{"id":2080,"date":"2018-10-29T00:14:03","date_gmt":"2018-10-29T03:14:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=2080"},"modified":"2018-10-29T00:14:03","modified_gmt":"2018-10-29T03:14:03","slug":"bolsonaro-abre-a-era-da-extrema-direita-na-presidencia-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/bolsonaro-abre-a-era-da-extrema-direita-na-presidencia-do-brasil\/","title":{"rendered":"Bolsonaro abre a era da extrema direita na presid\u00eancia do Brasil"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/10\/28\/politica\/1540726440_575241.html\">O Brasil ser\u00e1 governado<\/a>\u00a0por Jair Bolsonaro a partir de janeiro de 2019. Venceu o candidato que liderou a corrida presidencial desde o in\u00edcio, e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/10\/28\/politica\/1540760974_028773.html?rel=str_articulo#1540771600831\">ser\u00e1 o 38\u00b0 presidente eleito democraticamente<\/a>\u00a0no pa\u00eds.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/10\/28\/politica\/1540747621_166034.html\">Prevaleceu o desejo da altern\u00e2ncia de poder<\/a>, e de arriscar o novo. Tudo menos a volta do PT ao poder, como ficou claro na \u00faltima pesquisa Datafolha que mostrou seu advers\u00e1rio Fernando Haddad com um taxa de rejei\u00e7\u00e3o maior que a sua. Com\u00a0 55,21% dos votos, ou quase 57 milh\u00f5es de votos, o capit\u00e3o da reserva, que assume o figurino da extrema direita no poder, conseguiu \u2018fuzilar\u2019 seu advers\u00e1rio nas urnas, e sobreviver aos movimentos de rep\u00fadio que seu nome suscitou, como o #Elen\u00e3o, que levou centenas de milhares \u00e0s ruas no final de setembro.<\/p>\n<p>Nunca uma elei\u00e7\u00e3o havia provocado\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/10\/28\/opinion\/1540732881_251680.html?rel=str_articulo#1540771849296\">tanta ang\u00fastia, medo e raiva<\/a>, com uma viol\u00eancia que atingiu o pr\u00f3prio candidato. Ele quase perdeu\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/06\/politica\/1536262864_321361.html\">a vida ap\u00f3s o ataque com faca que lhe furou o intestino<\/a>\u00a0em um ato de campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais no dia 6 de setembro. O Brasil teve ainda dois eleitores mortos por quem hostilizava o PT, um sentimento que marcou como nunca o pleito. Um na Bahia, e outro no Cear\u00e1. Foi o estresse que se estabeleceu num pa\u00eds que vive uma crise de identidade desde que a Lava Jato escancarou as entranhas do sistema pol\u00edtico brasileiro. Foi nessa brecha que Bolsonaro se embrenhou, como o candidato antissistema, mesmo sendo deputado por 28 anos, tendo passado tempo em partidos que depois foram acusados de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O estilo do novo presidente j\u00e1 ficou claro quando foi votar. Seguiu com um casaco verde da cor do Ex\u00e9rcito, e um colete a prova de balas, cercado de seguran\u00e7as. Levar\u00e1 militares para seu minist\u00e9rio e promete seguir a disciplina do Ex\u00e9rcito para realizar o seu projeto de pa\u00eds. \u201cMiss\u00e3o dada \u00e9 miss\u00e3o a ser cumprida\u201d, disse ele durante um Live assim que o resultado da elei\u00e7\u00e3o foi confirmado. Outro momento deste domingo que marca o perfil do novo presidente: antes de sair a p\u00fablico para fazer pronunciamento, entregou o microfone ao senador Magno Malta, que \u00e9 tamb\u00e9m pastor evang\u00e9lico. Ao lado da sua mulher, Michele, e de m\u00e3os dadas com toda a sua\u00a0<em style=\"font-weight: inherit;\">entourage<\/em>, o novo presidente do Brasil acompanhou de olhos fechados uma esp\u00e9cie de ora\u00e7\u00e3o conduzida por Malta. \u201cCome\u00e7amos esta jornada orando&#8230; os tent\u00e1culos da esquerda n\u00e3o seriam arrancados sem um apelo a Deus\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Em seguida, fez um discurso de tom mais conciliador, num momento em que o mundo estava com os olhos ligados no Brasil. \u201cLiberdade \u00e9 um princ\u00edpio fundamental. Liberdade de ir e vir, de andar nas ruas, liberdade de empreender, liberdades pol\u00edtica e religiosa, de fazer escolhas e ser respeitados por elas\u201d, discursou.