{"id":4341,"date":"2019-09-20T16:24:26","date_gmt":"2019-09-20T19:24:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=4341"},"modified":"2019-09-20T16:24:26","modified_gmt":"2019-09-20T19:24:26","slug":"um-prato-de-comida-a-prioridade-para-muitos-argentinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/um-prato-de-comida-a-prioridade-para-muitos-argentinos\/","title":{"rendered":"Um prato de comida, a prioridade para muitos argentinos"},"content":{"rendered":"<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<p>Dagna Aiva cozinha de segunda a sexta em sua pr\u00f3pria casa para fornecer comida a cerca de 200 pessoas das milhares que vivem um bairro na periferia sul de Buenos Aires.<\/p>\n<p>Longe das preocupa\u00e7\u00f5es sobre o valor do d\u00f3lar que toma conta de muitos argentinos, na Villa 21-24 a prioridade \u00e9 conseguir alimentos, que para seus moradores \u00e9 um bem escasso, apesar de viverem em um pa\u00eds que produz comida para 440 milh\u00f5es de pessoas, o que significa dez vezes mais que sua popula\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<\/div>\n<p>Mulheres com beb\u00eas nos bra\u00e7os e crian\u00e7as brincando ao redor, idosos e deficientes f\u00edsicos fazem fila diante da casa onde s\u00e3o entregues as quentinhas.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m fala em d\u00f3lares nessa comunidade pobre de 60 hectares e onde vivem 60.000 fam\u00edlias, junto ao polu\u00eddo rio Riachuelo.<\/p>\n<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<div class=\"w50 right ml1\">\n<figure style=\"width: 505px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w100\" src=\"https:\/\/www.afp.com\/sites\/default\/files\/nfs\/diff-intra\/portugues\/jornal\/america-latina\/bec18598122bcd0490765ec7dd31117c864d9207.jpg\" alt=\"\" width=\"505\" height=\"336\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Dagna Avia, coordenadora do espa\u00e7o Casa Usina de Sonhos. Foto: AFP \/ RONALDO SCHEMIDT<\/figcaption><\/figure>\n<p><span class=\"copyright_under\"><br \/>\n<\/span><\/div>\n<p>&#8220;N\u00e3o tenho d\u00f3lares, n\u00e3o me importam os d\u00f3lares! H\u00e1 outras necessidades b\u00e1sicas que preciso solucionar j\u00e1. \u00c9 preciso priorizar outras coisas, como comer todos os dias&#8221;, lamenta Aiva.<\/p>\n<p>A mulher coordena o espa\u00e7o Casa Usina de Sonhos, da Villa 21-24, que conta tamb\u00e9m com uma oficina onde s\u00e3o oferecidas atividades criativas e apoio escolar.<\/p>\n<\/div>\n<p>&#8211; &#8220;Pobreza zero&#8221; &#8211;<\/p>\n<p>&#8220;Aqui est\u00e1 cheio de pessoas que trabalham muito, \u00e9 triste ver que n\u00e3o podemos ter um prato de comida&#8221;, afirma a ativista de 48 anos ao lamentar a degrada\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o na comunidade nos \u00faltimos danos.<\/p>\n<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<div class=\"w50 left mr1\">\n<figure style=\"width: 438px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w100\" src=\"https:\/\/www.afp.com\/sites\/default\/files\/nfs\/diff-intra\/portugues\/jornal\/america-latina\/c686c43f7272f136eea99cc9977f8ac4b4178ffa.jpg\" alt=\"\" width=\"438\" height=\"294\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">A comida \u00e9 servida a 200 pessoas atingidas pela crise econ\u00f4mica na Argentina. Foto: AFP \/ RONALDO SCHEMIDT<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>A Argentina \u00e9 um dos tr\u00eas pa\u00edses latino-americanos, junto com Venezuela e Guatemala, onde a fome mais aumentou em 2018.<\/p>\n<p>A cesta b\u00e1sica, avaliada em 4.200 pesos, custa 57,3% a mais que em julho de 2018, muito superior ao aumento dos sal\u00e1rios.<\/p>\n<\/div>\n<p>O ex-ministro da Sa\u00fade Daniel Goll\u00e1n denunciou recentemente que cinco milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes est\u00e3o em &#8220;situa\u00e7\u00e3o alimentar cr\u00edtica&#8221;, ao falar ante a Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos Humanos (CIDH).<\/p>\n<p>O presidente liberal Mauricio Macri prometeu alcan\u00e7ar a &#8220;pobreza zero&#8221;.<\/p>\n<p>Mas a pobreza atingiu 32% da popula\u00e7\u00e3o em 2018, de acordo com o \u00faltimo \u00edndice oficial, e o governo admite que, como o desemprego (10,1%), crescer\u00e1 este ano devido \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o ligada \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o do peso no meio da recess\u00e3o.<\/p>\n<p>Movimentos sociais, Igreja Cat\u00f3lica, organiza\u00e7\u00f5es sindicais e pol\u00edticos da oposi\u00e7\u00e3o exigem que a &#8220;emerg\u00eancia alimentar&#8221; seja declarada, o que permitiria obter um or\u00e7amento maior para esse fim.<\/p>\n<p>&#8211; Mais comida &#8211;<\/p>\n<p>O governo Macri rejeita a ideia. &#8220;Existe uma situa\u00e7\u00e3o de pobreza, mas isso n\u00e3o significa que haja fome&#8221;, disse o ministro da Cultura, Pablo Avelluto.<\/p>\n<p>O presidente argentino se referiu \u00e0 &#8220;raiva&#8221; e &#8220;dor&#8221; geradas pelos dados da pobreza e diz que \u00e9 claro que ele pode reduzir essa taxa se for reeleito nas elei\u00e7\u00f5es de 27 de outubro.<\/p>\n<p>As seis mulheres que colaboram na prepara\u00e7\u00e3o de alimentos ou na entrega de ra\u00e7\u00f5es na casa de Dagna recebem um &#8220;sal\u00e1rio social complementar&#8221; do Estado, equivalente a um sal\u00e1rio b\u00e1sico (7.500 pesos, US$ 110 na taxa de c\u00e2mbio atual).<\/p>\n<p>O governo da cidade lhes envia 160 quentinhas e elas tentam transform\u00e1-las em 200.<\/p>\n<p>A corrida pelo d\u00f3lar n\u00e3o chega \u00e0 cidade, mas alimenta o aumento dos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o lido com dinheiro, tenho outras prioridades, mas me preocupo porque a infla\u00e7\u00e3o tem muito a ver com o d\u00f3lar&#8221;, diz Paloma G\u00f3mez, uma enfermeira de 50 anos.<\/p>\n<p>Em 2018, depois de uma corrida cambial, o governo Macri foi ao Fundo Monet\u00e1rio Internacional para obter ajuda financeira, que concedeu \u00e0 Argentina um empr\u00e9stimo de US$ 57,1 bilh\u00f5es em troca de um programa de forte ajuste fiscal.<\/p>\n<p>O aumento do custo de vida subiu a 25% entre janeiro e julho, e estima-se que chegar\u00e1 a 55% at\u00e9 o fim do ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>AFP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dagna Aiva cozinha de segunda a sexta em sua pr\u00f3pria casa para fornecer comida a cerca de 200 pessoas das milhares que vivem um bairro na periferia sul de Buenos Aires. 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