{"id":3892,"date":"2019-07-08T15:12:28","date_gmt":"2019-07-08T18:12:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=3892"},"modified":"2019-07-08T15:12:28","modified_gmt":"2019-07-08T18:12:28","slug":"cubanos-idosos-esperam-viver-ate-120-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/cubanos-idosos-esperam-viver-ate-120-anos\/","title":{"rendered":"Cubanos idosos esperam viver at\u00e9 120 anos"},"content":{"rendered":"<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<p>Em frente ao espelho, Delia Barrios se maquia com blush e batom. Quer ficar bonita para festejar seus 102 anos, cercada por seus entes queridos, como acontece com muitos centen\u00e1rios cubanos, cuja longevidade intriga os especialistas.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o me sinto dessa idade porque tenho uma fam\u00edlia (&#8230;) que me ama muito, me ajuda a me sentir bem&#8221;, explica Delia, enquanto dirige habilmente sua cadeira de rodas el\u00e9trica, com sua tataraneta Patricia, de sete anos, sentada em seu colo.<\/p>\n<\/div>\n<p>No bolo de anivers\u00e1rio h\u00e1 somente duas velas. Delia as assopra entre os aplausos de cerca de trinta convidados, no p\u00e1tio do edif\u00edcio onde vive, no oeste de Havana.<\/p>\n<p>Aos 60 anos, os m\u00e9dicos lhe diagnosticaram um c\u00e2ncer de c\u00f3lon e deram a ela um ano de vida. Ela ignorou o progn\u00f3stico.<\/p>\n<p>Em 1993, em plena crise econ\u00f4mica na ilha, foi viver sozinha nos Estados Unidos, onde seu filho mora.<\/p>\n<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<div class=\"w50 right ml1\">\n<figure style=\"width: 443px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w100\" src=\"https:\/\/www.afp.com\/sites\/default\/files\/nfs\/diff-intra\/portugues\/jornal\/america-latina\/cd3b89d630b204047d64342ef8e2ea51f2aad83a.jpg\" alt=\"\" width=\"443\" height=\"295\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Cubana Delia Barroso, de 102 anos, sopra as velas durante seu anivers\u00e1rio em Havana, em 18 de maio de 2019. AFP \/ ADALBERTO ROQUE<\/figcaption><\/figure>\n<p><span class=\"copyright_under\"><br \/>\n<\/span><\/div>\n<p>Em 2013, &#8220;todas as semanas eu ca\u00eda, e ent\u00e3o a m\u00e9dica me disse: &#8216;voc\u00ea n\u00e3o pode continuar morando sozinha&#8221;, lembra Delia, que garante ter sido uma mulher &#8220;muito dan\u00e7ante&#8221; e que fumou e bebeu &#8220;moderadamente&#8221;.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o decidiu voltar \u00e0 ilha e agora vive com sua neta Yumi, de 59 anos.<\/p>\n<\/div>\n<p>Cuba, com 11,2 milh\u00e3o de habitantes, tem 2.070 centen\u00e1rios e uma expectativa de vida de 79,7 anos: cifras similares \u00e0s de pa\u00edses desenvolvidos, embora na ilha o sal\u00e1rio m\u00e9dio p\u00fablico n\u00e3o supere os 30 d\u00f3lares por m\u00eas.<\/p>\n<p>&#8211; Muito familiar &#8211;<\/p>\n<p>Na ilha, com uma alta densidade de m\u00e9dicos por habitantes e um sistema de sa\u00fade gratuito, o &#8220;Clube de 120 anos&#8221; anima os cubanos a chegar a essa idade vener\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8220;Biologicamente est\u00e1 demostrado que o homem pode viver de 120 a 125 anos&#8221;, afirma o m\u00e9dico Ra\u00fal Rodr\u00edguez, que preside essa institui\u00e7\u00e3o, criada 2003 pelo m\u00e9dico de Fidel Castro, Eugenio Selman-Housein.<\/p>\n<p>&#8220;O clube tenta estimular em toda a popula\u00e7\u00e3o estilos de vida saud\u00e1veis, que \u00e9 a \u00fanica forma de chegar a essa idade&#8221;, adverte Rodr\u00edguez.<\/p>\n<p>Como os aposentados costumam receber uma pens\u00e3o equivalente a 10 d\u00f3lares por m\u00eas, o Estado abriu bandej\u00f5es para aqueles que n\u00e3o podem complementar essa quantia com a ajuda de suas fam\u00edlias no exterior.<\/p>\n<p>Os centen\u00e1rios s\u00e3o os mais mimados. &#8220;Tentamos lhes dar, dentro do programa nacional do idoso, um seguimento muito especial&#8221;, explica a m\u00e9dica Alina Gonz\u00e1lez, do Centro de Pesquisas sobre a Longevidade (Cited).<\/p>\n<p>&#8220;Todos os centen\u00e1rios de Havana podem nos ligar em caso de problemas de sa\u00fade e imediatamente um geriatra os ver\u00e1&#8221;, explica Gonz\u00e1lez.