{"id":12592,"date":"2026-05-05T23:00:47","date_gmt":"2026-05-06T02:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=12592"},"modified":"2026-05-05T23:00:47","modified_gmt":"2026-05-06T02:00:47","slug":"pauta-unitaria-e-futuro-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/pauta-unitaria-e-futuro-nacional\/","title":{"rendered":"Pauta Unit\u00e1ria e futuro nacional"},"content":{"rendered":"<p><strong>A Pauta Unit\u00e1ria e o futuro<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A Ag\u00eancia Sindical, com adapta\u00e7\u00f5es formais, publica a an\u00e1lise de Clemente Ganz L\u00facio. Ele \u00e9 soci\u00f3logo, coordenador do F\u00f3rum das Centrais Sindicais, integrante do Conselho de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social Sustent\u00e1vel da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e membro do Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil, enviado Especial para COP-30 sobre Trabalho, Coordenador do Grupo de Facilita\u00e7\u00e3o do Pacto Nacional pelo Combate \u00e0s Desigualdades, consultor. Foi diretor-t\u00e9cnico do Dieese, de 2004\/2020. Ele afirma: \u201cA Pauta Unit\u00e1ria 2026-2030 aponta diretrizes para um\u00a0projeto de desenvolvimento ao Brasil, constru\u00eddo numa fase em que o mundo do trabalho passa por uma transforma\u00e7\u00e3o profunda e, muitas vezes, perigosa\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Segue a an\u00e1lise:<\/strong><\/p>\n<p>Dia 15 de abril, em Bras\u00edlia, milhares de dirigentes e ativistas sindicais deram uma demonstra\u00e7\u00e3o clara de que a hist\u00f3ria continua em disputa. A Conclat \u2013 ao mesmo tempo Confer\u00eancia e Marcha da Classe Trabalhadora \u2013 reuniu o sindicalismo em torno de um objetivo estrat\u00e9gico: apresentar ao Pa\u00eds a\u00a0Pauta da Classe Trabalhadora 2026-2030, j\u00e1 entregue ao presidente Lula, ao vice Geraldo Alckmin, ao presidente a C\u00e2mara Hugo Mota e que ser\u00e1 entregue \u00e0s principais lideran\u00e7as institucionais.<\/p>\n<p>O documento aponta diretrizes para um\u00a0projeto de desenvolvimento ao Brasil, constru\u00eddo numa fase em que o mundo do trabalho passa por uma transforma\u00e7\u00e3o profunda e, muitas vezes, perigosa.<\/p>\n<p>A Pauta parte de um diagn\u00f3stico contundente: vivemos um tempo de mudan\u00e7as aceleradas, simult\u00e2neas e desreguladas, que amea\u00e7am empregos, direitos e a pr\u00f3pria democracia. A tecnologia avan\u00e7a, a economia se reorganiza globalmente, a crise clim\u00e1tica se intensifica e, de modo preocupante, cresce uma agenda autorit\u00e1ria que ataca direitos sociais e fragiliza o papel do Estado.<\/p>\n<p>O risco \u00e9 claro, pois essas transforma\u00e7\u00f5es podem ser capturadas para aprofundar a precariza\u00e7\u00e3o, a desigualdade e o autoritarismo. H\u00e1 outro caminho e \u00e9 isso que a Pauta prop\u00f5e.<\/p>\n<p><strong>Mudar o padr\u00e3o de desenvolvimento<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil iniciou, desde 2023, um processo de reconstru\u00e7\u00e3o. Houve avan\u00e7os importantes: retomada da valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, gera\u00e7\u00e3o de empregos, redu\u00e7\u00e3o da pobreza, reconstru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas sociais, reativa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o, pol\u00edticas para a nova ind\u00fastria, investimento p\u00fablico ampliado, estatais ativas, agenda ambiental reorientando o desenvolvimento. Mas reconstruir o que foi destru\u00eddo n\u00e3o \u00e9 suficiente.