{"id":4769,"date":"2019-11-21T12:32:40","date_gmt":"2019-11-21T15:32:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=4769"},"modified":"2019-11-21T12:32:40","modified_gmt":"2019-11-21T15:32:40","slug":"helicopteros-da-policia-semeiam-o-terror-nas-favelas-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/helicopteros-da-policia-semeiam-o-terror-nas-favelas-do-rio\/","title":{"rendered":"Helic\u00f3pteros da pol\u00edcia semeiam o terror nas favelas do Rio"},"content":{"rendered":"<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<p>Para os moradores das favelas do Rio de Janeiro sob o dom\u00ednio da viol\u00eancia, o perigo tamb\u00e9m vem do c\u00e9u, atrav\u00e9s de franco-atiradores da pol\u00edcia a bordo de helic\u00f3pteros que disparam perto de creches ou escolas, como em um pa\u00eds em guerra.<\/p>\n<p>&#8220;A primeira sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de medo quando come\u00e7am a dar aquele rasante. Parece que est\u00e1 pousando em cima da sua casa. Com aquele barulho, os vidros chegam a tremer&#8221;, explica Thais Cust\u00f3dio, de 30 anos, moradora da Mar\u00e9, complexo de 16 favelas com mais de 140.000 habitantes.<\/p>\n<\/div>\n<p>Nos becos onde pendem fios el\u00e9tricos emaranhados, n\u00e3o \u00e9 incomum ver marginais armados com fuzis em uma zona sens\u00edvel onde a Linha Vermelha, uma via expressa apelidada de &#8220;Faixa de Gaza&#8221;, delimita os territ\u00f3rios controlados por duas fac\u00e7\u00f5es criminosas rivais.<\/p>\n<p>As habita\u00e7\u00f5es muitas vezes prec\u00e1rias nas favelas da Mar\u00e9 foram constru\u00eddas em uma superf\u00edcie plana, uma topografia que facilita ataques de helic\u00f3ptero, ao contr\u00e1rio de outras comunidades assentadas em encostas \u00edngremes.<\/p>\n<p>Em 2009, um helic\u00f3ptero da pol\u00edcia foi derrubado por traficantes que dispararam de um morro na zona norte do Rio, um epis\u00f3dio tr\u00e1gico que fez tr\u00eas mortos e deixou rastros.<\/p>\n<p>Mas dez anos depois, os ataques a\u00e9reos da pol\u00edcia come\u00e7aram a se multiplicar.<\/p>\n<p>Segundo a ONG Redes da Mar\u00e9, helic\u00f3pteros foram usados em oito das 21 opera\u00e7\u00f5es policiais que mataram 15 pessoas no complexo da Mar\u00e9 no primeiro semestre do ano.<\/p>\n<p>Em 2018, os ataques a\u00e9reos s\u00f3 ocorreram em tr\u00eas opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<div class=\"w50 right ml1\">\n<figure style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w100\" src=\"https:\/\/www.afp.com\/sites\/default\/files\/nfs\/diff-intra\/portugues\/jornal\/america-latina\/a452b0615f984576acf80727cd843bf32016afd5.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"521\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Helic\u00f3ptero da pol\u00edcia sobrevoa a favela da Mar\u00e9, no Rio de Janeiro. Foto: AFP\/Arquivos \/ CHRISTOPHE SIMON (Arquivo)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span class=\"copyright_under\"><br \/>\n<\/span><\/div>\n<p>Para Camila Barros, pesquisadora do Eixo de Direito \u00e0 Seguran\u00e7a P\u00fablica e Acesso \u00e0 Justi\u00e7a da Redes da Mar\u00e9, nada indica que os tiros dos helic\u00f3pteros foram fatais.<\/p>\n<p>Segundo ela, as aeronaves s\u00e3o usadas principalmente para identificar traficantes de drogas e os disparos s\u00e3o para assust\u00e1-los.<\/p>\n<\/div>\n<p>&#8220;Eles voam muito baixo, fazendo movimentos circulares, com o objetivo de encurralar quem a pol\u00edcia entende que \u00e9 suspeito, ao mesmo tempo que, por terra, o caveir\u00e3o, que \u00e9 o carro blindado da pol\u00edcia, chega nos espa\u00e7os e executa as pessoas&#8221;, explica Camila Barros.