{"id":2633,"date":"2018-12-28T08:20:44","date_gmt":"2018-12-28T11:20:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=2633"},"modified":"2018-12-28T08:20:44","modified_gmt":"2018-12-28T11:20:44","slug":"intervencao-federal-na-seguranca-do-rio-termina-com-balanco-mitigado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/intervencao-federal-na-seguranca-do-rio-termina-com-balanco-mitigado\/","title":{"rendered":"Interven\u00e7\u00e3o federal na seguran\u00e7a do Rio termina com balan\u00e7o mitigado"},"content":{"rendered":"<div class=\"article_content line linemam mb2\">\n<div class=\"w75 right txt12 txtlh18 txtblack txtjustify textcontent\">\n<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<p>O estado do Rio de Janeiro vai recuperar o controle das tarefas de Seguran\u00e7a P\u00fablica no pr\u00f3ximo dia 31, depois de dez meses de uma interven\u00e7\u00e3o federal que reduziu alguns \u00edndices de viol\u00eancia, mas provocou um aumento no n\u00famero de mortos em opera\u00e7\u00f5es policiais.<\/p>\n<p>&#8220;Temos a convic\u00e7\u00e3o de que trilhamos um caminho dif\u00edcil e incerto, mas cumprimos a miss\u00e3o&#8221;, declarou nesta quinta-feira (27) o general Walter Souza Braga Netto, interventor federal nomeado em meados de fevereiro.<\/p>\n<\/div>\n<p>Esta dr\u00e1stica medida foi tomada pelo presidente Michel Temer, ao considerar que a viol\u00eancia havia sobrecarregado as autoridades fluminenses.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o chega ao fim em 31 de dezembro, conforme o previsto, coincidindo com o fim dos mandatos dos governos federal e estadual.<\/p>\n<p>Mas o governador eleito, Wilson Witzel, j\u00e1 afirmou que n\u00e3o vai diminuir a press\u00e3o sobre os narcotraficantes e que poderia, inclusive, recorrer a atiradores de elite para combat\u00ea-los.<\/p>\n<p>Uma pol\u00edtica que se alinha \u00e0 do presidente eleito, Jair Bolsonaro, que prometeu flexibilizar o porte de armas para combater a criminalidade em um pa\u00eds que registrou 63.880 homic\u00eddios em 2017.<\/p>\n<p>&#8211; Menos homic\u00eddios, mais mortos &#8211;<\/p>\n<p>De mar\u00e7o a novembro, com as For\u00e7as Armadas no comando das opera\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a, o n\u00famero de homic\u00eddios caiu 6% com rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado, com redu\u00e7\u00f5es significativas nos quatro \u00faltimos meses, segundo dados do Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica (ISP).<\/p>\n<p>Mesmo assim, o n\u00famero de assassinatos continua assustador: 3.686, contra 3.919 no per\u00edodo de mar\u00e7o a dezembro de 2017.<\/p>\n<p>O n\u00famero de pessoas mortas em opera\u00e7\u00f5es policiais, ao contr\u00e1rio, subiu 38% (1.185, contra 859).<\/p>\n<div class=\"line textcontent_img watermark\">\n<div class=\"w50 right ml1\">\n<figure style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w100\" src=\"https:\/\/www.afp.com\/sites\/default\/files\/nfs\/diff-intra\/portugues\/jornal\/america-latina\/37f023c5240b06f3eeb49171739bde45e1c3bf41.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Jovens choram durante funeral da vereadora do PSOL assassinada em 14 de mar\u00e7o de 2018 no centro do Rio de Janeiro\/AFP\/Arquivos \/ Mauro Pimentel<\/figcaption><\/figure>\n<p><span class=\"copyright_under\"><br \/>\n<\/span><\/div>\n<p>Somando os dois balan\u00e7os, o total de mortes violentas nesses nove meses totaliza 4.871, 2% a mais que no mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n<p>O n\u00famero de policiais mortos, muito deles em latroc\u00ednios, foi de 94, contra 134 um ano antes.<\/p>\n<\/div>\n<p>&#8211; &#8220;Gratifica\u00e7\u00e3o &#8216;faroeste'&#8221; &#8211;<\/p>\n<p>&#8220;Os interventores est\u00e3o fazendo muita publicidade a respeito dos n\u00fameros em rela\u00e7\u00e3o a roubo de carga, alguns crimes contra o patrim\u00f4nio. Mas no crime contra a vida, que \u00e9 o crime mais grave, houve redu\u00e7\u00f5es de um m\u00eas comparado com outro nesses \u00faltimos meses, mas o importante \u00e9 o acumulado. No acumulado n\u00e3o houve redu\u00e7\u00e3o&#8221;, diz a soci\u00f3loga Julita Lemgruber, coordenadora do Centro de Estudos de Cidadania na Universidade Candido Mendes (CESeC).