{"id":3702,"date":"2019-06-06T10:46:24","date_gmt":"2019-06-06T13:46:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=3702"},"modified":"2019-06-06T10:46:24","modified_gmt":"2019-06-06T13:46:24","slug":"brasil-teve-recorde-de-homicidios-em-2017-com-jovens-negros-entre-as-principais-vitimas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/brasil-teve-recorde-de-homicidios-em-2017-com-jovens-negros-entre-as-principais-vitimas\/","title":{"rendered":"Brasil teve recorde de homic\u00eddios em 2017 com jovens negros entre as principais v\u00edtimas"},"content":{"rendered":"<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<p>O Brasil registrou em 2017 um recorde de assassinatos, que teve como principais v\u00edtimas jovens negros e que pode se agravar com a flexibiliza\u00e7\u00e3o do controle de armas decretada pelo governo de Jair Bolsonaro, revela um relat\u00f3rio publicado nesta quarta-feira.<\/p>\n<p>No total, 65.602 pessoas foram assassinadas em 2017, m\u00e9dia de 31,6 homic\u00eddios por cada 100 mil habitantes, segundo o &#8220;Atlas da viol\u00eancia&#8221; realizado pelo Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas Aplicadas (IPEA), baseado em dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<\/div>\n<p>O aumento do n\u00famero anual de assassinatos foi de 36,1% a partir de 2007 e de 4,9% entre 2016 e 2017.<\/p>\n<p>&#8211; O risco de ser jovem e negro &#8211;<\/p>\n<p>&#8220;Homem jovem, solteiro, negro, com at\u00e9 sete anos de estudo e que esteja na rua nos meses mais quentes do ano entre 18h e 22h&#8221;. Este \u00e9 o perfil dos indiv\u00edduos com mais probabilidade de morte violenta intencional no Brasil, segundo o IPEA.<\/p>\n<p>O Instituto destaca que 59,1% das mortes de jovens com entre 15 e 19 anos \u00e9 provocada por assassinatos.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos matando a nossa juventude&#8221;, alertou o coordenador do relat\u00f3rio, Daniel Cerqueira.<\/p>\n<p>De 2007 a 2017, a taxa de negros v\u00edtimas de homic\u00eddios cresceu 33,1%, contra 3,3% entre os brancos. Dos 65.620 assassinatos registrados em 2017, 75% correspondiam a negros ou pardos.<\/p>\n<p>&#8220;Um dos grandes elementos que acho que caracteriza a sociedade brasileira \u00e9 o racismo. A gente n\u00e3o pode negar isso. Somos um pa\u00eds que convive h\u00e1 mais de 350 anos com a escravid\u00e3o negra e a gente vai olhar os reflexos disso na desigualdade educacional, de oportunidades&#8230;&#8221;, declarou Cerqueira.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio revela que tamb\u00e9m cresceu o n\u00famero de mulheres assassinadas: em 2017 foram 4.936, ou treze por dia, sendo 66% negras, o que representa um aumento de 30,7% desde 2007.<\/p>\n<p>O Atlas de 2017 aponta igualmente para um forte crescimento das den\u00fancias de homic\u00eddios contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTI, que passaram de 5 em 2011 para 193 em 2017.<\/p>\n<p>O custo desta viol\u00eancia galopante \u00e9 sideral: a soma dos gastos com seguran\u00e7a, indeniza\u00e7\u00f5es, atendimento m\u00e9dico e outros equivale a 6% do Produto Interno Bruto do Brasil, segundo o IPEA.<\/p>\n<p>&#8211; Novas rotas das drogas &#8211;<\/p>\n<p>No Norte e no Nordeste a taxa de homic\u00eddios atingiu os piores n\u00edveis, superando 60\/100.000 no Acre e no Alagoas, e 50\/100.000 no Par\u00e1, Pernambuco e Sergipe.<\/p>\n<p>Isto pode ser atribu\u00eddo &#8220;\u00e0 guerra entre fac\u00e7\u00f5es&#8221; que disputam novas rotas do tr\u00e1fico de coca\u00edna, tendo Bol\u00edvia e Peru como principais fornecedores, no lugar da Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Isto fez com que o Brasil assumisse gradualmente uma posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para o tr\u00e1fico de drogas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00c1frica e \u00e0 Europa&#8221;, destaca o relat\u00f3rio do IPEA.<\/p>\n<p>&#8211; Um tiro pela culatra? &#8211;<\/p>\n<p>Em 2018 e in\u00edcio de 2019, os n\u00fameros apontam uma queda no n\u00famero de assassinatos, mas isto pode &#8220;estar intrinsicamente ligado a um processo de acomoda\u00e7\u00e3o dessas escaramu\u00e7as&#8221; entre fac\u00e7\u00f5es do narcotr\u00e1fico, &#8220;uma vez que economicamente \u00e9 invi\u00e1vel manter uma guerra de maior intensidade durante anos a fio&#8221;.<\/p>\n<p>Bolsonaro flexibilizou por decreto a posse e o porte de armas para combater a criminalidade, mas o tiro pode sair pela culatra, adverte o pesquisador do IPEA.<\/p>\n<p>Cerqueira alerta para o risco de que o desmantelamento do Estatuto do Desarmamento de 2003 resulte em uma criminalidade ainda pior e espera que o Supremo Tribunal Federal anule os decretos de Bolsonaro.<\/p>\n<p>O presidente do IPEA, Carlos von Doellinger, declarou que discorda destas conclus\u00f5es, mas n\u00e3o interferiu na elabora\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio, segundo Cerqueira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>AFP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil registrou em 2017 um recorde de assassinatos, que teve como principais v\u00edtimas jovens negros e que pode se agravar com a flexibiliza\u00e7\u00e3o do controle de armas decretada pelo governo de Jair Bolsonaro, revela um relat\u00f3rio publicado nesta quarta-feira. 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