{"id":11252,"date":"2024-01-08T14:44:49","date_gmt":"2024-01-08T17:44:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=11252"},"modified":"2024-01-08T14:44:49","modified_gmt":"2024-01-08T17:44:49","slug":"militares-atuaram-em-8-de-janeiro-por-omissao-e-tambem-por-acao-diz-historiador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/militares-atuaram-em-8-de-janeiro-por-omissao-e-tambem-por-acao-diz-historiador\/","title":{"rendered":"\u2018Militares atuaram em 8 de janeiro por omiss\u00e3o e tamb\u00e9m por a\u00e7\u00e3o\u2019, diz historiador"},"content":{"rendered":"<div class=\"p-20px-b\">\n<div class=\"text-medium-large sm-text-medium p-10px-tb\">\u00c0 P\u00fablica, historiador Francisco Teixeira afirma que houve tentativa de insurrei\u00e7\u00e3o<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"row flex-align-middle\">\n<div class=\"c-lg-6 c-md-6 c-sm-6 c-xs-6\">\n<div class=\"blog-details-text sm-m-60px-b xs-m-40px-b sm-p-15px-lr last-p-no-m-b\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Houve uma tentativa de insurrei\u00e7\u00e3o, segundo conceito da ci\u00eancia pol\u00edtica \u2013 e uma insurrei\u00e7\u00e3o que repete a\u00e7\u00f5es semelhantes que ocorreram recentemente da Ucr\u00e2nia \u00e0 Bol\u00edvia e nos Estados Unidos. Essa \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o do historiador Francisco Teixeira, que estuda a rela\u00e7\u00e3o entre civis e militares e mant\u00e9m contato com oficiais. Em conversa com a Ag\u00eancia P\u00fablica, ele analisa os eventos de 8 de Janeiro e a n\u00e3o puni\u00e7\u00e3o dos principais envolvidos.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 um movimento caracterizado por insurrei\u00e7\u00e3o, que geraria necessidade, ent\u00e3o, de uma interven\u00e7\u00e3o militar. E isso se afirmaria atrav\u00e9s de um golpe de Estado. \u00c9 uma t\u00e9cnica que \u00e9 perfeitamente identificada na Marcha sobre Roma de 1922, de Benito Mussolini. \u00c9 um modelo da insurrei\u00e7\u00e3o fascista\u201d, diz.<\/p><\/blockquote>\n<p>Teixeira foi presidente do Instituto Pandi\u00e1 Cal\u00f3geras de Estrat\u00e9gia Internacional do Minist\u00e9rio da Defesa durante o governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, \u00e9 professor em\u00e9rito do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Ex\u00e9rcito (ECEME) e professor titular de Hist\u00f3ria Moderna e Contempor\u00e2nea da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).<\/p>\n<p>Ele revela, na entrevista, como um grupo de estudiosos dos militares manteve interlocu\u00e7\u00e3o com o PT e o governo federal durante o dia 8 para ajudar a afastar a op\u00e7\u00e3o de uma GLO e abrir caminho para a interven\u00e7\u00e3o civil, prevista no artigo 136 da Constitui\u00e7\u00e3o, em casos de Defesa do Estado. \u201cNa verdade, tinha se preparado o nome de um general para assumir o controle. E assumindo o controle a devolu\u00e7\u00e3o desse poder \u00e0 Rep\u00fablica n\u00e3o seria f\u00e1cil\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Por que isso importa?<\/strong><\/p>\n<p>A entrevista revela como foram os bastidores para se impedir o decreto de uma GLO ap\u00f3s a invas\u00e3o de Bras\u00edlia, que daria ainda mais poderes para militares<br \/>\nA an\u00e1lise de Teixeira tamb\u00e9m aponta como um golpe foi impedido por pouco e que as for\u00e7as militares seguem anti democr\u00e1ticas no atual governo<\/p>\n<p><strong>Leia a entrevista.