\u00edba: &#8220;Se voc\u00ea tem trabalho e dinheiro, as pessoas se aglomeram perto de voc\u00ea, viram seus amigos. Mas, se voc\u00ea est\u00e1 duro, o povo quer dist\u00e2ncia, atravessa a rua para n\u00e3o ter de pagar um cafezinho pra voc\u00ea.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Falo a verdade desse pa\u00eds&#8217;<\/h2>\n<p>Al\u00e9m de receber curr\u00edculos, os plaqueiros da Bar\u00e3o tamb\u00e9m vendem guias com endere\u00e7os e e-mails de ag\u00eancias de emprego e consultorias de recursos humanos.<\/p>\n<p>Nas folhas de Aldo Braga, 72, por exemplo, h\u00e1 486 contatos de locais de recrutamento pela cidade. &#8220;Todos m\u00eas, atualizo a lista, checo uma por uma. \u00c9 o melhor guia dessa rua&#8221;, diz. Custa R$ 3, mas, se voc\u00ea chorar, ele faz por R$ 2.<\/p>\n<p>Aldo \u00e9 plaqueiro h\u00e1 10 anos, diariamente sentado ao lado de uma banca de jornais. De \u00f3culos Chilli Beans e jaqueta de um couro surrado, ele sempre termina um pensamento fazendo uma pergunta ao interlocutor, como se pedisse uma confirma\u00e7\u00e3o para o que acabou de dizer. &#8220;Costumo falar que desde que me entendi nessa vida, esse pa\u00eds n\u00e3o tem conserto. Voc\u00ea acha que tem conserto?&#8221;, questiona.<\/p>\n<p>&#8220;Tem gente que vem da casa do chap\u00e9u para essa rua, chega aqui morrendo de fome e sem ter o que comer. Quantas vezes n\u00e3o paguei um caf\u00e9 para o povo? Eu falo a verdade desse pa\u00eds, sei o que o povo sofre. Se voc\u00ea trouxer um pol\u00edtico aqui, falo isso na cara dele. E o que voc\u00ea acha que o pol\u00edtico vai fazer se eu disser a verdade? Vai fazer nada. Voc\u00ea acha que ele vai me matar aqui no meio da rua?&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 um m\u00eas, Aldo perdeu sua companheira, que morreu depois de uma cirurgia mal sucedida no SUS, conta. Era seu quinto casamento. Ele tem 13 filhos &#8220;no mundo&#8221;, mas hoje vive sozinho em casa. Na rua, tem a companhia dos desempregados que param para conversar. &#8220;\u00c9 claro que estou triste, amigo. Voc\u00ea acha que se eu estivesse feliz, estaria aqui falando com um rep\u00f3rter h\u00e1 tanto tempo?&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Por que tanto &#8216;n\u00e3o&#8217;?<\/h2>\n<p>\u00c9 na caixa dos curr\u00edculos de Aldo que N\u00edvea Amanaj\u00e1s, 44, despeja sua esperan\u00e7a de conseguir um sal\u00e1rio em breve, pois est\u00e1 parada desde que saiu de Macap\u00e1, h\u00e1 nove meses. Mas, para ela, S\u00e3o Paulo tem sido mais dif\u00edcil do que a promessa de emprego f\u00e1cil. At\u00e9 agora, ela s\u00f3 recebeu respostas negativas em dezenas de processos seletivos. Para sobreviver, depende do sal\u00e1rio da filha, da ajuda dos pais e de bicos eventuais como faxineira.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/23C0\/production\/_110125190_nivea.jpg\" alt=\"N\u00edvea Amanaj\u00e1s, 44, est\u00e1 desempregada h\u00e1 nove meses, desde que chegou em S\u00e3o Paulo\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">N\u00edvea Amanaj\u00e1s, 44, est\u00e1 desempregada h\u00e1 nove meses, desde que chegou em S\u00e3o Paulo. Foto: BBC<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><\/figcaption><\/figure>\n<p>Duas vezes por semana, N\u00edvea sai da Vila S\u00f4nia (zona oeste) at\u00e9 a Bar\u00e3o de Itapetininga para checar as novas vagas que pipocaram na rua \u2014 leva lanches na bolsa para n\u00e3o ter de gastar com o almo\u00e7o. &#8220;J\u00e1 fiz sele\u00e7\u00e3o com seis fases. Tem question\u00e1rio sobre sua vida, prova de l\u00f3gica, de matem\u00e1tica, portugu\u00eas e at\u00e9 um v\u00eddeo. Sim, tive que fazer um v\u00eddeo. A\u00ed te pergunto: para que tudo isso se era uma vaga de assistente administrativo?