<\/p>\n<p>&#8220;Depois de uma opera\u00e7\u00e3o em junho, nossa equipe foi ao local de uma opera\u00e7\u00e3o e viu no ch\u00e3o quase 100 marcas de disparos feitos desde um helic\u00f3ptero&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;Guerra civil&#8221; &#8211;<\/p>\n<p>Para S\u00edlvia Ramos, cientista social do Observat\u00f3rio da Seguran\u00e7a (Cesec) da Universidade C\u00e2ndido Mendes (Cesec), o aumento do uso de helic\u00f3pteros est\u00e1 diretamente relacionado \u00e0 chegada, em janeiro, do novo governador Wilson Witzel.<\/p>\n<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<div class=\"w50 left mr1\">\n<figure style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w100\" src=\"https:\/\/www.afp.com\/sites\/default\/files\/nfs\/diff-intra\/portugues\/jornal\/america-latina\/f58ca548d79290192b80b513245e8657d630cfbd.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"511\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Pol\u00edcia de plant\u00e3o na favela da Mar\u00e9, no Rio de Janeiro. Foto: AFP\/Arquivos \/ CHRISTOPHE SIMON(Arquivo)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Adepto de uma linha dura pr\u00f3xima a do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, chegou \u00e0s manchetes em maio, aparecendo em um v\u00eddeo em um helic\u00f3ptero no qual policiais disparavam em uma favela.<\/p>\n<p>&#8220;O que tem de novo nesse governo \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o frequente de helic\u00f3pteros, o que antes era uma exce\u00e7\u00e3o, nesse ano tem sido muito frequente&#8221;, aponta Silvia Ramos.<\/p>\n<\/div>\n<p>&#8220;H\u00e1 muitas opera\u00e7\u00f5es com grande letalidade e com grande poder de cria\u00e7\u00e3o de p\u00e2nico&#8221;, acrescenta ela, enfatizando o efeito psicol\u00f3gico dos ataques a\u00e9reos sobre os moradores.<\/p>\n<p>Como justificar o uso de uma for\u00e7a digna das zonas de conflito mais violentas do planeta? &#8220;Estamos em guerra civil&#8221;, afirmou \u00e0 AFP o deputado Capit\u00e3o Augusto, um dos l\u00edderes do lobby pr\u00f3-armas do Congresso.<\/p>\n<p>&#8220;Se a pessoa est\u00e1 portando fuzil em via p\u00fablica, j\u00e1 est\u00e1 colocando em risco as pessoas, ent\u00e3o \u00e9 pass\u00edvel de ser abatido. Tanto faz se \u00e9 por drone, no helic\u00f3ptero, no carro, a p\u00e9&#8221;, opinou.<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;Todo mundo tem medo&#8221; &#8211;<\/p>\n<p>A Redes da Mar\u00e9 recolheu em agosto 1.500 desenhos infantis. Em muitos casos, estes representam helic\u00f3pteros, com pontos para representar as rajadas de balas.<\/p>\n<p>Em um desenho, a seguinte frase: &#8220;Eu n\u00e3o gosto de helic\u00f3ptero porque tem tiro e as pessoas morrem&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um pavor muito intenso, e para tudo mundo. Os alunos e os professores, que t\u00eam que tirar calma de onde n\u00e3o t\u00eam para resguardar as pr\u00f3prias vidas e a vida dos alunos. \u00c9 muito ruim viver nessa tens\u00e3o&#8221;, relata Fernanda Viana Ara\u00fajo, de 39 anos, moradora da Mar\u00e9 e m\u00e3e de tr\u00eas filhos.<\/p>\n<p>&#8220;A crian\u00e7a que estuda na Mar\u00e9 n\u00e3o v\u00ea na escola um lugar seguro. Sabe que mesmo na escola, ou dentro de casa, a bala perdida pode achar eles&#8221;, continua ela.<\/p>\n<p>Segundo o Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica (ISP), mais de 1.400 pessoas foram mortas pela pol\u00edcia de janeiro a setembro no estado do Rio de Janeiro, um aumento de 18,5% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>AFP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para os moradores das favelas do Rio de Janeiro sob o dom\u00ednio da viol\u00eancia, o perigo tamb\u00e9m vem do c\u00e9u, atrav\u00e9s de franco-atiradores da pol\u00edcia a bordo de helic\u00f3pteros que disparam perto de creches ou escolas, como em um pa\u00eds em guerra. &#8220;A primeira sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de medo quando come\u00e7am a dar aquele rasante. 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