<\/p>\n<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<div class=\"w50 left mr1\">\n<figure style=\"width: 373px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w100\" src=\"https:\/\/www.afp.com\/sites\/default\/files\/nfs\/diff-intra\/portugues\/jornal\/america-latina\/d6e829274667f04efb1a0d751b94a240ddbcc2c6.jpg\" alt=\"\" width=\"373\" height=\"473\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Aos 102 anos, a cubana Rigoberta Santovenia consegue ler jornal sem \u00f3culos. Foto: AFP \/ YAMIL LAGE<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Com rugas no rosto, Rigoberta Santovenia completou 102 anos em janeiro. &#8220;N\u00e3o pensei em chegar a essa idade e estou aqui&#8221;, brinca.<\/p>\n<p>Rigoberta, que caminha r\u00e1pido embora apoiada em uma bengala, cozinhava h\u00e1 at\u00e9 alguns, quando os m\u00e9dicos lhe aconselharam que deixasse de fazer a tarefa. Ela tamb\u00e9m n\u00e3o costura mais, mas pode colocar linha na agulha e ler o jornal sem \u00f3culos.<\/p>\n<\/div>\n<p>Qual \u00e9 o seu segredo? &#8220;Sou muito familiar, amo muito minha fam\u00edlia, meus filhos, meus netos, (e) tenho bisnetos, seis. Nunca estou sozinha, nunca&#8221;.<\/p>\n<p>Totalmente l\u00facida, lembra que tinha 40 anos no triunfo da revolu\u00e7\u00e3o de Fidel Castro em 1959. &#8220;Eu me adaptei a todos os governos&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Vive no bairro do Vedado com seu neto e sua filha Regla, de 68 anos, com quem divide a cama e cuida dela todos os dias.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 minha obriga\u00e7\u00e3o, porque ela me deu tudo. Agora tenho que recompens\u00e1-la&#8221;, disse Regla, convencida de que sua m\u00e3e &#8220;vai durar 120 anos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A bisav\u00f3 dela era escrava&#8221;, e &#8220;parece que esse sangue de escravo que ela tem \u00e9 mais forte, por isso dura tanto&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>&#8211; Manipula\u00e7\u00e3o &#8211;<\/p>\n<p>Essa longevidade cubana \u00e9 um desafio para especialistas.<\/p>\n<p>&#8220;O apoio da fam\u00edlia tende a favorecer a longevidade: isso se v\u00ea no Jap\u00e3o&#8221;, explica Robert Young, diretor do Grupo de Pesquisas sobre Gerontologia (GRG), dos Estados Unidos. O clima quente tamb\u00e9m ajuda, acrescenta.<\/p>\n<p>Afirmar que em um pa\u00eds se vive mais tempo do que em outro, \u00e9 tamb\u00e9m &#8220;utilizado com fins de propaganda ideol\u00f3gica&#8221;, aponta.<\/p>\n<p>Segundo Vincent Geloso, professor da Economia da King&#8217;s University College de Canad\u00e1 e autor de um artigo sobre o tema, os m\u00e9dicos cubanos &#8220;t\u00eam n\u00fameros a alcan\u00e7ar ou sofrem san\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>Geloso evoca a manipula\u00e7\u00e3o das estat\u00edsticas, de modo semelhante ao que ocorria na antiga URSS: as mortes neonatais s\u00e3o contadas como apenas mortes ao final da gravidez para n\u00e3o aumentar as taxas de mortalidade infantil, o que reduziria a expectativa de vida.<\/p>\n<p>Entretanto, destaca que &#8220;mesmo no pior cen\u00e1rio de manipula\u00e7\u00e3o, Cuba \u00e9 um pa\u00eds que tem alta expectativa de vida em compara\u00e7\u00e3o com seu n\u00edvel de renda&#8221;.<\/p>\n<p>Para explicar esse &#8220;paradoxo&#8221;, Geloso aponta, entre um coquetel de bons ingredientes, um fator inesperado: &#8220;Cuba tem uma das taxas mais baixas de posse de autom\u00f3veis&#8221;. No mundo, os acidentes de tr\u00e2nsito s\u00e3o uma das principais causas de morte.<\/p>\n<p>&#8220;E n\u00e3o \u00e9 porque os cubanos n\u00e3o gostam de dirigir, mas porque n\u00e3o podem comprar novos autom\u00f3veis&#8221;, adverte Geloso.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m cita restri\u00e7\u00f5es alimentares durante o &#8220;Per\u00edodo Especial&#8221; (crise econ\u00f4mica da d\u00e9cada de 1990) que reduziram a diabetes e as &#8220;medidas coercitivas de sa\u00fade p\u00fablica&#8221;, como a quarentena de soropositivos nos anos de 1980.<\/p>\n<p>&#8220;Cuba tem muito sucesso em manter as pessoas vivas por muito tempo&#8221;, disse Geloso. &#8220;Mas se oferec\u00eassemos aos cubanos a possibilidade de escolher entre um ano a mais de vida e, por exemplo, rendas mais altas ou outro tipo de educa\u00e7\u00e3o, o que escolheriam?&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>AFP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em frente ao espelho, Delia Barrios se maquia com blush e batom. 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