&#8221;<\/p>\n<p>Ela tenta encontrar respostas para tantos &#8220;n\u00e3os&#8221;. &#8220;\u00c0s vezes, penso que \u00e9 por causa da minha idade: as pessoas podem achar que, com 44 anos, j\u00e1 estou pensando em aposentadoria, que vou fazer corpo mole, que n\u00e3o tenho mais g\u00e1s&#8221;, afirma. &#8220;Tamb\u00e9m pode haver um problema com meu peso. Muitos question\u00e1rios para atendimento ao p\u00fablico pedem para voc\u00ea colocar seu peso. Ou, quando chego na entrevista, parece que eles preferem mulheres mais magras e mais bonitas.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Uber era o meu ganha-p\u00e3o&#8217;<\/h2>\n<p>Na Bar\u00e3o, voc\u00ea pode encontrar pessoas que, para al\u00e9m da esperan\u00e7a de um servi\u00e7o novo, demonstram mais o desespero de ter perdido o anterior. \u00c9 o caso do ex-entregador Roberto Helmer Barros, 37, que pede para conversar sentado em uma padaria. &#8220;Vamos tomar um caf\u00e9 sen\u00e3o vou infartar de nervoso&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ele conta que veio \u00e0 rua por dois motivos: procurar emprego e encontrar um advogado trabalhista para processar o Uber, aplicativo de entregas para o qual ele trabalhou por cinco meses. Fazia entregas a p\u00e9 (sem uso de bicicletas ou motos).<\/p>\n<p>Roberto ganhava at\u00e9 R$ 4 por um pedido em que precisava caminhar por, no m\u00e1ximo, 1,2 quil\u00f4metro, diz. &#8220;Para mim estava \u00f3timo, porque gosto de andar. Tirava uns R$ 90 por dia, andando uns 20 km no total. Mas, depois, o Uber come\u00e7ou a me mandar corridas de 5 km. Eu precisava pegar \u00f4nibus ou metr\u00f4&#8221;, afirma, mostrando prints das corridas mais longas, que guardou &#8220;por seguran\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/13258\/production\/_110142487_robertohelmer.jpg\" alt=\"Roberto Helmer Barros, ex-entregador do Uber Eats, foi exclu\u00eddo da plataforma depois de 1.353 viagens\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Roberto Helmer Barros, ex-entregador do Uber Eats, foi exclu\u00eddo da plataforma depois de 1.353 viagens. Foto: BBC<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Um dia, caiu um pedido de 9 km. Precisava pegar um pote de a\u00e7a\u00ed no centro e lev\u00e1-lo at\u00e9 \u00e0 Lapa. Pensei: &#8216;assim n\u00e3o d\u00e1, como vou andar 9 km pra fazer uma entrega?&#8217;. Comecei a recusar essas corridas mais longas, porque n\u00e3o era isso que a Uber prometia quando entrei na plataforma. Ent\u00e3o eles me exclu\u00edram do sistema e n\u00e3o consigo mais trabalhar. Estou h\u00e1 11 dias parado&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Fiz 1.353 viagens, e nunca recebi uma reclama\u00e7\u00e3o&#8221;, diz, despejando a\u00e7\u00facar no caf\u00e9.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Como ser um &#8216;fiscal de piso&#8217;<\/h2>\n<p>Por causa desse ecossistema do (des)emprego, talvez os pr\u00e9dios da Bar\u00e3o sejam dos poucos da cidade em que n\u00e3o \u00e9 preciso se identificar na portaria, pois voc\u00ea pode ser apenas mais um em busca de trabalho em alguma empresa de recrutamento por ali. \u00c9 poss\u00edvel subir escadas, pegar elevadores, ir ao banheiro e abrir portas de salas comerciais sem nenhum questionamento.<\/p>\n<p>No Edif\u00edcio Claudina, por exemplo, h\u00e1 pequenas ag\u00eancias (&#8220;fa\u00e7a aqui seu cadastro&#8221;), dezenas de escrit\u00f3rios de direito trabalhista (&#8220;Problemas com seu FGTS, INSS, pens\u00e3o, seguro-desemprego?