<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_6970\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-6970\" src=\"https:\/\/icln.b-cdn.net\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/historiador.jpg\" alt=\"\" width=\"619\" height=\"531\" aria-describedby=\"caption-attachment-6970\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-6970\" class=\"wp-caption-text\">Francisco Teixeira, professor da Escola de Comando e Estado-Maior do Ex\u00e9rcito e pesquisador da UFRJ. Foto: Arquivo\/Pessoal<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Como o senhor analisa a participa\u00e7\u00e3o dos militares no dia 8 de janeiro?<\/strong><\/p>\n<p>Os militares tiveram uma participa\u00e7\u00e3o intensa, mas tamb\u00e9m variada, em graus diferentes. Eu acho que, para simplificar, de um lado, n\u00f3s poder\u00edamos dizer que houve uma participa\u00e7\u00e3o por ina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa ina\u00e7\u00e3o se deu, por exemplo, no caso do coronel Fernandes da Hora, comandante da Guarda Presidencial, que n\u00e3o agiu. Tinha os homens, tinha os meios, tinha as formas, inclusive, de dar alerta pr\u00e9vio do que estava acontecendo e n\u00e3o fez nada do que suas fun\u00e7\u00f5es o obrigavam a fazer.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m do General Dutra, comandante militar do Planalto, que tem todo um aparelho ali, e que a gente sabe, inclusive quando tem manifesta\u00e7\u00f5es populares, Gritos da Terra, tudo isso \u00e9 colocado em funcionamento \u2014 e n\u00e3o foi. Aqui teve uma participa\u00e7\u00e3o muito clara por ina\u00e7\u00e3o, por deixar acontecer.<\/p>\n<p>De outro lado, houve uma participa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m por a\u00e7\u00e3o, e essa \u00e9 ainda mais grave, se \u00e9 poss\u00edvel, porque tamb\u00e9m deixar invadir o Pal\u00e1cio Presidencial \u00e9 de extrema gravidade.<\/p>\n<p>Isso ocorreu porque alguns elementos dentro do GSI (Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional) e dentro das For\u00e7as Armadas, particularmente no Comando Militar do Ex\u00e9rcito, tiveram uma atua\u00e7\u00e3o muito clara nesse sentido.<\/p>\n<p>Seja atrav\u00e9s da infiltra\u00e7\u00e3o de homens no processo insurrecional\u2026 Na verdade, do ponto de vista estrito de ci\u00eancia pol\u00edtica, n\u00e3o foi golpe, foi uma tentativa de insurrei\u00e7\u00e3o que levaria a um golpe.<\/p>\n<p>Mas isso \u00e9 uma quest\u00e3o mais t\u00e9cnica.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o, \u00e9 muito interessante, por favor desenvolva..<\/strong><\/p>\n<p>Todo o modelo, o que aconteceu em 2014 na Pra\u00e7a Maidan (pra\u00e7a central de Kiev, na Ucr\u00e2nia), o que aconteceu em La Paz (Bol\u00edvia) em 2019, o que aconteceu no Capit\u00f3lio, \u00e9 insurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 um movimento caracterizado por insurrei\u00e7\u00e3o, que geraria necessidade, ent\u00e3o, de uma interven\u00e7\u00e3o militar. E isso se afirmaria atrav\u00e9s de um golpe de Estado.<\/p>\n<p>Deu certo na Pra\u00e7a Maidan, deu certo em La Paz, n\u00e3o deu certo no Capit\u00f3lio, em Washington, e n\u00e3o deu certo no Brasil.<\/p>\n<p>\u00c9 uma t\u00e9cnica perfeitamente identificada na Marcha sobre Roma de 1922, de Benito Mussolini. \u00c9 um modelo da insurrei\u00e7\u00e3o fascista.<\/p>\n<p>Mas, voltando aqui, quer dizer, no caso da a\u00e7\u00e3o, ficou claro, por exemplo, que o general Arruda, ent\u00e3o comandante do Ex\u00e9rcito, n\u00e3o s\u00f3 protegeu esses infiltrados, que depois acabaram sendo denominados de \u201ckids pretos\u201d, como tamb\u00e9m mobilizou, deslanchou a a\u00e7\u00e3o de blindados na Pra\u00e7a dos Cristais para proteger os insurretos, as pessoas que estavam depredando a cidade e foram procurar abrigo l\u00e1 na pra\u00e7a, no chamado acampamento dos patriotas.