{"id":4961,"date":"2019-12-13T12:44:56","date_gmt":"2019-12-13T15:44:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=4961"},"modified":"2019-12-13T12:44:56","modified_gmt":"2019-12-13T15:44:56","slug":"djamila-ribeiro-da-dicas-de-como-ser-antirracista-em-manual-pratico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/djamila-ribeiro-da-dicas-de-como-ser-antirracista-em-manual-pratico\/","title":{"rendered":"Djamila Ribeiro d\u00e1 dicas de como ser antirracista em &#8216;manual&#8217; pr\u00e1tico"},"content":{"rendered":"<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<p>&#8220;Nunca entre numa discuss\u00e3o sobre racismo dizendo &#8216;mas eu n\u00e3o sou racista&#8217;&#8230;&#8221;, provoca a escritora Djamila Ribeiro.<\/p>\n<p>Em seu &#8216;Pequeno Manual Antirracista&#8217; (Companhia das Letras, 136 p\u00e1ginas), publicado no fim de novembro, a fil\u00f3sofa feminista negra busca levar ao grande p\u00fablico, com uma linguagem did\u00e1tica, uma discuss\u00e3o que costuma ficar restrita a c\u00edrculos acad\u00eamicos e de milit\u00e2ncia.<\/p>\n<\/div>\n<p>&#8220;Hoje tem pessoas que at\u00e9 reconhecem o racismo, sabem que o Brasil \u00e9 racista, mas n\u00e3o pensam quanto que \u00e9 importante tomar atitudes em rela\u00e7\u00e3o a isso&#8221;, explicou, em entrevista \u00e0 AFP.<\/p>\n<p>Informar-se sobre racismo, ler mais autores negros, reconhecer os privil\u00e9gios de ter nascido branco, apoiar a\u00e7\u00f5es que promovam a igualdade racial nos diferentes \u00e2mbitos da sociedade, entre outras a\u00e7\u00f5es, pode ajudar a reverter o quadro atual, afirma a acad\u00eamica, de 39 anos, refer\u00eancia do feminismo negro no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;O que est\u00e1 em quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um posicionamento moral, individual, mas um problema estrutural. A quest\u00e3o \u00e9: o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo ativamente para combater o racismo?&#8221;, questiona no livro, de pouco mais de cem p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Inspirado no livro &#8220;How To Be An Antiracist&#8221;, do historiador americano Ibram X Kendi, e citando passagens de autoras de refer\u00eancia, como Angela Davis, Audre Lorde e Bell Hooks, Djamila resume em dez curtos cap\u00edtulos os principais caminhos para se somar a esta causa, que ganha ainda mais relev\u00e2ncia no momento atual de &#8220;retrocessos&#8221; sociais no governo do presidente Jair Bolsonaro, defende.<\/p>\n<p>&#8211; Informar-se e questionar o entorno &#8211;<\/p>\n<p>O primeiro passo \u00e9 se informar, sugere a autora.<\/p>\n<p>&#8220;No Brasil, h\u00e1 a ideia de que a escravid\u00e3o aqui foi mais branda do que em outros lugares, o que nos impede de entender como o sistema escravocrata ainda impacta a forma como a sociedade se organiza&#8221;, diz em um dos cap\u00edtulos.<\/p>\n<p>Essa desigualdade se perpetua e pode ser vista nas estat\u00edsticas: apesar de representar 55,8% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, os negros e pardos est\u00e3o sub-representados no Congresso (24,4%) e em cargos de chefia (29,9%), ganham em m\u00e9dia sal\u00e1rios 73,9% mais baixos e t\u00eam 2,7 vezes mais chances de ser mortos do que os brancos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edsticas (IBGE).<\/p>\n<p>Apoiar pol\u00edticas afirmativas \u00e9 fundamental para reparar estas desigualdades, afirma Djamila, que d\u00e1 como exemplo a lei de cotas, que desde 2012 reserva \u00e0 popula\u00e7\u00e3o afrodescendente um n\u00famero determinado de vagas em universidades p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Para que o acesso a uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade se reflita tamb\u00e9m no mercado de trabalho, \u00e9 importante questionar e transformar os ambientes laborais.<\/p>\n<p>&#8220;Qual a propor\u00e7\u00e3o de pessoas negras e brancas em sua empresa? E como fica essa propor\u00e7\u00e3o no caso dos cargos mais altos? (&#8230;) H\u00e1 na sua empresa algum comit\u00ea de diversidade ou um projeto para melhorar esses n\u00fameros? H\u00e1 espa\u00e7o para um humor hostil a grupos vulner\u00e1veis?&#8221;, pergunta a autora.<\/p>\n<p>&#8211; Discutir tamb\u00e9m a &#8220;branquitude&#8221; &#8211;<\/p>\n<p>O debate racial costuma se concentrar na discuss\u00e3o sobre as dificuldades que a popula\u00e7\u00e3o negra enfrenta, sustenta Djamila, mas n\u00e3o nos privil\u00e9gios da popula\u00e7\u00e3o branca, considerados em geral como fruto do pr\u00f3prio esfor\u00e7o e n\u00e3o de um sistema desigual.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 fundamental discutir a partir da perspectiva daqueles e daquelas que se beneficiam da estrutura racista para enxergar seus privil\u00e9gios e desnaturaliz\u00e1-los, entender os lugares sociais&#8221; de cada um, afirma.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s reconhecer seus privil\u00e9gios, &#8220;o branco deve ter atitudes antirracistas&#8221;, sugere no manual.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se trata de se sentir culpado por ser branco: a quest\u00e3o \u00e9 se responsabilizar. Diferente da culpa, que leva \u00e0 in\u00e9rcia, a responsabilidade leva \u00e0 a\u00e7\u00e3o. Dessa forma, se o primeiro passo \u00e9 desnaturalizar o olhar condicionado pelo racismo, o segundo \u00e9 criar espa\u00e7os, sobretudo em lugares que pessoas negras n\u00e3o costumam acessar&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>O racismo, conclui a autora, \u00e9 &#8220;um sistema de opress\u00e3o que nega direitos, e n\u00e3o um simples ato da vontade de um indiv\u00edduo. Reconhecer o car\u00e1ter estrutural do racismo pode ser paralisante. Afinal, como enfrentar um monstro t\u00e3o grande? No entretanto, n\u00e3o devemos nos intimidar. A pr\u00e1tica antirracista \u00e9 urgente e se d\u00e1 nas atitudes mais cotidianas&#8221;.<\/p>\n<p>AFP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Nunca entre numa discuss\u00e3o sobre racismo dizendo &#8216;mas eu n\u00e3o sou racista&#8217;&#8230;&#8221;, provoca a escritora Djamila Ribeiro. 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