{"id":4748,"date":"2019-11-19T14:14:33","date_gmt":"2019-11-19T17:14:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=4748"},"modified":"2019-11-19T14:14:33","modified_gmt":"2019-11-19T17:14:33","slug":"completa-um-mes-violento-despertar-que-mudou-o-chile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/completa-um-mes-violento-despertar-que-mudou-o-chile\/","title":{"rendered":"Completa um m\u00eas violento despertar que mudou o Chile"},"content":{"rendered":"<div class=\"article_content line linemam mb2\">\n<div class=\"w75 right txt12 txtlh18 txtblack txtjustify textcontent\">\n<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<p>Milhares de pessoas se concentraram em Santiago nesta segunda-feira (18) para comemorar um m\u00eas de um turbilh\u00e3o de protestos no Chile que exigem uma melhor distribui\u00e7\u00e3o da riqueza e reformas sociais, diante dos &#8220;abusos&#8221; de um modelo econ\u00f4mico considerado pr\u00f3spero s\u00f3 para alguns.<\/p>\n<p>Uma concentra\u00e7\u00e3o na pra\u00e7a It\u00e1lia &#8211; centro nevr\u00e1lgico dos protestos em Santiago &#8211; reuniu cerca de 4.000 pessoas, uma cifra distante do 1,2 milh\u00e3o que ocupou o mesmo local em 25 de outubro, uma semana depois de iniciada uma convuls\u00e3o social.<\/p>\n<\/div>\n<p>Tudo come\u00e7ou em 18 de outubro com estudantes do ensino m\u00e9dio que se negavam a pagar o bilhete do metr\u00f4, dando origem \u00e0 mais profunda crise social desde o retorno \u00e0 democracia ap\u00f3s a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), que mudou a face do pa\u00eds e modificou por completo a agenda do direitista Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era e do Parlamento.<\/p>\n<p>O protesto foi realizado em um clima pac\u00edfico e festivo e se repetiu aos gritos de &#8220;O Chile despertou&#8221;, transformado em lema dos manifestantes.<\/p>\n<p>&#8220;Quis vir para lembrar um m\u00eas que mudou o Chile para sempre. Eu acho que o governo poderia fazer as mudan\u00e7as que est\u00e3o pedindo muito mais r\u00e1pido e n\u00e3o est\u00e3o fazendo como queremos. N\u00e3o acredito em todas as ofertas de agenda social que (o presidente) Pi\u00f1era fez&#8221;, disse \u00e0 AFP Susana, uma contadora de 51 anos.<\/p>\n<p>Alguns encapuzados com escudos de lat\u00e3o protagonizaram incidentes isolados e foram dispersados por policiais da tropa de choque, que responderam com bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eanio nas imedia\u00e7\u00f5es da Pra\u00e7a It\u00e1lia.<\/p>\n<p>O metr\u00f4 de Santiago retomava a normalidade com a abertura de sete esta\u00e7\u00f5es, uma delas em Puente Alto (sul de Santiago), que abriu depois de permanecer fechada por um m\u00eas e deixar praticamente sem transporte p\u00fablico os quase 800.000 habitantes deste bairro popular, e que depois de algumas horas voltou a ser fechada por protestos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um m\u00eas de convuls\u00e3o, o pa\u00eds se divide entre os que querem voltar \u00e0 normalidade os que querem continuar pressionando por mudan\u00e7as maiores.<\/p>\n<p>Os funcion\u00e1rios p\u00fablicos realizar\u00e3o uma greve nacional nos pr\u00f3ximos dois dias, anunciou a Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT), o maior sindicato do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8211; O Chile mudou &#8211;<\/p>\n<p>Antes de 18 de outubro, os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no pa\u00eds e a organiza\u00e7\u00e3o da c\u00fapula internacional sobre o clima (COP25) &#8211; posteriormente cancelada &#8211; dominavam a agenda, mas hoje se discute uma nova Constitui\u00e7\u00e3o que substituir\u00e1 a herdada pela ditadura, juntamente com uma profunda reforma ao sistema previdenci\u00e1rio, de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, que preocupam os chilenos.<\/p>\n<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<div class=\"w50 right ml1\">\n<figure style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w100\" src=\"https:\/\/www.afp.com\/sites\/default\/files\/nfs\/diff-intra\/portugues\/jornal\/america-latina\/7fe2f6e84630f78dbdcaa488ca0ecfbfbf9cb9ff.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Os manifestantes enfrentam a tropa de choque da Pol\u00edcia durante um protesto contra o governo em Santiago, 15 de novembro de 2019. Foto:AFP \/ CLAUDIO REYES<\/figcaption><\/figure>\n<p><span class=\"copyright_under\"><br \/>\n<\/span><\/div>\n<p>Depois de intensas negocia\u00e7\u00f5es, o Congresso chileno aprovou na sexta-feira um acordo para convocar um plebiscito em abril do ano que vem para decidir mudar ou n\u00e3o a Constitui\u00e7\u00e3o e escolher o mecanismo por meio do qual seria feita a mudan\u00e7a: uma assembleia Constituinte ou uma conven\u00e7\u00e3o mista, integrada em partes iguais por constituintes e congressistas.