<\/p>\n<p>De fala rude, e estilo conservador, Bolsonaro foi questionado ao longo de toda a sua campanha por suas falar horr\u00edveis e insens\u00edveis para ferir seus interlocutores no passado. Nada derrubou o capit\u00e3o da reserva que j\u00e1 esteve preso por desrespeitar o pr\u00f3prio Ex\u00e9rcito. Tudo o que ele disse foi minimizado por ele e seus\u00a0 quase 58 milh\u00f5es de eleitores. O novo presidente promete fazer uma guinada no Brasil que votou pela altern\u00e2ncia do poder e deu um recado de intoler\u00e2ncia com a corrup\u00e7\u00e3o e os pol\u00edticos que j\u00e1 estiveram no poder. Abra\u00e7a uma agenda dos evang\u00e9licos, dos ruralistas e da bancada da bala, o bloco conhecido como BBB do Congresso, e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/10\/25\/politica\/1540492582_023914.html\">vai testar os limites do Judici\u00e1rio<\/a>\u00a0para pautas que pareciam superadas no Brasil. \u00c9 o caso da libera\u00e7\u00e3o de armas, que hoje \u00e9 rejeitada pela maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tem um caminho \u00e1rduo pela frente diante da euforia que seu nome criou entre os eleitores. H\u00e1 uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/10\/26\/economia\/1540567816_912827.html?rel=mas\">ansiedade para que a economia<\/a>\u00a0seja retomada depois de quatro anos p\u00edfios \u2013 recess\u00e3o em 2015 e 2016, e recupera\u00e7\u00e3o p\u00edfia em 2017 e 2018. Os quase 13 milh\u00f5es de desempregados esperam que a agenda do futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, traga solu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas e a confian\u00e7a para que as empresas voltem a investir. \u201cFalaremos com o seringueiro da selva amaz\u00f4nica e o empreendedor que cria sua empresa\u201d, afirmou Bolsonaro.<\/p>\n<p>Mas o futuro presidente ainda n\u00e3o deixou claro qual ser\u00e1 sua forma de comunica\u00e7\u00e3o com a sociedade brasileira. Antes do discurso transmitido pelas televis\u00f5es, ele falou por um Live no Facebook com seus seguidores e usou o estilo agressivo que o caracteriza. &#8220;N\u00e3o poder\u00edamos mais ficar flertando com o socialismo, o comunismo, o populismo e o extremismo da esquerda&#8221;, afirmou, e lembrou: \u201cNossa bandeira, nosso slogan, eu fui buscar naquilo que muitos chamam de caixa de ferramentas para consertar o homem e a mulher, a B\u00edblia sagrada.\u201d<\/p>\n<p>A partir de agora, o Brasil come\u00e7a a conhecer o mandat\u00e1rio que j\u00e1 teve arroubos como de tirar o Brasil da ONU, ou de aumentar o n\u00famero de ministros do Supremo. Ele e seus emiss\u00e1rios extrapolam em seus recados, at\u00e9 mesmo chocam, para depois se corrigirem. \u201cU\u00e9, n\u00e3o estava quase empatado? Voc\u00eas s\u00e3o o maior do engodo do jornalismo do Brasil. LIXO!\u201d, escreveu o assessor de imprensa atual do gabinete do deputado e futuro mandat\u00e1rio, em mensagem por whatsapp para dezenas de jornalistas que cobrem pol\u00edtica em Bras\u00edlia logo ap\u00f3s o resultado da pesquisa de boca de urna que o colocava mais de dez pontos \u00e0 frente de Haddad.<\/p>\n<p>Seria o pren\u00fancio do que ser\u00e1 a comunica\u00e7\u00e3o com o Governo de Bolsonaro? A medir pela queda de bra\u00e7o que ele j\u00e1 estabeleceu com a Folha de S\u00e3o Paulo, por publicar uma mat\u00e9ria sobre empres\u00e1rios que pagavam por\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/10\/25\/politica\/1540421807_567942.html\">mensagens via Whatsapp para favorecer o candidato<\/a>\u00a0\u2013 o que configura crime \u2014 a resposta parece afirmativa. Bolsonaro entrou com uma a\u00e7\u00e3o contra o jornal e seus acionistas e contra a rep\u00f3rter que escreveu a mat\u00e9ria no Tribunal Superior Eleitoral. O jornal recebeu 220.000 mensagens intimidat\u00f3rias por causa da reportagem.<\/p>\n<p>Alheios a esses bastidores, seus eleitores celebraram com fogos, e buzina\u00e7os em v\u00e1rias partes do Brasil quando seu nome foi confirmado. A campanha do PT para firmar uma mensagem de que a democracia estava em risco foi derrotada. Os eleitores de Bolsonaro n\u00e3o permitiram que os petistas se apropriassem dessa ret\u00f3rica e apontaram o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e a necessidade de altern\u00e2ncia de poder para justificar seus votos. Em um col\u00e9gio no bairro de Boa Viagem, no Recife, onde ocorreram os atos pr\u00f3-Bolsonaro, a advogada Ana Guerra, 41, se dizia esperan\u00e7osa com um governo do capit\u00e3o reformado. &#8220;Acho que vai ser tudo diferente. Acredito em um pa\u00eds melhor e sem corrup\u00e7\u00e3o&#8221;, diz, vestindo uma camiseta amarela com a foto de Bolsonaro nas costas. &#8220;E acho a altern\u00e2ncia de poder importante. Passamos muitos anos com PT e vimos que n\u00e3o deu certo. Est\u00e3o todos [os dirigentes] presos ou respondendo a algum processo. Bolsonaro pelo menos n\u00e3o \u00e9 corrupto&#8221;.<\/p>\n<p>Carla JIM\u00c9NEZ &#8211; El Pa\u00eds<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil ser\u00e1 governado\u00a0por Jair Bolsonaro a partir de janeiro de 2019. Venceu o candidato que liderou a corrida presidencial desde o in\u00edcio, e\u00a0ser\u00e1 o 38\u00b0 presidente eleito democraticamente\u00a0no pa\u00eds.\u00a0Prevaleceu o desejo da altern\u00e2ncia de poder, e de arriscar o novo. 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