&#8221;), lan-houses (&#8220;fa\u00e7a seu curr\u00edculo por R$ 2), lojas de empr\u00e9stimo consignado (&#8220;contas a pagar? Aqui voc\u00ea tem dinheiro f\u00e1cil&#8221;), al\u00e9m de cursos profissionalizantes.<\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 a Discimus (&#8220;aprendemos&#8221;, em latim), que oferece treinamento para porteiro, recepcionista, controlador de acesso e fiscal de piso (aquele funcion\u00e1rio do shopping para quem voc\u00ea pergunta onde fica a pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/18078\/production\/_110142489_baro3.jpg\" alt=\"Na Bar\u00e3o de Itapetininga, entregadores de aplicativos esperam pedidos em frente a redes de fast food\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Na Bar\u00e3o de Itapetininga, entregadores de aplicativos esperam pedidos em frente a redes de fast food. Foto: BBC<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><\/figcaption><\/figure>\n<p>Um dia de curso, com as quatros modalidades, custa R$ 120. &#8220;As pessoas nos procuram porque n\u00e3o conseguem nada h\u00e1 anos, est\u00e3o despreparadas para a maioria dos empregos, t\u00eam s\u00f3 o ensino fundamental. Elas est\u00e3o desesperadas para colocar alguma coisa no curr\u00edculo&#8221;, diz F\u00e1bio de Oliveira, 48, um dos donos da Discimus.<\/p>\n<p>Ele mesmo n\u00e3o precisou de curso algum quando conseguiu seu primeiro emprego na Bar\u00e3o, nos anos 80. &#8220;Antes voc\u00ea vinha aqui e conseguia um trabalho no primeiro dia. Era muito f\u00e1cil. Virei office boy com 14 anos. Hoje, falta vaga e as empresas exigem muita forma\u00e7\u00e3o, cursos, experi\u00eancia. At\u00e9 para ser faxineiro voc\u00ea precisa de um curso&#8221;, diz.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Seja proativo&#8217;<\/h2>\n<p>Em um outro pr\u00e9dio funciona uma das maiores ag\u00eancias de recrutamento da cidade, a Luandre, h\u00e1 49 anos na Bar\u00e3o de Itapetininga. Todos os dias, ela recebe at\u00e9 1.500 curr\u00edculos por meio de um aplicativo, de seu site e de visitas presenciais. S\u00f3 nesse ano, a empresa diz que participou da sele\u00e7\u00e3o de 34.348 vagas em suas 11 unidades no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na recep\u00e7\u00e3o, uma d\u00fazia de desempregados \u00e0 espera de uma entrevista l\u00ea, na TV pendurada na parede, algumas dicas para ser efetivado em uma vaga at\u00e9 ent\u00e3o tempor\u00e1ria: &#8220;mostre capacidade, conhecimento e interesse pela fun\u00e7\u00e3o, fa\u00e7a cursos, v\u00e1 a eventos, absorva conhecimento, seja proativo.&#8221;<\/p>\n<p>Como outras consultorias de RH, a Luandre \u00e9 contratada por outras empresas (de servi\u00e7os terceirizados, em sua maioria), recebe as fichas dos candidatos e faz as entrevistas. Na unidade da Bar\u00e3o, a ag\u00eancia recruta pessoal para vagas que exigem menos qualifica\u00e7\u00e3o, como vendedores, seguran\u00e7as, faxineiros, auxiliar administrativo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, mesmo sem grandes exig\u00eancias, os desempregados da Bar\u00e3o precisam mais do que apenas sorte. &#8220;Na entrevista, n\u00f3s analisamos se a pessoa tem experi\u00eancia, pontualidade, proatividade e casos de sucesso para apresentar&#8221;, diz Andreia Marques, especialista em recursos humanos da Luandre. &#8220;Depois, se ela passar, ainda precisa fazer uma entrevista com o gestor da empresa.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1630E\/production\/_110149809_agencia.jpg\" alt=\"Placa colada em uma porta do Edif\u00edcio Claudina, na Bar\u00e3o de Itapetininga. Ela diz: &quot;Bom dia! N\u00e3o Somos ag\u00eancia. Existe outra na sala 04 neste corredor, procure o local correto ou se informe na recep\u00e7\u00e3o. Por favor n\u00e3o abra a porta! N\u00e3o entre sem bater. Grato.