<\/p>\n<p><strong>Mas n\u00e3o houve puni\u00e7\u00e3o\u2026\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Isso n\u00e3o foi entendido assim. Naquele momento, as pessoas respons\u00e1veis pelas cobran\u00e7as que deveriam ser feitas, principalmente o general Gon\u00e7alves Dias (chefe do GSI) e o ministro Jos\u00e9 M\u00facio Monteiro, eles n\u00e3o entenderam isso.<\/p>\n<p>M\u00facio vinha j\u00e1 h\u00e1 dias e dias dizendo que n\u00e3o era para mexer nos acampamentos, que tinha, inclusive, amigos e familiares e que todos eram patriotas. E o Gon\u00e7alves Dias tinha a ilus\u00e3o de que ele estava no controle da m\u00e1quina, o que se mostrou que n\u00e3o era verdade e que ele, ao n\u00e3o afastar os elementos golpistas militares dentro do GSI, cavou a pr\u00f3pria tumba.<\/p>\n<p><strong>O senhor acredita que o governo Lula n\u00e3o deu a resposta adequada \u00e0 seriedade do que aconteceu, em rela\u00e7\u00e3o ao papel de membros do Alto Comando do Ex\u00e9rcito?<\/strong><\/p>\n<p>Olha, a\u00ed tem que fazer uma distin\u00e7\u00e3o: antes do dia 8 de janeiro e depois. E distinguir o governo do pr\u00f3prio Lula.<\/p>\n<p>Na verdade, se a gente se lembrar do processo de transi\u00e7\u00e3o, o Lula criou comiss\u00f5es de transi\u00e7\u00e3o em todos os minist\u00e9rios. Isso foi exemplar. Nunca tinha sido feito com essa amplitude e foi extremamente importante para trazer ideias e propostas da sociedade civil para a forma\u00e7\u00e3o do governo.<\/p>\n<p>A \u00fanica \u00e1rea onde n\u00e3o se permitiu criar comiss\u00f5es de debate foi exatamente na \u00e1rea de assuntos militares e defesa. Tanto o Gon\u00e7alves Dias como o Jos\u00e9 M\u00facio, com o apoio de Joseli Camelo, do STF, fecharam a \u00e1rea de uma forma como se n\u00e3o tivesse nada a ser discutido.<\/p>\n<p>Isso foi um engano de propor\u00e7\u00f5es gigantescas, porque n\u00e3o permitiu a participa\u00e7\u00e3o de in\u00fameros analistas, gente que h\u00e1 20 anos vem estudando assuntos militares, principalmente na Unicamp, na UFF, na Federal de Minas Gerais, no IESP\u2026 H\u00e1 uma quantidade de novas teses e livros publicados sobre assuntos militares e defesa que eles desconhecem.<\/p>\n<p>Eles monopolizaram o setor. O Joseli Camelo e o Gon\u00e7alves Dias como sendo aqueles militares com quem Lula conversa e com quem Lula confia. E eles passaram uma vis\u00e3o totalmente errada do \u00e2nimo militar naquele momento. Eles consideraram que estava tudo pacificado, que tudo iria se dissolver.<\/p>\n<p>Tanto, que eles aceitaram duas coisas esdr\u00faxulas. Uma foi a negativa dos comandantes militares em fazer a passagem de comando, fazendo uma passagem de comando anterior para que, nem os que estavam saindo, nem os que estavam entrando, terem que encontrar o presidente Lula e bater contin\u00eancia para ele.<\/p>\n<p>Isso foi aceito, o que \u00e9 absurdamente anti-republicano.<\/p>\n<p>E a segunda coisa, a defesa dos acampamentos militares. A ideia de que os acampamentos iam acabar por si mesmo e que n\u00e3o havia nenhum problema, mesmo j\u00e1 tendo ind\u00edcios de que havia atos terroristas sendo planejados l\u00e1.<\/p>\n<p>Quer dizer, essas informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram levadas \u00e0 aten\u00e7\u00e3o de Lula pelas duas pessoas que ele considerava fundamentais como pontes com os militares, que eram o general Gon\u00e7alves Dias e o tenente-brigadeiro Joseli Camelo, e que na verdade n\u00e3o serviram de ponte para nada. S\u00e3o pessoas muito pouco consideradas nos meios militares. Os militares consideram os dois totalmente desprovidos de capacidade de di\u00e1logo ou de fazer pontes nesse sentido.<\/p>\n<p>Fizeram um informe errado ao Lula e deram origem a um documento que circulou no governo nos dias anteriores \u00e0 posse, onde na verdade se fazia uma s\u00e9rie de exig\u00eancias dos militares ao governo, inclusive falando em cl\u00e1usulas p\u00e9treas que o Lula n\u00e3o podia mexer.