<\/p>\n<p>&#8220;Nas \u00faltimas quatro semanas, o Chile mudou; os chilenos mudaram, o governo mudou; todos mudamos. O pacto social sob o qual t\u00ednhamos vivido rachou&#8221;, disse Pi\u00f1era, em mensagem ao pa\u00eds na noite de domingo, na qual celebrou o acordo pol\u00edtico que permitiria a mudan\u00e7a constitucional.<\/p>\n<\/div>\n<p>Em 30 anos de democracia n\u00e3o prosperou nenhuma tentativa de reformar a Constitui\u00e7\u00e3o redigida pela ditadura em 1980 e que o regime conseguiu aprovar em um questionado plebiscito, com dispositivos que asseguraram o poder dos grupos conservadores, inclusive uma vez restaurada da democracia.<\/p>\n<p>Uma pesquisa publicada nesta segunda-feira pela consultoria privada Cadem revelou que 67% dos chilenos avaliam como bom ou muito bom o acordo constitucional a partir do qual se uniram os partidos do governo e da esquerda opositora, que at\u00e9 antes dos protestos n\u00e3o conseguiam ter um consenso sobre suas posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, o Congresso apressava a discuss\u00e3o para aumentar em 50% a pens\u00e3o b\u00e1sica solid\u00e1ria, fixada hoje em 133 d\u00f3lares, uma op\u00e7\u00e3o que para o governo n\u00e3o pode se concretizar de forma imediata.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 dinheiro. Quero ser respons\u00e1vel e muito claro em diz\u00ea-lo. Isso significa um bilh\u00e3o de d\u00f3lares que o Chile n\u00e3o tem (&#8230;) N\u00e3o estamos em condi\u00e7\u00f5es de ter acesso a isto&#8221;, afirmou o ministro da Fazenda, Ignacio Briones.<\/p>\n<p>&#8211; Violento despertar &#8211;<\/p>\n<p>Foi um despertar dr\u00e1stico para um pa\u00eds considerado um dos mais est\u00e1veis da Am\u00e9rica Latina e com um modelo econ\u00f4mico elogiado: 30 dias de protestos que resultaram em 22 mortos, 79 esta\u00e7\u00f5es do metr\u00f4 de Santiago atacadas &#8211; algumas completamente incendiadas &#8211; e quase 15.000 detidos no pa\u00eds.<\/p>\n<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<div class=\"w50 left mr1\">\n<figure style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w100\" src=\"https:\/\/www.afp.com\/sites\/default\/files\/nfs\/diff-intra\/portugues\/jornal\/america-latina\/bf1518b6086eb16f62e2cd717ae13dcf80560555.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"511\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Tropa de choque da Pol\u00edcia entra em confronto com manifestantes durante protesto contra o governo em Santiago, 15 de novembre de 2019. Foto: AFP \/ Johan ORDONEZ<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>No que constitui uma marca indel\u00e9vel dessas manifesta\u00e7\u00f5es, mais de 200 pessoas sofreram les\u00f5es oculares graves ap\u00f3s serem atingidas por proj\u00e9teis de chumbo disparados pela Pol\u00edcia.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) enviou uma equipe t\u00e9cnica ao Chile, que vai recolher informa\u00e7\u00f5es preliminares sobre den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos cometidas por agentes durante as manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<p>&#8220;S\u00e3o dias em que n\u00f3s realizamos um amplo processo de escuta&#8221;, disse Paulo Abr\u00e3o, secret\u00e1rio-executivo da CIDH.<\/p>\n<p>Um balan\u00e7o policial detalhou nesta segunda que desde 18 de outubro foram contabilizados mais de 15.000 detidos, 3.500 deles por saques registrados em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A rede americana Walmart apresentou uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es judiciais contra o Estado por ataques a suas lojas: 128 saqueadas, 34 incendiadas e 17 totalmente destru\u00eddas.<\/p>\n<p>&#8220;Nunca t\u00ednhamos visto esses n\u00edveis de viol\u00eancia na democracia. Agradecemos o trabalho dos Carabineros, mas abusos n\u00e3o ser\u00e3o tolerados&#8221;, disse a porta-voz oficial do governo, Karla Rubilar.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article_content_meta w25 left pr3 pl3 hidem\">\n<div class=\"line mb2 addthis_toolbox addthis_default_style txw_v_addthis \">\n<div class=\"atclear\">AFP<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Milhares de pessoas se concentraram em Santiago nesta segunda-feira (18) para comemorar um m\u00eas de um turbilh\u00e3o de protestos no Chile que exigem uma melhor distribui\u00e7\u00e3o da riqueza e reformas sociais, diante dos &#8220;abusos&#8221; de um modelo econ\u00f4mico considerado pr\u00f3spero s\u00f3 para alguns. 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