&quot;\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Placa colada em uma porta do Edif\u00edcio Claudina, na Bar\u00e3o de Itapetininga. Foto: BBC<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Sobrevivendo \u00e0 crise na Bar\u00e3o de Itapetininga<\/h2>\n<p>Na Bar\u00e3o, h\u00e1 tamb\u00e9m aqueles que usam a pr\u00f3pria rua para sobreviver \u00e0 correnteza da crise econ\u00f4mica e do desemprego.<\/p>\n<p>No cal\u00e7ad\u00e3o, voc\u00ea vai ver dezenas de entregadores em frente a cinco redes de fast food, todos esperando por um pedido de entrega que renda mais uns R$ 5; uma mulher cantando Elis Regina para ganhar alguns trocados; moradores de rua pedindo uma moeda para o almo\u00e7o; mulheres na frente de uma loja que compra cabelo humano para fazer perucas; dezenas de camel\u00f4s vendendo de tecidos africanos a pi\u00f5es com l\u00e2mpadas de led; velhinhos com cartazes anunciando a compra de ouro e de vales-refei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No meio da rua, um grupo faz uma pesquisa de campo sobre sucos em p\u00f3 (d\u00e1 para ganhar R$ 60 opinando sobre refrescos variados). Mais \u00e0 frente, \u00e9 poss\u00edvel diminuir a fome respondendo a outro levantamento, dessa vez sobre a diferen\u00e7a entre marcas de batata chips: &#8220;Essa batata est\u00e1 mais ou menos salgada que a primeira? Ela grudou no seu dente? Voc\u00ea acha que uma loja que venda essa batata se preocupa com o cliente?&#8221;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o ela ressurge no meio do cal\u00e7ad\u00e3o, renovando as possibilidades: a caixa de curr\u00edculos em frente a outro plaqueiro, a caixa onde os desempregados depositam hoje a esperan\u00e7a de dias melhores.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\">\n<figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9A00\/production\/_110142493_caixa.jpg\" alt=\"Caixa onde est\u00e1 escrito &quot;Curr\u00edculo&quot;\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto: BBC<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Leandro Machado &#8211; BBC<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption body-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1683C\/production\/_104602229_line976.jpg\" alt=\"L\u00ednea\" width=\"464\" height=\"2\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na rua do desemprego no centro de S\u00e3o Paulo, voc\u00ea pode at\u00e9 trope\u00e7ar em uma delas sem querer, a &#8220;caixinha da esperan\u00e7a&#8221; no cal\u00e7ad\u00e3o de pedras portuguesas. Os recipientes de pl\u00e1stico, espalhados pela Bar\u00e3o de Itapetininga, fazem um convite a quem n\u00e3o tem um sal\u00e1rio \u00e0 vista: coloque seu curr\u00edculo aqui. Da\u00ed para frente, surge [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4982,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[414],"tags":[1232,157,59],"class_list":["post-4981","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia","tag-centro","tag-emprego","tag-sao-paulo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4981","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4981"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4981\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4983,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4981\/revisions\/4983"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4982"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4981"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4981"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4981"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}