<\/p>\n<p><strong>Falando do artigo 142\u2026<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 esse, mas nomea\u00e7\u00f5es por antiguidade, em aceitar as nomea\u00e7\u00f5es feitas no governo Bolsonaro, de n\u00e3o mudar antigos militares, uma s\u00e9rie de exig\u00eancias que foram levadas ao Lula e eram exatamente aquilo que uma nova intelig\u00eancia sobre o assunto considerava que n\u00e3o deveria ser feito.<\/p>\n<p><strong>O que deveria ter sido feito?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Por exemplo, era claro ser preciso renovar todos os quadros de livre nomea\u00e7\u00e3o nos meios militares, inclusive as adid\u00e2ncias no exterior, principalmente nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, e tamb\u00e9m de que o crit\u00e9rio de antiguidade n\u00e3o deveria ser respeitado, porque esse crit\u00e9rio de antiguidade consolidava esse grupo formado desde a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Dilma e o apoio ao impeachment contra a Dilma.<\/p>\n<p>E isso foi aceito pelo governo. Foi um erro total.<\/p>\n<p>Quando a gente chega no 8 de janeiro, voc\u00ea v\u00ea que n\u00e3o houve nenhuma mudan\u00e7a no GSI, no Minist\u00e9rio da Defesa, n\u00e3o houve nenhuma mudan\u00e7a nos cargos principais.<\/p>\n<p>E mais do que isso, pessoas altamente comprometidas, como o tenente-coronel Mauro Cid, estavam nomeadas para fun\u00e7\u00f5es de extrema relev\u00e2ncia, como o comando do batalh\u00e3o de For\u00e7as Especiais em Goi\u00e2nia.<\/p>\n<p>Outra coisa tamb\u00e9m importante a\u00ed \u00e9 que havia um grupo de generais que tinha levado o Estado-Maior do Ex\u00e9rcito a um certo impasse. Havia um grupo bolsonarista muito forte, mas havia um grupo anti-bolsonarista. Um grupo profissional muito importante de generais. Pelo menos cinco dos quinze generais eram constitucionalistas republicanos e foram chamados de \u201cmelancia\u201d. E foram muito maltratados.<\/p>\n<p><strong>Bom, a gente sabe que o general Richard Nunes \u00e9 um deles. O atual comandante, o general Tom\u00e1s e o general Andr\u00e9 Luiz Novaes foram muito expostos nas redes bolsonaristas, chamados de \u201cmelancia\u201d, \u201cfrouxos\u201d\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Eles foram t\u00e3o expostos, t\u00e3o expostos\u2026 E estavam ali para assumirem os cargos de responsabilidade do Minist\u00e9rio da Defesa, do GSI, da ABIN, etc. E n\u00e3o foram chamados. Foram deixados ao relento.<\/p>\n<p>Eles colocaram em risco a carreira deles, expuseram-se, colocaram-se como um freio ao golpe, mas o governo Lula n\u00e3o reconheceu isso.<\/p>\n<p>Nenhum deles assumiu um cargo de relev\u00e2ncia, nenhum deles assumiu o papel que poderia ter assumido, nesse sentido, e est\u00e3o no final das suas carreiras.<\/p>\n<p>Tendo nomeado um desses generais considerados \u201cmelancia\u201d, na verdade eu chamo de republicanos, os generais mais antigos, preteridos, teriam que ter ido todos para a reserva. \u00c9 o que a gente chama de \u201ccarona\u201d. O que teria feito uma renova\u00e7\u00e3o importante dos quadros.<\/p>\n<p>Mas nem o M\u00facio, nem o Joseli Camelo, que eram quem falava diretamente com o Lula sobre militares, aceitaram isso, acharam que era criar caso.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe nem mais com a renova\u00e7\u00e3o no pr\u00f3ximo ano do Alto Comando se esse tipo de equil\u00edbrio vai ser mantido ou n\u00e3o, como \u00e9 que isso vai ficar.<\/p>\n<p><strong>Com essa situa\u00e7\u00e3o, existe um risco de amea\u00e7a antidemocr\u00e1tica voltar a vir do setor militar?