{"id":4296,"date":"2019-09-13T16:03:43","date_gmt":"2019-09-13T19:03:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=4296"},"modified":"2019-09-13T16:03:43","modified_gmt":"2019-09-13T19:03:43","slug":"complexo-arqueologico-indica-amazonia-pre-colombiana-densamente-povoada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/complexo-arqueologico-indica-amazonia-pre-colombiana-densamente-povoada\/","title":{"rendered":"Complexo arqueol\u00f3gico indica Amaz\u00f4nia pr\u00e9-colombiana densamente povoada"},"content":{"rendered":"<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<p>Cientistas brasileiros conclu\u00edram em agosto as escava\u00e7\u00f5es em um complexo arqueol\u00f3gico na Amaz\u00f4nia, que refor\u00e7am a teoria de que esta regi\u00e3o era densamente povoada antes da chegada dos colonizadores europeus.<\/p>\n<p>As descobertas &#8211; vasilhas, restos de cer\u00e2micas, pedras talhadas, sementes carbonizadas e camadas de solo enriquecido &#8211; permitem pensar, ainda, que o modo de vida dos habitantes origin\u00e1rios pode conter ensinamentos sobre a preserva\u00e7\u00e3o da maior floresta tropical do mundo, afirma o arque\u00f3logo Rafael Lopes, que participou da explora\u00e7\u00e3o no estado do Amazonas (norte).<\/p>\n<\/div>\n<p>&#8220;Chegamos achando que ia ser s\u00f3 um s\u00edtio ao longo da beira do lago Tef\u00e9, mas s\u00e3o v\u00e1rios s\u00edtios, alguns deles grandes. \u00c9 um complexo arqueol\u00f3gico&#8221;, explicou Lopes, pesquisador associado do Instituto de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel Mamirau\u00e1 (IDSM), que administra a reserva, em entrevista por telefone com a AFP.<\/p>\n<p>Os vest\u00edgios de plantas domesticadas, ou manejadas, como o cacau, o a\u00e7a\u00ed e o cupua\u00e7u, assim como a presen\u00e7a de frondosas castanheiras com mais de 500 anos, indicam que a regi\u00e3o esteve ocupada por pelo menos cinco popula\u00e7\u00f5es diferentes, incluindo comunidades ribeirinhas e ind\u00edgenas atuais.<\/p>\n<p>&#8220;As cr\u00f4nicas dos s\u00e9culos XVI e XVII de viajantes que desciam o Amazonas e na \u00e1rea do M\u00e9dio Solim\u00f5es, que \u00e9 a \u00e1rea de Tef\u00e9, relatam popula\u00e7\u00f5es muito densas, com milhares de pessoas, e aldeias muito grandes, separadas em no m\u00e1ximo meia hora uma da outra&#8221;, conta Lopes.<\/p>\n<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<div class=\"w50 right ml1\">\n<figure style=\"width: 453px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w100\" src=\"https:\/\/www.afp.com\/sites\/default\/files\/nfs\/diff-intra\/portugues\/jornal\/america-latina\/fb7a481bd95f038ab349f756c141f42276d3c92d.jpg\" alt=\"\" width=\"453\" height=\"302\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Arque\u00f3logo examina uma tigela antiga descoberta durante escava\u00e7\u00f5es na Floresta Nacional de Tef\u00e9, no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia brasileira. Foto: Mamiraua Institute of Sustainable Development\/AFP \/ Bernardo OLIVEIRA(Arquivo)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span class=\"copyright_under\"><br \/>\n<\/span><\/div>\n<p>Estudos cient\u00edficos estimam que, no conjunto da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, vivessem de oito a dez milh\u00f5es de pessoas antes da chegada de espanh\u00f3is e portugueses.<\/p>\n<p>Depois do contato com o homem branco, epidemias e campanhas de conquista dizimaram a popula\u00e7\u00e3o, explica o pesquisador.<\/p>\n<\/div>\n<p>Isso levou os naturalistas europeus que adentraram a regi\u00e3o no s\u00e9culo XIX a pensar que a floresta fosse um bioma praticamente intacto. Esse conceito come\u00e7ou a ser revisto nos anos 1980. A pesquisa de que Lopes participa soma novas evid\u00eancias a estes estudos.