{"id":12633,"date":"2026-07-27T20:53:16","date_gmt":"2026-07-27T23:53:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=12633"},"modified":"2026-07-27T20:53:16","modified_gmt":"2026-07-27T23:53:16","slug":"lula-defende-brasil-no-washington-post","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/lula-defende-brasil-no-washington-post\/","title":{"rendered":"Lula defende Brasil no Washington Post"},"content":{"rendered":"<p>O Presidente Lula publicou domingo (26) artigo num dos principais jornais norte-americanos, o Washington Post. O tema s\u00e3o as tarifas impostas por Donald Trump a produtos brasileiros exportadores para os Estados Unidos.<\/p>\n<p>No texto, Lula lembra: \u201cO Presidente Franklin D. Roosevelt implementou uma pol\u00edtica de Boa Vizinhan\u00e7a que tinha por objetivo substituir o uso da for\u00e7a pela diplomacia em sua pol\u00edtica externa para a regi\u00e3o. Essa postura contribuiu de forma decisiva com os prim\u00f3rdios da industrializa\u00e7\u00e3o no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Em seu artigo, o Presidente Lula ressalta: \u201cPara o Brasil, a \u00fanica guerra que precisamos travar nesta parte do mundo \u00e9 contra a fome, a pobreza e a desigualdade. E as \u00fanicas armas a empregar s\u00e3o as dos investimentos, da transfer\u00eancia de tecnologia e do com\u00e9rcio justo e equilibrado. Tentativas de impor amarras ideol\u00f3gicas \u00e0 parceria bilateral, ou de instrumentaliz\u00e1-la para fins eleitorais, n\u00e3o se sustentam\u201d.<\/p>\n<p><strong>Elei\u00e7\u00f5es \u2013<\/strong>\u00a0Para analistas pol\u00edticos, as novas tarifas, sem uma motiva\u00e7\u00e3o real, constituem uma forma do governo Trump tentar influir nas elei\u00e7\u00f5es brasileiras e favorecer o candidato da extrema direita, Flavio Bolsonaro \u2013 a fam\u00edlia Bolsonaro comemorou as tarifas, que ferem importantes setores da economia nacional.<\/p>\n<p><strong>Leia o artigo:<\/strong><\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um ano, fui surpreendido pela publica\u00e7\u00e3o, em uma plataforma digital, de carta do Presidente Donald Trump que impunha tarifa de 50% a produtos brasileiros.<\/p>\n<p>A men\u00e7\u00e3o, logo no primeiro par\u00e1grafo, ao ex-presidente Jair Bolsonaro \u2013 condenado no ano passado e hoje preso por tentativa de golpe de Estado no Brasil \u2013 deixava expl\u00edcita a motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da medida.<\/p>\n<p>Nos di\u00e1logos que mantive com Trump desde ent\u00e3o ressaltei que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio compartilhar as mesmas vis\u00f5es de mundo para buscar rela\u00e7\u00e3o mutuamente ben\u00e9fica entre nossos pa\u00edses. Afinal, somos l\u00edderes das duas maiores democracias e economias das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Negocia\u00e7\u00f5es entre n\u00f3s e decis\u00f5es da Suprema Corte dos EUA desmontaram a primeira vers\u00e3o do tarifa\u00e7o. Mas este m\u00eas, desconsiderando dezenas de reuni\u00f5es entre nossas equipes, s\u00f3lidos argumentos t\u00e9cnicos e documentos que entreguei pessoalmente ao pr\u00f3prio Trump, o governo norte-americano decidiu adotar novas tarifas contra o Brasil que v\u00e3o de 12,5% a 37,5%.<\/p>\n<p>Como resultado, a Global Trade Alert, organiza\u00e7\u00e3o independente baseada na Su\u00ed\u00e7a, estima que o Brasil e a Turquia s\u00e3o hoje os segundos pa\u00edses mais tarifados pelos Estados Unidos, depois apenas da China. E isso apesar do super\u00e1vit norte-americano no com\u00e9rcio bilateral de bens e servi\u00e7os, que ao longo de quinze anos consecutivos acumula 428 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de injustas, as novas tarifas s\u00e3o um erro estrat\u00e9gico: elas prejudicam a economia dos Estados Unidos e a parceria com o Brasil. Diversos segmentos industriais dos Estados Unidos dependem de insumos brasileiros. Alimentos, cal\u00e7ados, t\u00eaxteis, m\u00f3veis, autope\u00e7as e v\u00e1rios outros produtos chegar\u00e3o mais caros ao consumidor norte-americano.<\/p>\n<p>As exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para os Estados Unidos ca\u00edram para o menor patamar desde 1997. Na compara\u00e7\u00e3o entre os primeiros 6 meses de 2025 e 2026, o com\u00e9rcio bilateral com os EUA recuou 12,8%, enquanto o com\u00e9rcio com a Uni\u00e3o Europeia cresceu 6,1% e com a China aumentou 15,9%.