<\/strong><\/p>\n<p>Veja, a gente tem visto pesquisas de opini\u00e3o, pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto e mostra que o bolsonarismo est\u00e1 t\u00e3o firme quanto antes, com pequenas varia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Cerca de 90% daqueles que votaram no Bolsonaro continuam aderindo. E, por outro lado, cerca de 30% dos eleitores se manifestam claramente como bolsonaristas.<\/p>\n<p>Quer dizer, a gente n\u00e3o fez de maneira alguma uma mudan\u00e7a importante na sociedade.<\/p>\n<p>Neste momento, a gente tem um oficial de alto n\u00edvel, com uma trajet\u00f3ria muito relevante, que \u00e9 o Mauro Cid, com uma tornozeleira eletr\u00f4nica e at\u00e9 agora o Ex\u00e9rcito n\u00e3o abriu uma sindic\u00e2ncia interna contra ele.<\/p>\n<p>Ele tem acusa\u00e7\u00f5es claras de falsifica\u00e7\u00e3o de documentos p\u00fablicos e n\u00e3o tem nenhum IPM, nenhum Inqu\u00e9rito Policial Militar, nenhuma investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quer dizer, imagina no servi\u00e7o p\u00fablico se algu\u00e9m \u00e9 acusado de falsificar um documento p\u00fablico na universidade. Se eu falsificar o di\u00e1rio de nota de um aluno, \u00e9 aberta uma comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito imediatamente.<\/p>\n<p>Outra coisa: est\u00e1 todo mundo fazendo carreira normalmente. \u00c9 s\u00f3 voc\u00ea ver o destino, por exemplo, do tenente-coronel Paulo Fernandes Da Hora, comandante da Guarda Presidencial. Foi nomeado para um cargo na Espanha (Instrutor do Curso de Altos Estudo Estrat\u00e9gicos para Oficiais Superiores Ibero-Americanos), o General Gustavo Henrique Dutra, ex-comandante militar do Planalto, que foi nomeado para a vice-chefia do Estado-Maior.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m foi mandado para casa.<\/p>\n<p><strong>E por que n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Porque n\u00e3o \u00e9 a caracter\u00edstica das For\u00e7as.<\/p>\n<p>N\u00f3s poder\u00edamos dizer que o golpe se baseou num trip\u00e9. O bolsonarismo de rua desses pequenos empreendedores, pequenos empres\u00e1rios, esse pessoal que acabou indo pra rua e se disp\u00f4s a fazer carreata, passeata, demonstra\u00e7\u00e3o e quebra-quebra, e que \u00e9 o alvo principal do inqu\u00e9rito de a\u00e7\u00f5es antidemocr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Eles \u00e9 que foram presos.<\/p>\n<p>O segundo pilar \u00e9 o governo do Distrito Federal, onde se tramou largamente, onde se encontrou uma outra minuta do golpe, no caso o ex-ministro da Justi\u00e7a e secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica de Bras\u00edlia, o Anderson Torres, e a c\u00fapula da PM que foi presa, mas at\u00e9 agora a gente n\u00e3o tem nenhuma not\u00edcia dos processos, das acusa\u00e7\u00f5es, a coisa t\u00e1 meio abafada.<\/p>\n<p>E o terceiro pilar, que \u00e9 dentro da Uni\u00e3o, que \u00e9 o pilar do Poder Federal, do Governo Federal, onde est\u00e3o os elementos que estavam no GSI, que estavam no Comando Militar do Planalto, que estavam no Comando da Guarda Presidencial, que estavam na Abin.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, na verdade, do trip\u00e9, s\u00f3 um p\u00e9 est\u00e1 sendo investigado e condenado.<\/p>\n<p><strong>Queria voltar \u00e0 quest\u00e3o dos membros do Alto Comando que n\u00e3o aceitaram a ideia de golpe\u2026\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Olha, na verdade, eles agiram de forma passiva, mas muito clara, no sentido de que n\u00e3o aceitariam uma interven\u00e7\u00e3o militar. Na verdade, eles fizeram uma resist\u00eancia passiva.<\/p>\n<p>Uma situa\u00e7\u00e3o que a gente chamaria, o verbo attendere, em franc\u00eas, \u201catentismo\u201d, de ficar atento para esperar o que ia acontecer.