<\/p>\n<p>Se levado em conta desde janeiro, houve 1.444 pessoas mortas por policiais, quase quatro por dia, um recorde desde que o ISP come\u00e7ou a realizar esta estat\u00edstica, em 1999. Um balan\u00e7o que deve aumentar, quando forem divulgados os n\u00fameros de dezembro.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos voltando, em termos de letalidade da a\u00e7\u00e3o policial, no patamar dos anos 90, quando havia uma gratifica\u00e7\u00e3o, chamada gratifica\u00e7\u00e3o faroeste, que era para estimular a viol\u00eancia. Os pr\u00eamios por bravura eram os pr\u00eamios para os policiais que matavam mais&#8221;, adverte Julita Lemgruber.<\/p>\n<p>A maior parte das v\u00edtimas da viol\u00eancia no Rio \u00e9 de moradores das favelas, onde mora um quarto da popula\u00e7\u00e3o, em condi\u00e7\u00f5es geralmente insalubres e sob o dom\u00ednio de quadrilhas de traficantes de drogas ou mil\u00edcias parapoliciais.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 inaceit\u00e1vel que a vida esteja t\u00e3o pouco valorizada quando se trata da vida do morador de favela, do garoto negro, pobre&#8221;, que possa estar &#8220;envolvido com varejo das drogas&#8221;, destaca a soci\u00f3loga.<\/p>\n<p>Segundo o ISP, 97% das pessoas mortas pela Pol\u00edcia este ano eram homens, 77% negros ou pardos e 35% jovens de 18 a 29 anos.<\/p>\n<p>&#8220;Essa interven\u00e7\u00e3o \u00e9 mais pol\u00edtica do que efetiva, ent\u00e3o eu acho que nada mudou&#8221;, afirma Jos\u00e9 Luiz, estilista morador da Rocinha, a maior favela do Rio.<\/p>\n<p>&#8211; Drones e franco-atiradores &#8211;<\/p>\n<p>O aplicativo Fogo Cruzado, que registra tiroteios no Rio, contabilizou 8.237 desde o in\u00edcio da interven\u00e7\u00e3o at\u00e9 15 de dezembro contra 5.238 no mesmo per\u00edodo de 2017.<\/p>\n<p>Em 30 de novembro, a Justi\u00e7a abriu uma investiga\u00e7\u00e3o por den\u00fancias de torturas supostamente cometidas por militares.<\/p>\n<p>Um informe oficial enumerou 500 den\u00fancias de atos contra os direitos humanos, inclusive v\u00e1rias acusa\u00e7\u00f5es de viola\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A partir de 1\u00ba de janeiro, o governador Witzel assumir\u00e1 as tarefas de Seguran\u00e7a P\u00fablica, sem a tutela dos militares. Mas a press\u00e3o deve permanecer.<\/p>\n<p>Entre suas propostas mais pol\u00eamicas est\u00e1 o treinamento de atiradores de elite, autorizados a matar pessoas que ostentarem armas de grosso calibre nas favelas.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m estuda o uso de drones fabricados em Israel para abater do alto supostos narcotraficantes.<\/p>\n<p>AFP<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article_content_meta w25 left pr3 pl3 hidem\">\n<div class=\"line mb2 addthis_toolbox addthis_default_style txw_v_addthis \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estado do Rio de Janeiro vai recuperar o controle das tarefas de Seguran\u00e7a P\u00fablica no pr\u00f3ximo dia 31, depois de dez meses de uma interven\u00e7\u00e3o federal que reduziu alguns \u00edndices de viol\u00eancia, mas provocou um aumento no n\u00famero de mortos em opera\u00e7\u00f5es policiais. &#8220;Temos a convic\u00e7\u00e3o de que trilhamos um caminho dif\u00edcil e incerto, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2634,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[507,506],"class_list":["post-2633","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-intervencao-federal","tag-rio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2633","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2633"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2633\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2635,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2633\/revisions\/2635"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2634"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}