{"id":4120,"date":"2019-08-16T15:47:25","date_gmt":"2019-08-16T18:47:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=4120"},"modified":"2019-08-16T15:47:25","modified_gmt":"2019-08-16T18:47:25","slug":"supertrilha-do-oiapoque-ao-chui-traz-esperanca-para-futuro-da-mata-atlantica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/supertrilha-do-oiapoque-ao-chui-traz-esperanca-para-futuro-da-mata-atlantica\/","title":{"rendered":"Supertrilha do Oiapoque ao Chu\u00ed traz esperan\u00e7a para futuro da Mata Atl\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<p>Luiz Pedreira caminha com outros trilheiros sob a densa cobertura vegetal da Mata Atl\u00e2ntica, onde uma supertrilha de 8.000 km entre o Oiapoque (Amap\u00e1) e o Chu\u00ed (Rio Grande do Sul) come\u00e7a a ser explorada.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea n\u00e3o valoriza o que n\u00e3o conhece&#8221;, diz Pedreira, com a esperan\u00e7a de que a cria\u00e7\u00e3o de uma das mais longas trilhas do mundo gere conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a fragilidade da floresta, que tem sido devastada por fazendeiros e madeireiros ao longo dos s\u00e9culos e agora enfrenta novas amea\u00e7as com a pol\u00edtica do governo Jair Bolsonaro.<\/p>\n<\/div>\n<p>Inspirada em outras trilhas de longa dist\u00e2ncia, como a Great Trail, que se estende por 24.000 km no Canad\u00e1, o projeto \u00e9 apoiado pelos Minist\u00e9rios do Meio Ambiente e do Turismo. Ligar\u00e1 a cidade de Chu\u00ed, no extremo sul do Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai, ao Oiapoque, na fronteira norte com a Guiana Francesa.<\/p>\n<p>O resultado ser\u00e1 um corredor costeiro cont\u00ednuo para animais e seres humanos. Os trabalhos j\u00e1 est\u00e3o em andamento, mas podem levar anos at\u00e9 serem conclu\u00eddos.<\/p>\n<p>A trilha &#8220;permite \u00e0s pessoas se conectarem com a floresta&#8221;, diz Pedreira \u00e0 AFP, ao lado de um penhasco que oferece uma vista de 180 graus das montanhas com densa cobertura vegetal e os mon\u00f3litos de granito que dividem os bairros do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea est\u00e1 sempre na floresta, vai valoriz\u00e1-la mais&#8221;, continua.<\/p>\n<p>&#8211; Atrativo tur\u00edstico &#8211;<\/p>\n<p>Considerada pela ONG Fundo Mundial para a Natureza (WWF) o segundo ecossistema mais diverso do planeta, atr\u00e1s apenas da Amaz\u00f4nia, a Mata Atl\u00e2ntica abriga milhares de plantas e esp\u00e9cies animais.<\/p>\n<p>Quando os portugueses chegaram ao Brasil, em 1500, a floresta cobria mais de 1,3 milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados do territ\u00f3rio, uma \u00e1rea correspondente a quase o dobro da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, no entanto, quase 90% da mata desapareceu, destru\u00edda ao longo dos s\u00e9culos para abrir caminho para cultivos de caf\u00e9, cana-de-a\u00e7\u00facar, cria\u00e7\u00e3o de gado, ou cidades.<\/p>\n<p>Embora a taxa de desmatamento tenha diminu\u00eddo nos \u00faltimos anos, segundo a Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica, teme-se que a ret\u00f3rica antiambientalista do governo Bolsonaro reveja esta tend\u00eancia.<\/p>\n<p>O desmatamento da Amaz\u00f4nia &#8211; uma floresta tropical crucial para manter o aquecimento sob controle &#8211; disparou 278% em julho em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas do ano passado, segundo cifras do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).<\/p>\n<p>Este n\u00famero se segue ao aumento de 90% do desmatamento em junho em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas no ano anterior, cifras que o presidente Jair Bolsonaro chamou de mentirosas, o que acabou gerando rea\u00e7\u00f5es do ent\u00e3o diretor do Inpe, Ricardo Galv\u00e3o, e sua posterior exonera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Infelizmente, este governo agora n\u00e3o \u00e9 muito bom para o meio ambiente&#8221;, disse Yves Lahure \u00e0 AFP, ap\u00f3s concluir uma caminhada de seis horas em um trecho da supertrilha.<\/p>\n<p>Mas a hist\u00f3ria mostra que a floresta pode ser restaurada.