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 algumas d\u00e9cadas na Arqueologia estamos percebendo que as primeiras cr\u00f4nicas tinham muito mais verdade e menos fantasia&#8221; do que se pensava, afirma.<\/p>\n<p>O trabalho de campo &#8211; a cargo de cerca de 40 pessoas, entre pesquisadores e locais &#8211; foi liderado por Lopes, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), e pela bot\u00e2nica Mariana Cassino, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (INPA).<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima fase consistir\u00e1 da an\u00e1lise em laborat\u00f3rio de milhares de fragmentos encontrados para verificar a validade destas hip\u00f3teses.<\/p>\n<p>&#8211; Li\u00e7\u00f5es para o futuro &#8211;<\/p>\n<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<div class=\"w50 left mr1\">\n<figure style=\"width: 431px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w100\" src=\"https:\/\/www.afp.com\/sites\/default\/files\/nfs\/diff-intra\/portugues\/jornal\/america-latina\/8d429bdf7232c72fb727a08f5f8f17ac080dcaa3.jpg\" alt=\"\" width=\"431\" height=\"287\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas na Floresta Nacional de Tef\u00e9, no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia brasileira. Foto: Mamiraua Institute of Sustainable Development\/AFP \/ Bernardo OLIVEIRA(Arquivo)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Com t\u00e9cnicas de manejo sustent\u00e1vel dos recursos naturais, os povos origin\u00e1rios moldaram positivamente seu h\u00e1bitat e t\u00eam muito a ensinar aos ocupantes atuais da floresta, afirma o especialista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Essas popula\u00e7\u00f5es tradicionais tiveram um grande impacto positivo na biodiversidade. S\u00e3o centenas de esp\u00e9cies [vegetais] com algum tipo de domestica\u00e7\u00e3o, e algumas das esp\u00e9cies que eles utilizavam s\u00e3o hoje as mais comuns na Amaz\u00f4nia inteira&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<\/div>\n<p>Para manter a floresta em p\u00e9 \u00e9 necess\u00e1rio ocup\u00e1-la de forma sustent\u00e1vel, sem depred\u00e1-la, adverte Lopes, em um momento em que o governo do presidente Jair Bolsonaro preconiza abrir as reservas ind\u00edgenas e as \u00e1reas protegidas \u00e0s atividades agropecu\u00e1rias e \u00e0 minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O problema n\u00e3o \u00e9 a densidade de pessoas, sen\u00e3o a l\u00f3gica da ocupa\u00e7\u00e3o. A l\u00f3gica que est\u00e1 querendo ser imposta \u00e9 a de que a gente vai conservar o m\u00ednimo poss\u00edvel e destruir o m\u00e1ximo poss\u00edvel para dar espa\u00e7o para boi e soja, para monocultura, para queimadas, para destruir o meio ambiente&#8221;, alerta Lopes.<\/p>\n<p>&#8220;Todos os dados mostram que, para voc\u00ea fazer essa conserva\u00e7\u00e3o, voc\u00ea precisa dessas popula\u00e7\u00f5es, das terras ind\u00edgenas, de reservas ambientais com popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas&#8221;, prossegue.<\/p>\n<p>&#8220;Temos que entender melhor a forma que essas pessoas ocuparam e ocupam a floresta e temos que seguir esses modelos, e n\u00e3o apenas na Amaz\u00f4nia&#8221;, insistiu Lopes.<\/p>\n<p>Esses modelos, completou, &#8220;podem se encaixar para preservar e at\u00e9 recuperar outros biomas, tarefa importante principalmente num momento de cataclismo clim\u00e1tico como a gente est\u00e1 vivendo&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>AFP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas brasileiros conclu\u00edram em agosto as escava\u00e7\u00f5es em um complexo arqueol\u00f3gico na Amaz\u00f4nia, que refor\u00e7am a teoria de que esta regi\u00e3o era densamente povoada antes da chegada dos colonizadores europeus. 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