<\/p>\n<p>Os problemas estruturais permanecem e, em alguns casos, se aprofundam, como a informalidade elevada, a precariza\u00e7\u00e3o, novas formas de explora\u00e7\u00e3o via plataformas sem regula\u00e7\u00e3o, endividamento das fam\u00edlias, desigualdades persistentes de g\u00eanero e ra\u00e7a, e viol\u00eancia crescente, especialmente contra as mulheres.<\/p>\n<p>E o Pa\u00eds segue preso a uma l\u00f3gica econ\u00f4mica que combina juros elevados, financeiriza\u00e7\u00e3o e dificuldades pra elevar o investimento produtivo, uma combina\u00e7\u00e3o que trava o crescimento e penaliza o trabalho.<\/p>\n<p><strong>Cinco prioridades<\/strong><\/p>\n<p>As prioridades pra 2026 n\u00e3o foram escolhidas ao acaso. Elas expressam os principais conflitos que definem o presente e o futuro do trabalho no Brasil.<\/p>\n<p><strong>1) Redu\u00e7\u00e3o da jornada, fim da escala 6\u00d71 sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>A luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada pra 40 horas semanais, com o fim da escala 6\u00d71, recoloca a quest\u00e3o central da economia pol\u00edtica:\u00a0quem fica com os ganhos do progresso?<\/p>\n<p>Se a tecnologia aumenta a produtividade, ela abre caminho para reduzir o tempo de trabalho e melhorar a vida. A manuten\u00e7\u00e3o de jornadas extensas, combinada com intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho, expressa uma outra escolha: concentrar ganhos no capital e transferir custos para os trabalhadores. Reduzir a jornada \u00e9, portanto, uma medida econ\u00f4mica, social e civilizat\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>2) Negocia\u00e7\u00e3o para os trabalhadores do setor p\u00fablico<\/strong><\/p>\n<p>A regulamenta\u00e7\u00e3o da negocia\u00e7\u00e3o coletiva no setor p\u00fablico \u00e9 uma agenda estrat\u00e9gica. N\u00e3o se trata apenas de garantir direitos aos servidores, trata-se de\u00a0democratizar o Estado\u00a0nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, diminuir conflitos e greves, a maioria realizada somente para tentar abrir negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Com o direito de negocia\u00e7\u00e3o se busca desenvolver uma cultura de transpar\u00eancia, previsibilidade, valoriza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e melhoria dos servi\u00e7os prestados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>3) Regular o trabalho nas plataformizadas<\/strong><\/p>\n<p>Sem regula\u00e7\u00e3o, o que temos at\u00e9 o presente \u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o de um modelo baseado em baixos rendimentos, aus\u00eancia de prote\u00e7\u00e3o social e previdenci\u00e1ria, controle algor\u00edtmico invis\u00edvel e fragmenta\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. A Pauta prop\u00f5e enfrentar esse modelo, com direitos, transpar\u00eancia e negocia\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p><strong>4) Pejotiza\u00e7\u00e3o como fraude trabalhista<\/strong><\/p>\n<p>A pejotiza\u00e7\u00e3o se tornou um dos principais mecanismos de desestrutura\u00e7\u00e3o do trabalho. Ela transforma trabalhadores em empresas fict\u00edcias pra eliminar direitos e transferir riscos. Al\u00e9m disso, revela uma contradi\u00e7\u00e3o mais profunda: o modelo de financiamento da prote\u00e7\u00e3o social baseado na folha de sal\u00e1rios est\u00e1 sendo corro\u00eddo.<\/p>\n<p>A resposta n\u00e3o pode ser desmontar direitos. Deve ser combater a fraude, reorganizar o financiamento da seguridade, reduzir o custo da folha de forma inteligente e ampliar a contribui\u00e7\u00e3o sobre renda, lucro e novas formas de trabalho. Enfim, a pejotiza\u00e7\u00e3o \u00e9 sintoma de um modelo em crise.