<\/p>\n<p>No m\u00e9dio prazo, essas tarifas v\u00e3o levar \u00e0 desorganiza\u00e7\u00e3o de cadeias produtivas que hoje se encontram densamente integradas e as empresas brasileiras v\u00e3o substituir fornecedores norte-americanos por outros parceiros. Isso diz muito da inconsist\u00eancia entre os interesses dos EUA anunciados em sua estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a nacional e as pol\u00edticas que adota em rela\u00e7\u00e3o ao Hemisf\u00e9rio Ocidental.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina e o Caribe n\u00e3o precisam de porta-avi\u00f5es rondando suas \u00e1guas nem de puni\u00e7\u00f5es tarif\u00e1rias. O que nos falta s\u00e3o parceiros confi\u00e1veis e previs\u00edveis. Neste momento em que os EUA isolam seu mercado, outros pa\u00edses se apresentam como alternativas, oferecendo uma agenda positiva, capaz de fomentar o desenvolvimento econ\u00f4mico e social.<\/p>\n<p>Estou convicto de que a uni\u00e3o de esfor\u00e7os em torno de iniciativas concretas de investimento, com\u00e9rcio e combate ao crime organizado \u00e9 o caminho a seguir para superar as mazelas que afligem um hemisf\u00e9rio que \u00e9 de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>A divis\u00e3o do mundo em zonas de influ\u00eancia e investidas neocoloniais por recursos estrat\u00e9gicos constituem gestos anacr\u00f4nicos e retrocessos. Apesar da longa hist\u00f3ria de interven\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e militares dos Estados Unidos na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, houve momentos em que Washington soube ser um parceiro \u00e0 altura de nossos interesses de desenvolvimento.<\/p>\n<p>O Presidente Franklin D. Roosevelt implementou uma pol\u00edtica de Boa Vizinhan\u00e7a que tinha como objetivo substituir o uso da for\u00e7a pela diplomacia em sua pol\u00edtica externa para a regi\u00e3o. Essa postura contribuiu de forma decisiva com os prim\u00f3rdios da industrializa\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>O presidente George W. Bush, ao enfrentar a crise financeira de 2008, incluiu 3 pa\u00edses latino-americanos na primeira reuni\u00e3o de l\u00edderes do G20. Lula recebe o presidente dos EUA, Joe Biden, na abertura do G20.<\/p>\n<p>Para o Brasil, a \u00fanica guerra que precisamos travar nesta parte do mundo \u00e9 contra a fome, a pobreza e a desigualdade. E as \u00fanicas armas a empregar s\u00e3o as dos investimentos, da transfer\u00eancia de tecnologia e do com\u00e9rcio justo e equilibrado. Tentativas de impor amarras ideol\u00f3gicas \u00e0 parceria bilateral, ou de instrumentaliz\u00e1-la para fins eleitorais, n\u00e3o se sustentam.<\/p>\n<p>Nunca antes um secret\u00e1rio de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um pa\u00eds n\u00e3o-amigo. Ningu\u00e9m vai nos derrotar com base em mentiras. As alega\u00e7\u00f5es do Presidente Trump contra o Brasil, na tentativa de justificar as tarifas, s\u00e3o infundadas.<\/p>\n<p>A liberdade de express\u00e3o n\u00e3o \u00e9 carta branca para a criminalidade nas plataformas de redes digitais \u2013 n\u00e3o vamos abdicar de proteger nossas fam\u00edlias e nossas crian\u00e7as contra a gan\u00e2ncia de um punhado de tecno-oligarcas. Nosso sistema de pagamentos, o Pix, n\u00e3o discrimina empresas norte-americanas e \u00e9 uma refer\u00eancia internacional de infraestrutura p\u00fablica digital.<\/p>\n<p>Presidente da Rep\u00fablica, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, defende o pix: soberania nacional.<\/p>\n<p>O mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os il\u00edcitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros. Respeitamos a soberania de outros Estados e negociamos com todos aqueles que saibam respeitar a nossa.<\/p>\n<p>A reciprocidade \u00e9 a base de toda rela\u00e7\u00e3o entre na\u00e7\u00f5es e temos mecanismos apropriados para assegur\u00e1-la. Estamos prontos a continuar dialogando de maneira aberta e construtiva, como o relacionamento entre dois pa\u00edses como o Brasil e os Estados Unidos requer. Mas o destino do Brasil compete apenas aos brasileiros, sem interfer\u00eancia externa, nem subservi\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva<\/strong><\/p>\n<p>Por Ag\u00eancia Sindical<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Presidente Lula publicou domingo (26) artigo num dos principais jornais norte-americanos, o Washington Post. O tema s\u00e3o as tarifas impostas por Donald Trump a produtos brasileiros exportadores para os Estados Unidos. No texto, Lula lembra: \u201cO Presidente Franklin D. 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