{"id":3007,"date":"2019-03-11T10:29:23","date_gmt":"2019-03-11T13:29:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=3007"},"modified":"2019-03-11T10:29:23","modified_gmt":"2019-03-11T13:29:23","slug":"venezuelanos-correm-contra-o-tempo-para-salvar-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/venezuelanos-correm-contra-o-tempo-para-salvar-alimentos\/","title":{"rendered":"Venezuelanos correm contra o tempo para salvar alimentos"},"content":{"rendered":"<div class=\"article_content line linemam mb2\">\n<div class=\"w75 right txt12 txtlh18 txtblack txtjustify textcontent\">\n<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<p>Os venezuelanos assistem, impotentes, aos alimentos apodrecerem, e travam uma corrida contra o tempo para salvar o que lhes resta em congeladores de resid\u00eancias e restaurantes, devido ao apag\u00e3o nacional que completou tr\u00eas dias neste domingo.<\/p>\n<p>Vicente Fern\u00e1ndez, 54, n\u00e3o abre o congelador de sua casa desde a tarde de quinta-feira. &#8220;Na minha resid\u00eancia, a luz n\u00e3o voltou nem por um minuto, deve estar tudo podre&#8221;, lamenta o comerciante, enquanto pede um cacho de bananas &#8220;bem verdes&#8221; em um mercado da capital, que funciona na penumbra, com pescarias, leiterias e a\u00e7ougues fechados ou com as geladeiras vazias.<\/p>\n<\/div>\n<p>Fern\u00e1ndez optou por comprar apenas o necess\u00e1rio para cada dia, com um agravante: os comerciantes locais s\u00f3 aceitam pagamento em dinheiro, muito escasso na Venezuela, onde a maioria das transa\u00e7\u00f5es \u00e9 eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s convencer o vendedor de que faria uma transfer\u00eancia banc\u00e1ria, o homem mostra cansa\u00e7o: &#8220;Que nos mandem os marines de uma vez!&#8221;, pede, referindo-se a uma poss\u00edvel interven\u00e7\u00e3o militar americana para tirar o presidente Nicol\u00e1s Maduro do poder.<\/p>\n<p>Assim como os rem\u00e9dios e outros artigos b\u00e1sicos, o acesso a alimentos \u00e9 limitado no pa\u00eds petroleiro, devido ao desabastecimento e ao alto custo causado pela hiperinfla\u00e7\u00e3o, que o FMI projeta em 10.000.000% para 2019. A comida tornou-se, assim, um dos bens mais valorizados durante a crise, quando o sal\u00e1rio m\u00ednimo d\u00e1 para comprar apenas dois quilos de carne.<\/p>\n<p>Muitas pessoas perderam peso. &#8220;Agora n\u00e3o importa se \u00e9 caro, e sim, comer. Temos que sair desta loucura, este governo n\u00e3o serve para nada, roubaram o dinheiro para manter a infraestrutura&#8221;, denuncia.<\/p>\n<p>&#8211; &#8216;M\u00e3os peludas&#8217;-<\/p>\n<p>Em uma mesa de seu restaurante, localizado em outro mercado de Caracas, Libia Arraiz espera que a comida que mant\u00e9m refrigerada n\u00e3o estrague. Diz que, se a luz n\u00e3o voltar, perder\u00e1 carne, frango e peixe para uma semana.<\/p>\n<p>&#8220;Ai, meu Deus! Terei que tir\u00e1-la e d\u00e1-la, porque vend\u00ea-la ser\u00e1 imposs\u00edvel. Ou distribu\u00ed-la entre a fam\u00edlia, para que n\u00e3o se perca tudo&#8221;, diz a mulher, 60, emocionada. No momento, prepara com os colegas do mercado caf\u00e9s da manh\u00e3 e almo\u00e7os comunit\u00e1rios. Cada um traz o que pode, para salvar algo como &#8220;estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Isto \u00e9 obra das m\u00e3os peludas que est\u00e3o metidas no pa\u00eds. As pessoas da oposi\u00e7\u00e3o dizem, com descaramento, que tudo isto \u00e9 necess\u00e1rio para que possam tomar o poder, mas afeta todos n\u00f3s&#8221;, critica Libia, culpando pela &#8220;sabotagem&#8221; o l\u00edder parlamentar Juan Guaid\u00f3.<\/p>\n<p>&#8220;Ele diz que vem coisa pior, que tem outra surpresa. Essa gente n\u00e3o tem consci\u00eancia, s\u00e3o terroristas de verdade&#8221;, reclama a mulher, referindo-se a advert\u00eancias de Guaid\u00f3 de que v\u00eam pela frente &#8220;dias dif\u00edceis&#8221;, com um poss\u00edvel desabastecimento de gasolina.<\/p>\n<p>&#8211; &#8216;Nem para distribuir&#8217; &#8211;<\/p>\n<p>Um porco de 80 quilos chega, para a surpresa de muitos, ao a\u00e7ougue onde trabalha Henry Sosa, que o levar\u00e1 para casa, na vizinha Guarenas, onde o fornecimento de energia \u00e9 intermitente, assim como em outras regi\u00f5es do pa\u00eds. Sosa conta que perdeu metade de sua mercadoria. &#8220;N\u00e3o deu nem para distribuir. Quem vai comer carne podre?&#8221;, reclama.<\/p>\n<p>A crise \u00e9 aproveitada por alguns para fazer dinheiro extra. No setor de El Cafetal, em Caracas, um caminh\u00e3o vende pequenos sacos de gelo por tr\u00eas d\u00f3lares, que vizinhos, como Mar\u00eda Ribas, pagam com dinheiro enviado do exterior por parentes.<\/p>\n<p>Outros, como Mar\u00eda Mendoza, vendem mam\u00f5es e melancias que em breve estragar\u00e3o, abrindo m\u00e3o do lucro e vendendo as frutas a pre\u00e7o de custo, &#8220;pelo menos para n\u00e3o perder todo o investimento por causa desta sabotagem e bloqueio dos Estados Unidos&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article_content_meta w25 left pr3 pl3 hidem\">\n<div class=\"article_content_date line mb2\"><span class=\"d\">AFP<\/span><\/div>\n<div class=\"line mb2 addthis_toolbox addthis_default_style txw_v_addthis \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os venezuelanos assistem, impotentes, aos alimentos apodrecerem, e travam uma corrida contra o tempo para salvar o que lhes resta em congeladores de resid\u00eancias e restaurantes, devido ao apag\u00e3o nacional que completou tr\u00eas dias neste domingo. 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