<\/p>\n<p><strong>5) Feminic\u00eddio: o trabalho n\u00e3o pode ignorar a viol\u00eancia estrutural<\/strong><\/p>\n<p>Ao colocar o combate ao feminic\u00eddio como prioridade, a Pauta afirma algo essencial:\u00a0n\u00e3o h\u00e1 trabalho decente sem vida digna e sem seguran\u00e7a para meninas e mulheres.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia contra as mulheres n\u00e3o \u00e9 problema privado, \u00e9 quest\u00e3o social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica e responsabilidade dos homens. Incorporar esse tema nas negocia\u00e7\u00f5es coletivas, a\u00e7\u00f5es empresariais e nas pol\u00edticas p\u00fablicas amplia o papel do sindicalismo e afirma um compromisso com a igualdade e os direitos humanos.<\/p>\n<p><strong>Regular as transi\u00e7\u00f5es ou aceitar a precariza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es precisam ser orientadas por uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica de Pa\u00eds, por forte capacidade de investimento p\u00fablico, por inova\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social, por regula\u00e7\u00e3o pactuada atrav\u00e9s do di\u00e1logo social.<\/p>\n<p>A agenda proposta aponta outro caminho: reindustrializa\u00e7\u00e3o com inova\u00e7\u00e3o; transi\u00e7\u00e3o justa diante da crise clim\u00e1tica; fortalecimento da prote\u00e7\u00e3o social; negocia\u00e7\u00e3o coletiva; valoriza\u00e7\u00e3o do Estado e das pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Trata-se de construir um modelo de desenvolvimento em que o crescimento econ\u00f4mico esteja articulado com a gera\u00e7\u00e3o de emprego de qualidade e a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades.<\/p>\n<p><strong>Sindicalismo no centro da disputa<\/strong><\/p>\n<p>A Pauta tamb\u00e9m redefine o papel do sindicalismo. N\u00e3o se trata apenas de defender direitos existentes, mas de\u00a0atuar como sujeito pol\u00edtico na regula\u00e7\u00e3o do futuro do trabalho. Isso exige representar todas as formas de trabalho; atuar nas novas formas de organiza\u00e7\u00e3o das cadeias produtivas e nas plataformas; fortalecer a negocia\u00e7\u00e3o coletiva; influenciar a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Sem Sindicatos fortes, n\u00e3o h\u00e1 equil\u00edbrio nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho. E, sem esse equil\u00edbrio, a tend\u00eancia \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o da desigualdade.<\/p>\n<p><strong>O futuro n\u00e3o est\u00e1 dado<\/strong><\/p>\n<p>A Pauta da Classe Trabalhadora 2026-2030 \u00e9, acima de tudo, uma convoca\u00e7\u00e3o para o Pa\u00eds decidir que modelo de desenvolvimento quer construir. Um modelo baseado na redu\u00e7\u00e3o de custos e na precariza\u00e7\u00e3o? Ou um modelo que combine produtividade, inova\u00e7\u00e3o, direitos e justi\u00e7a social?<\/p>\n<p>O futuro do trabalho n\u00e3o ser\u00e1 determinado apenas pela tecnologia ou o mercado. Ele ser\u00e1 definido pela correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na sociedade e capacidade coletiva de di\u00e1logo social.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a Conclat 2026 deixou uma mensagem clara:<br \/>\na classe trabalhadora est\u00e1 organizada, tem proposta e est\u00e1 disposta a disputar esse futuro.<\/p>\n<p>O desafio \u00e9 transformar essa Pauta em pol\u00edtica concreta no Congresso, no governo, nas empresas e na sociedade. O que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 apenas o trabalho. \u00c9 o pr\u00f3prio projeto de pa\u00eds.<\/p>\n<p>Por Ag\u00eancia Sindical<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Pauta Unit\u00e1ria e o futuro \u00a0A Ag\u00eancia Sindical, com adapta\u00e7\u00f5es formais, publica a an\u00e1lise de Clemente Ganz L\u00facio. 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