<\/p>\n<p>Grande parte da Mata Atl\u00e2ntica, que recobre o Rio de Janeiro, havia sido substitu\u00edda por planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 no s\u00e9culo XIX, conta Horacio Ragucci, presidente do Centro Excursionista Brasileiro, enquanto conduz um grupo pela trilha de terra aberta por escravos.<\/p>\n<p>Uma crise h\u00eddrica for\u00e7ou o ent\u00e3o imperador Dom Pedro II a confiscar a terra e reflorest\u00e1-la, criando o que hoje \u00e9 o Parque Nacional da Tijuca.<\/p>\n<p>Ragucci diz que o n\u00famero de visitantes na floresta aumentou nos \u00faltimos dez anos, muitos motivados por encontrar um cen\u00e1rio bonito para tirar uma selfie.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje t\u00eam grupos que se re\u00fanem pelo Facebook e juntam 50 pessoas para fazer uma trilha&#8221;, conta Ragucci \u00e0 AFP.<\/p>\n<p>As autoridades brasileiras esperam que a trilha de longa dist\u00e2ncia atraia mais turistas estrangeiros ao pa\u00eds &#8211; que j\u00e1 tem um forte apelo tur\u00edstico -, gerando renda e trabalho, necess\u00e1rios para a retomada do crescimento.<\/p>\n<p>&#8220;Enquanto os EUA recebem 307 milh\u00f5es de visitantes e faturam US$ 17 bilh\u00f5es com os parques ao ano, o Brasil recebe pouco mais de 10 milh\u00f5es de visitantes e fatura R$ 2 bilh\u00f5es sendo o n\u00famero um do mundo&#8221;, compara o ex-ministro do Turismo Vinicius Lummertz.<\/p>\n<p>&#8220;Esses dados n\u00e3o fazem sentido. Precisamos agir e virar essa p\u00e1gina&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>O percurso da trilha ainda precisa ser conclu\u00eddo, e as autoridades tentam convencer donos de terrenos particulares na floresta a permitir que trilheiros, corredores e praticantes de &#8220;mountain bike&#8221; passem por suas propriedades.<\/p>\n<p>&#8211; &#8216;Um deleite&#8217; &#8211;<\/p>\n<p>&#8220;Se eu puder, fa\u00e7o toda semana&#8221;, diz Andreza Albuquerque, enquanto ela e um grupo de trilheiros descansam da caminhada, encostados em \u00e1rvores, enquanto observam a paisagem da cidade e do mar logo abaixo.<\/p>\n<p>&#8220;Quando chega a segunda-feira, voc\u00ea come\u00e7a a trabalhar com uma energia totalmente diferente&#8221;, continua.<\/p>\n<p>Cerca de 200 anos atr\u00e1s, o naturalista Charles Darwin expressou sentimentos similares, ap\u00f3s visitar a Mata Atl\u00e2ntica pela primeira vez.<\/p>\n<p>&#8220;Deleite, no entanto, \u00e9 um termo sutil para expressar os sentimentos de um naturalista que, pela primeira vez, perambulou pela floresta brasileira&#8221;, escreveu Darwin em seu di\u00e1rio em 1832.<\/p>\n<p>Lahure diz apoiar a ideia de uma trilha transbrasileira, embora se preocupe que a floresta possa, um dia, atrair amantes da natureza em excesso.<\/p>\n<p>&#8220;Vivemos em uma cidade de seis milh\u00f5es de habitantes&#8221;, diz Lahure, em alus\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o do Rio. &#8220;Se todo mundo vier, a Floresta da Tijuca vai acabar&#8221;, completou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>AFP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Pedreira caminha com outros trilheiros sob a densa cobertura vegetal da Mata Atl\u00e2ntica, onde uma supertrilha de 8.000 km entre o Oiapoque (Amap\u00e1) e o Chu\u00ed (Rio Grande do Sul) come\u00e7a a ser explorada. &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o valoriza o que n\u00e3o conhece&#8221;, diz Pedreira, com a esperan\u00e7a de que a cria\u00e7\u00e3o de uma das mais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4121,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[710,180,975,944,974,976,977],"class_list":["post-4120","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-amazonia","tag-bolsonaro","tag-chui","tag-inpe","tag-mata-atlantica","tag-oiapoque","tag-wwf"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4120","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4120"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4120\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4122,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4120\/revisions\/4122"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4121"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4120"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4120"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4120"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}