{"id":4050,"date":"2019-08-04T19:28:52","date_gmt":"2019-08-04T22:28:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=4050"},"modified":"2019-08-04T19:28:52","modified_gmt":"2019-08-04T22:28:52","slug":"brasil-um-gigante-agricola-que-tropeca-nas-normas-ambientais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/brasil-um-gigante-agricola-que-tropeca-nas-normas-ambientais\/","title":{"rendered":"Brasil, um gigante agr\u00edcola que trope\u00e7a nas normas ambientais"},"content":{"rendered":"<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<p>O aumento crescente das exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas para a Europa suscita temores de um novo avan\u00e7o da fronteira agr\u00edcola no Brasil em detrimento da floresta amaz\u00f4nica e de outros ecossistemas amea\u00e7ados.<\/p>\n<p>No Brasil sob administra\u00e7\u00e3o do presidente Jair Bolsonaro, um not\u00f3rio c\u00e9tico do aquecimento global e defensor do agroneg\u00f3cio, monoculturas como a soja e a pecu\u00e1ria s\u00e3o as mais frequentemente encorajadas, em detrimento das pequenas produ\u00e7\u00f5es familiares de m\u00e9dio impacto ao meio ambiente.<\/p>\n<\/div>\n<p>Este avan\u00e7o, que ocorre devido a um modelo voltado \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, se d\u00e1 ao custo de um desmatamento maci\u00e7o na Amaz\u00f4nia e no Cerrado. Com cada vez mais conflitos com as comunidades tradicionais e tribos ind\u00edgenas, que t\u00eam seus territ\u00f3rios subtra\u00eddos, mas tamb\u00e9m consequ\u00eancias para o clima, alertam especialistas.<\/p>\n<p>O acordo de livre-com\u00e9rcio entre a Uni\u00e3o Europeia e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), que ainda deve ser ratificado pelos Estados-membros nos dois lados do Atl\u00e2ntico, poder\u00e1 estimular ainda mais estas exporta\u00e7\u00f5es. O texto prev\u00ea que os europeus se comprometam a n\u00e3o importar soja ou carne bovina proveniente de terras desmatadas, mas sua aplica\u00e7\u00e3o permanece confusa.<\/p>\n<p>O setor agropecu\u00e1rio foi respons\u00e1vel, sozinho, por dois ter\u00e7os (71%) das emiss\u00f5es de CO2 no Brasil em 2017 sobre um total de 2,07 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos, que tornam o pa\u00eds o s\u00e9timo maior emissor do mundo, segundo as \u00faltimas estimativas do SEEG (Sistema de Estimativas de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa).<\/p>\n<p>Este sistema, implantado pela ONG Observat\u00f3rio do Clima, leva em conta as emiss\u00f5es diretas, sobretudo as ligadas \u00e0s emiss\u00f5es de metano de bovinos, mas sobretudo as indiretas, relacionadas ao desmatamento, incluindo as queimadas.<\/p>\n<p>Pelo menos 46% das emiss\u00f5es brasileiras estimadas pelo SEEG prov\u00eam de &#8220;mudan\u00e7as no uso do solo&#8221;. Tradu\u00e7\u00e3o: imensas superf\u00edcies de floresta amaz\u00f4nica ou de Cerrado transformadas em terras agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>A maioria \u00e9 utilizada em um primeiro momento como pastagem para a pecu\u00e1ria, antes de ser transformada em campos de cultivo de soja, da qual o Brasil \u00e9 o maior exportador mundial, assim como de carne bovina.<\/p>\n<p>&#8211; Acordo de Paris em quest\u00e3o &#8211;<\/p>\n<p>&#8220;A carne bovina brasileira tem muito impacto ambiental. \u00c9 muito pouco produtiva, com apenas 0,7 ou 0,8 cabe\u00e7a de gado, em m\u00e9dia, por hectare&#8221;, critica Gerd Angelkorte, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE\/UFRJ).<\/p>\n<p>&#8220;Isto est\u00e1 fortemente ligado \u00e0 grilagem [apropria\u00e7\u00e3o ilegal] de terra, sobretudo no norte do Brasil, na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, onde o desmatamento precede a cria\u00e7\u00e3o de gado bovino&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>O pesquisador considera que o governo deveria ser mais firme para evitar a grilagem. Mas o governo Bolsonaro parece pouco inclinado a fazer a situa\u00e7\u00e3o avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Embora os pa\u00edses signat\u00e1rios do acordo UE-Mercosul tenham se comprometido de fato a respeitar o Acordo de Paris sobre o Clima, o chefe de Estado brasileiro j\u00e1 afirmou que ser\u00e1 imposs\u00edvel para o Brasil atender ao objetivo de reduzir em 43% as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa at\u00e9 2030 com rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de 2005.<\/p>\n<p>&#8220;A nossa (meta), n\u00e9? A gente n\u00e3o tem como cumprir, nem que pegue aqui agora 100 mil homens no campo e comece a reflorestar a partir de agora, at\u00e9 2030 n\u00e3o vai atingir essa meta&#8221;, afirmou o presidente Jair Bolsonaro no come\u00e7o de julho, \u00e0 margem da C\u00fapula do G20, em Osaka (Jap\u00e3o).<\/p>\n<p>&#8211; O paradoxo do agroneg\u00f3cio &#8211;<\/p>\n<p>Nada surpreendente da parte de algu\u00e9m que amea\u00e7ava tirar o Brasil do Acordo de Paris ap\u00f3s sua elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Quando eu vejo que sobre o Acordo de Paris h\u00e1 uma mudan\u00e7a de opini\u00e3o consider\u00e1vel do presidente brasileiro, pedimos que seja concretizada nas orienta\u00e7\u00f5es precisas. Pedimos para ver&#8221;, lembrou o ministro franc\u00eas das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Jean-Yves Le Drian.<\/p>\n<p>&#8220;O governo brasileiro n\u00e3o fez absolutamente nada para assegurar o respeito aos compromissos do Acordo de Paris&#8221;, condena Carlos Rittl, diretor do Observat\u00f3rio do Clima.<\/p>\n<p>Para Marcio Mastrini, coordenador de pol\u00edticas p\u00fablicas do Greenpeace Brasil, o texto final do Acordo de Paris deve comportar regras claras que estipulem a interdi\u00e7\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa de produtos advindos de desmatamento.<\/p>\n<p>Paradoxalmente, o agroneg\u00f3cio brasileiro representa uma das principais salvaguardas do governo Bolsonaro para evitar que seus produtos sejam mal vistos pelos consumidores europeus.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 preciso apenas ser sustent\u00e1vel, porque n\u00f3s somos, mas \u00e9 preciso mostrar tamb\u00e9m. Muitas vezes, a gente perde neg\u00f3cios por causa da imagem. Quem quer sair do Acordo de Paris \u00e9 porque nunca exportou nada&#8221;, explicou Luiz Cornacchioni, diretor da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Agroneg\u00f3cio (ABAG), em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo logo ap\u00f3s a chegada de Bolsonaro ao poder.<\/p>\n<p>AFP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aumento crescente das exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas para a Europa suscita temores de um novo avan\u00e7o da fronteira agr\u00edcola no Brasil em detrimento da floresta amaz\u00f4nica e de outros ecossistemas amea\u00e7ados. 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