{"id":4379,"date":"2019-09-27T13:33:03","date_gmt":"2019-09-27T16:33:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=4379"},"modified":"2019-09-27T13:33:03","modified_gmt":"2019-09-27T16:33:03","slug":"producoes-lgbt-enfrentam-a-censura-do-governo-de-jair-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/producoes-lgbt-enfrentam-a-censura-do-governo-de-jair-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Produ\u00e7\u00f5es LGBT enfrentam a censura do governo de Jair Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<p>Shows cancelados, financiamentos suspensos. Os artistas no Brasil denunciam ser alvo de uma censura em meio \u00e0 &#8220;guerra cultural&#8221; impulsionada pelo presidente Jair Bolsonaro, um fen\u00f4meno que afeta principalmente as produ\u00e7\u00f5es com tem\u00e1tica LGBT.<\/p>\n<p>&#8220;Sab\u00edamos que a chegada ao poder de Bolsonaro (em janeiro) seria um giro dram\u00e1tico, mas nem nos meus piores pesadelos, teria imaginado que seria t\u00e3o terr\u00edvel&#8221;, diz \u00e0 AFP Artur Luanda Ribeiro, da companhia de teatro gestual Dos \u00e0 Deux, fundada em 1998 em Paris e instalada no Brasil desde 2015.<\/p>\n<\/div>\n<p>De acordo com a companhia, a obra &#8220;Gritos&#8221; (2016), em que Ribeiro interpreta um transsexual, foi retirada na semana passada da programa\u00e7\u00e3o do teatro da Caixa em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Em um e-mail enviado \u00e0 AFP, a Caixa informou que a companhia havia oferecido a exibi\u00e7\u00e3o de dois espet\u00e1culos, &#8220;Gritos&#8221; e &#8220;Aux Pieds de la lettre&#8221; (2001), e que o teatro escolheu apenas o \u00faltimo, sem explicar o motivo.<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;Temos medo de ser fichados&#8221; &#8211;<\/p>\n<p>Com seu companheiro, Andr\u00e9 Curti, com quem cria todos os espet\u00e1culos, Ribeiro teme que qualquer novo projeto que a companhia apresente sofra com as mesmas decis\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Temos medo de que a companhia seja fichada. Eles bem podem dizer: &#8216;Dos \u00e0 deux&#8217;, n\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;Trabalhei durante a ditadura militar no come\u00e7o dos anos 1980 e lembro que os censores assistiam aos ensaios e nos interrompiam, dizendo: &#8216;isso, n\u00e3o&#8217;. A diferen\u00e7a agora \u00e9 que (a censura) est\u00e1 oculta, subentendida&#8221;, acrescentou Curti.<\/p>\n<p>Bolsonaro nega que pratique a censura, embora insista na necessidade de aplicar &#8220;filtros&#8221; nas subven\u00e7\u00f5es destinadas a projetos culturais.<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o vou fazer apologia a filtros culturais. Para mim, isso tem nome: \u00e9 censura. Se eu estiver nesse cargo e me calar, vou consentir com a censura. N\u00e3o vou bater palma para este tipo de coisa. Eu estou desempregado. Para ficar e bater palma pra censura, eu prefiro cair fora&#8221;, disse Henrique Pires, ex-secret\u00e1rio especial de Cultura do governo, que deixou o cargo no fim de agosto.<\/p>\n<p>Seu posto equivalia ao de ministro da Cultura, uma pasta que foi extinta pelo atual governo e absorvida pelo minist\u00e9rio da Cidadania, no mesmo n\u00edvel que a de Esportes.<\/p>\n<p>Para Pires, a gota d&#8217;\u00e1gua foi a suspens\u00e3o de um edital para financiar projetos de s\u00e9ries para a TV p\u00fablica, em que quatro finalistas abordavam tem\u00e1ticas LGBT.<\/p>\n<p>Em 15 de agosto, durante uma transmiss\u00e3o pelo Facebook Live, o pr\u00f3prio Bolsonaro enumerou os projetos que seriam afetados, lendo a sinopse com um sorriso de ironia.<\/p>\n<p>&#8220;O filme \u00e9 sobre uma ex-freira l\u00e9sbica&#8221;, disse. &#8220;Confesso que n\u00e3o entendi por que gastar dinheiro p\u00fablico, no que isso pode agregar no tocante \u00e0 nossa cultura, \u00e0s nossas tradi\u00e7\u00f5es. N\u00e3o estou perseguindo ningu\u00e9m, cada um faz o que bem entender com seu corpo, mas gastar dinheiro publico para fazer esse tipo de filme&#8230;&#8221;, disse antes de descartar a folha de papel.<\/p>\n<p>&#8220;Mais um que vai para o lixo&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>&#8211; Cada vez mais medo &#8211;<\/p>\n<p>Bolsonaro se referia a &#8220;Religare Queer&#8221;, que trata da presen\u00e7a de homossexuais entre os fi\u00e9is das grandes religi\u00f5es &#8220;tradicionalmente homof\u00f3bicas&#8221;.<\/p>\n<p>Seu roteirista, Kiko Goifman, ficou indignado com a medida. &#8220;Fomos cortados por um gesto completamente arbitr\u00e1rio&#8221;, afirmou. &#8220;A gente entende [isso] como um ato de censura&#8221;.<\/p>\n<p>Goifman tamb\u00e9m \u00e9 codiretor do filme &#8220;Bixa Travesty&#8221;, que ganhou o Teddy Award, pr\u00eamio concedido \u00e0s produ\u00e7\u00f5es LGBT do Festival de Berlim, mas que n\u00e3o p\u00f4de ser distribu\u00eddo no Brasil apesar de j\u00e1 ter estreado em mais de 25 cidades da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em 2018, a produ\u00e7\u00e3o ganhou um pr\u00eamio de 200.000 reais da Petrobras para cobrir os custos de distribui\u00e7\u00e3o, conta Goifman.<\/p>\n<p>&#8220;Um belo dia estou em casa, toca meu telefone, e recebo uma liga\u00e7\u00e3o da Petrobras falando que n\u00e3o v\u00e3o pagar. Falaram que n\u00e3o iam pagar, mais nada&#8221;, contou.<\/p>\n<p>Consultada pela AFP, a Petrobras atribuiu esta decis\u00e3o a uma reformula\u00e7\u00e3o na estrat\u00e9gia de patroc\u00ednios culturais.<\/p>\n<p>Goifmann recorreu \u00e0 Justi\u00e7a para reverter a decis\u00e3o e, enquanto espera uma decis\u00e3o favor\u00e1vel, diz se sentir amorda\u00e7ado porque considera que tudo o que disser pode ser usado contra ele no processo.<\/p>\n<p>Enquanto as produ\u00e7\u00f5es LGBT s\u00e3o castigadas pela censura, outros c\u00edrculos culturais esperam que ocorra o mesmo.<\/p>\n<p>Felipe Haiut, comediante e roteirista, tamb\u00e9m expressa seus temores: &#8220;Sempre que vou ter uma ideia, vou ter que pensar se aquilo pode vir a ser vetado ou n\u00e3o, se vou ser atacado online, se vou conseguir recursos para aquilo&#8230;&#8221;, comenta. &#8220;As empresas est\u00e3o com medo agora, porque o governo est\u00e1 em cima. N\u00e3o pode acontecer, as empresas n\u00e3o podem se sentir acuadas. Estamos vivendo uma guerra cultural.&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>AFP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Shows cancelados, financiamentos suspensos. 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