{"id":1993,"date":"2018-10-17T20:05:41","date_gmt":"2018-10-17T23:05:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=1993"},"modified":"2018-10-17T20:05:41","modified_gmt":"2018-10-17T23:05:41","slug":"quem-cuida-merece-respeito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/quem-cuida-merece-respeito\/","title":{"rendered":"Quem cuida merece respeito"},"content":{"rendered":"<p>\/\/Existe uma epidemia na sa\u00fade que \u00e9 invis\u00edvel aos olhos da sociedade. Eu n\u00e3o estou me referindo \u00e0 dengue ou \u00e0 gripe, tampouco \u00e0 febre amarela. Eu me refiro aos cerca de 80% de profissionais de enfermagem que sofrem ou j\u00e1 sofreram agress\u00e3o durante o exerc\u00edcio profissional. Esta realidade \u00e9 considerada uma epidemia pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade(OMS) e traz s\u00e9rias consequ\u00eancias \u00e0 assist\u00eancia oferecida nas institui\u00e7\u00f5es. Este dado alarmante foi revelado por uma sondagem que realizamos entre os inscritos do Conselho Regional de Enfermagem de S\u00e3o Paulo (Coren-SP), em agosto de 2018, e que contou com a participa\u00e7\u00e3o de 4.107 entrevistados. Entre aqueles que afirmaram j\u00e1 terem sofrido viol\u00eancia no local de trabalho, 66% foram v\u00edtimas de agress\u00e3o praticada por pacientes, acompanhantes ou seus familiares. Os motivos mais recorrentes est\u00e3o relacionados ao atendimento na institui\u00e7\u00e3o (demora para atendimento e filas para exames e consultas) e \u00e0 estrutura, como falta de medicamentos, leitos ou profissionais. O que isso significa? Que os trabalhadores da enfermagem est\u00e3o sendo penalizados pela m\u00e1 gest\u00e3o e subfinanciamento da sa\u00fade. Os usu\u00e1rios descontam naqueles que est\u00e3o na linha de frente do atendimento a sua insatisfa\u00e7\u00e3o com os servi\u00e7os, o que configura uma grande injusti\u00e7a social. De fato, a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma v\u00edtima que sofre com a priva\u00e7\u00e3o de um direito b\u00e1sico e constitucional, que \u00e9 o acesso \u00e0 sa\u00fade integral. Por\u00e9m, a enfermagem n\u00e3o pode ser responsabilizada por uma realidade que est\u00e1 muito al\u00e9m de suas compet\u00eancias profissionais. A pesquisa que realizamos tamb\u00e9m revelou dados alarmantes sobre a falta de preparo das institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e aus\u00eancia de fluxos de acolhimento e prote\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas. Entre os participantes que sofreram viol\u00eancia, 60% afirmaram que o seu local de trabalho n\u00e3o possui pol\u00edticas de apoio aos agredidos. A falta de amparo se torna um obst\u00e1culo \u00e0 den\u00fancia e isso gera um cen\u00e1rio de subnotifica\u00e7\u00e3o, conforme mostra a sondagem: 77% n\u00e3o denunciaram a viol\u00eancia sofrida. Entre os motivos est\u00e3o a falta de apoio, a sensa\u00e7\u00e3o de impunidade, o medo de perder o emprego e o receio de uma nova agress\u00e3o. J\u00e1 entre os que denunciaram, mais de 60% revelam n\u00e3o ter tido qualquer resultado. A situa\u00e7\u00e3o traz preju\u00edzos inestim\u00e1veis para a vida dos profissionais e para a qualidade da assist\u00eancia, ocasionando altas taxas de absente\u00edsmo e presente\u00edsmo, decorrentes do esgotamento emocional, psicol\u00f3gico e f\u00edsico dos trabalhadores e, consequentemente, preju\u00edzos ao atendimento.<\/p>\n<p>Esta gest\u00e3o do Coren-SP, a qual tenho muito orgulho de conduzir, n\u00e3o passar\u00e1 indiferente \u00e0 tal realidade. Lan\u00e7amos mais uma edi\u00e7\u00e3o da campanha \u201cViol\u00eancia N\u00e3o Resolve\u201d, visando conscientizar a sociedade sobre a import\u00e2ncia do respeito e solidariedade em rela\u00e7\u00e3o aos profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, tamb\u00e9m estamos focando nas autoridades. Protocolei um of\u00edcio na Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Estado de S\u00e3o Paulo, solicitando uma reuni\u00e3o para mostrar os dados da nossa pesquisa e reivindicar a implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que garantam a prote\u00e7\u00e3o e acolhimento das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m reformulamos a din\u00e2mica da fiscaliza\u00e7\u00e3o, atividade-fim do Coren- -SP. Estamos avan\u00e7ando na implanta\u00e7\u00e3o do dimensionamento adequado das equipes de enfermagem por meio do di\u00e1logo e cobran\u00e7a de medidas que fa\u00e7am com que as institui\u00e7\u00f5es garantam a seguran\u00e7a dos pacientes e as condi\u00e7\u00f5es de trabalho para a enfermagem, al\u00e9m das oficinas realizadas pelos nossos fiscais.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos curvaremos perante o desmonte do SUS e o tratamento dos servi\u00e7os de sa\u00fade como mercadoria. Seguiremos denunciando as pol\u00edticas ineficientes de gest\u00e3o e o subfinanciamento, pois o Coren-SP, assim como a enfermagem, defende a consolida\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios b\u00e1sicos do SUS, que s\u00e3o a integralidade, a universalidade e a equidade.<\/p>\n<p>A partir desta triste realidade revelada pela sondagem do Conselho, fa\u00e7o um apelo \u00e0 sociedade e \u00f3rg\u00e3os governamentais: vamos focar os nossos esfor\u00e7os e indigna\u00e7\u00e3o na luta por uma sa\u00fade digna para todas e todos. A enfermagem e demais categorias de profissionais s\u00e3o aliados da popula\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o de uma assist\u00eancia de qualidade e universal. Esses \u00e9 o nosso compromisso e miss\u00e3o. Estamos juntos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\/\/Existe uma epidemia na sa\u00fade que \u00e9 invis\u00edvel aos olhos da sociedade. Eu n\u00e3o estou me referindo \u00e0 dengue ou \u00e0 gripe, tampouco \u00e0 febre amarela. 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