{"id":3412,"date":"2019-04-24T15:27:16","date_gmt":"2019-04-24T18:27:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=3412"},"modified":"2019-04-24T15:27:16","modified_gmt":"2019-04-24T18:27:16","slug":"indigenas-iniciam-em-brasilia-protesto-contra-politicas-de-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/indigenas-iniciam-em-brasilia-protesto-contra-politicas-de-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Ind\u00edgenas iniciam em Bras\u00edlia protesto contra pol\u00edticas de Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<p>Cerca de dois mil ind\u00edgenas acamparam nesta quarta-feira (24), em Bras\u00edlia, sob uma forte opera\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, iniciando tr\u00eas dias de manifesta\u00e7\u00f5es para denunciar a expans\u00e3o das atividades mineradoras e agropecu\u00e1rias favorecidas pelo presidente Jair Bolsonaro em detrimento de suas terras ancestrais.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 reunir cerca de 5 mil ind\u00edgenas na capital, durante tr\u00eas dias.<\/p>\n<\/div>\n<p>Apesar da tens\u00e3o, com a presen\u00e7a de dezenas de patrulhas e for\u00e7as de seguran\u00e7a ao redor do campo, os manifestantes come\u00e7aram suas atividades dan\u00e7ando e cantando para exigir for\u00e7a e invocar prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda era madrugada quando os l\u00edderes ind\u00edgenas come\u00e7aram a instalar seu &#8220;Acampamento Terra Livre&#8221; na Esplanada nos Minist\u00e9rios.<\/p>\n<p>Na semana passada, o ministro da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica, S\u00e9rgio Moro, ordenou \u00e0 For\u00e7a Nacional que refor\u00e7asse a vigil\u00e2ncia ao longo da Esplanada.<\/p>\n<p>&#8220;Nossas terras s\u00e3o sagradas. N\u00e3o \u00e0 minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas&#8221;, proclama um dos cartazes instalados diante do acampamento montado na frente do Congresso nacional.<\/p>\n<p>&#8220;Nossos direitos n\u00e3o s\u00e3o negoci\u00e1veis&#8221;, diz outro cartaz.<\/p>\n<p>&#8220;Viemos aqui por uma causa importante. Foi muito dif\u00edcil para n\u00f3s, nossos ancestrais, conquistar esses direitos e, pouco a pouco, eles est\u00e3o diminuindo. Viemos aqui para pedir mais respeito&#8221;, afirmou Camila Silveiro, de 22 anos, estudante do Ensino M\u00e9dio do grupo \u00e9tnico Kaingang, origin\u00e1ria do Paran\u00e1.<\/p>\n<p>&#8211; Terra, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o &#8211;<\/p>\n<p>O &#8220;Acampamento da Terra Livre&#8221; acontece desde 2004. Este ano, come\u00e7a em um clima de tens\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao governo Bolsonaro, que se manifestou repetidas vezes contra novas demarca\u00e7\u00f5es de terras ind\u00edgenas e em favor da expans\u00e3o das atividades econ\u00f4micas questionadas pelos povos nativos e pelos defensores do meio ambiente na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>O acampamento ficar\u00e1 na cidade at\u00e9 sexta e servir\u00e1 de espa\u00e7o para a exposi\u00e7\u00e3o das demandas das comunidades ind\u00edgenas, concentradas no direito \u00e0 terra, \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Desde 1\u00ba de janeiro [quando Bolsonaro assumiu o cargo], o governo atacou os povos ind\u00edgenas em todos os seus direitos, sendo um deles a educa\u00e7\u00e3o&#8221;, disse \u00e0 AFP Luana Kumaruara, 33 anos, natural do Par\u00e1 e professora de Antropologia.<\/p>\n<p>Luana, que est\u00e1 fazendo seu terceiro acampamento, lembrou que o primeiro ministro da Educa\u00e7\u00e3o de Bolsonaro, Ricardo V\u00e9lez (dispensado este m\u00eas), continuou dizendo que a universidade n\u00e3o era para todos, o que afetaria o acesso ao ensino superior, tradicionalmente com menos recursos.<\/p>\n<p>Na semana passada, Bolsonaro questionou a organiza\u00e7\u00e3o deste acampamento.<\/p>\n<p>&#8220;Vai acontecer um grande encontro de ind\u00edgenas na pr\u00f3xima semana. Dez mil ind\u00edgenas s\u00e3o esperados aqui em Bras\u00edlia, e quem pagar\u00e1 a conta pelos dez mil \u00edndios que v\u00eam? Voc\u00ea&#8221;, afirmou em uma transmiss\u00e3o ao vivo no Facebook.<\/p>\n<p>Essa afirma\u00e7\u00e3o foi imediatamente refutada pela Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (Apib), respons\u00e1vel pelo evento, que garantiu que a iniciativa \u00e9 financiada com campanhas pr\u00f3prias de capta\u00e7\u00e3o de recursos.<\/p>\n<p>&#8220;Como sempre, vamos continuar resistindo&#8221;, proclamou Sonia Guajajara, coordenadora executiva da Apib.<\/p>\n<p>Segundo dados oficiais, cerca de 800 mil ind\u00edgenas de 305 grupos \u00e9tnicos vivem no Brasil, um pa\u00eds com 209 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o brasileira determina que esses povos tenham o direito de usufruto exclusivo sobre as terras que ocupam, mas a demarca\u00e7\u00e3o \u00e9 amea\u00e7ada pela explora\u00e7\u00e3o madeireira ilegal, pela expans\u00e3o da pecu\u00e1ria e pelo avan\u00e7o da fronteira agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Pouco depois de sua elei\u00e7\u00e3o, Bolsonaro apontou para a continuidade dessa pol\u00edtica.<\/p>\n<p>&#8220;Por que manter os ind\u00edgenas isolados em reservas, como animais em um zool\u00f3gico?&#8221;, questionou.<\/p>\n<p>&#8220;Como n\u00f3s, eles querem evoluir, querem ter m\u00e9dicos, dentistas, acesso \u00e0 Internet, viajar de avi\u00e3o&#8221;, afirmou ainda<\/p>\n<p>AFP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cerca de dois mil ind\u00edgenas acamparam nesta quarta-feira (24), em Bras\u00edlia, sob uma forte opera\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, iniciando tr\u00eas dias de manifesta\u00e7\u00f5es para denunciar a expans\u00e3o das atividades mineradoras e agropecu\u00e1rias favorecidas pelo presidente Jair Bolsonaro em detrimento de suas terras ancestrais. 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