<\/p>\n<p>Mas com isso, n\u00e3o se permitiu que os elementos mais bolsonaristas do Alto Comando embarcassem num primeiro momento na tentativa de golpe.<\/p>\n<p>V\u00e1rias vezes o golpe foi esbo\u00e7ado. Ele foi esbo\u00e7ado no 7 de setembro de 2021; no dia 30 de outubro de 2022, segundo turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Ele foi esbo\u00e7ado no dia 12 de dezembro, quanto da diploma\u00e7\u00e3o do Lula. A cada vez, tentava-se avaliar quem poderia ir junto, se era ali o momento, se ia ou n\u00e3o ia\u2026.<\/p>\n<p><strong>\u2026Sei.<\/strong><\/p>\n<p>Mas houve n\u00e3o s\u00f3 essa situa\u00e7\u00e3o de atentismo desses cinco generais, como tamb\u00e9m um contato direto entre o Supremo Tribunal Federal e o Alto Comando.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rios momentos, o ministro Toffoli, mas n\u00e3o s\u00f3 ele, fez contato com alguns desses generais e disseram que n\u00e3o ia haver valida\u00e7\u00e3o, como houve em 1964 de um golpe de qualquer tipo que fosse desferido pelo bolsonarismo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, de um lado, houve essa resist\u00eancia passiva dentro do Alto Comando e, de outro, uma press\u00e3o externa vinda do Supremo, avaliando que n\u00e3o haveria valida\u00e7\u00e3o p\u00f3s-fato do golpe.<\/p>\n<p>Por isso que eu falo que \u00e9 uma insurrei\u00e7\u00e3o. O que se esperava \u00e9 que o ato de Bras\u00edlia impedisse o funcionamento do governo e que fosse repetido, clonado em S\u00e3o Paulo, no Rio, em Recife, em Belo Horizonte, no Sul, para, com isso, paralisar o pa\u00eds.<\/p>\n<p>E numa situa\u00e7\u00e3o de paralisia, ent\u00e3o, se declarar que o governo era incapaz de se manter.<\/p>\n<p>E que isso, ent\u00e3o, implicava no uso do artigo 142, que teria que ser validado pelo Supremo. Mas a\u00ed o Supremo j\u00e1 tinha avisado que n\u00e3o ia validar, que n\u00e3o ia ter valida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Houve, durante alguns momentos da sexta-feira, dia 6 de janeiro, at\u00e9 a ter\u00e7a-feira, dia 10 de janeiro, um certo medo de alguns generais do Alto Comando, de que um coronel qualquer, sei l\u00e1, em Quixeramobim (CE), ou em Pouso Alto (MG), colocasse as tropas na rua.<\/p>\n<p>Ou seja, n\u00e3o se tinha o controle sobre o conjunto das Organiza\u00e7\u00f5es Militares.<\/p>\n<p>E que, colocadas as tropas na rua, outras seguissem e que n\u00e3o haveria condi\u00e7\u00f5es de usar uma for\u00e7a militar para combater outra. Que haveria, ent\u00e3o, um domin\u00f3 de ades\u00f5es a\u00ed.<\/p>\n<p>Mesmo no dia 8, no meio da tarde, o Fl\u00e1vio Dino n\u00e3o tinha nenhuma certeza da PM do Distrito Federal, ou mesmo da Pol\u00edcia Federal, estarem cumprindo as ordens do governo.<\/p>\n<p>A grande novidade, aquilo que tamb\u00e9m fez um desequil\u00edbrio, foi, sem d\u00favida nenhuma, uma atua\u00e7\u00e3o muito firme do Andr\u00e9 Passos Rodrigues, o diretor-geral da Pol\u00edcia Federal, que conseguiu que a maior parte da Pol\u00edcia Federal se mantivesse numa posi\u00e7\u00e3o legalista e n\u00e3o seguisse a desobedi\u00eancia, por exemplo, que o comandante do Ex\u00e9rcito, general Arruda promoveu mobilizando os carros blindados.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m o aviso do Dino de que ele chamaria PMs do Maranh\u00e3o ou da Bahia, onde os governos do PT tinham mais controle, para ocupar Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Isso fez com que a PM do Distrito Federal tamb\u00e9m se movesse.<\/p>\n<p>Mas at\u00e9 \u00e0s 5 horas da tarde, mais ou menos, isso n\u00e3o estava claro.<\/p>\n<p>\u00c0s 5 horas e pouco da tarde, o general Arruda estava aos berros, aos berros com o Dino l\u00e1 no comando militar, porque ele n\u00e3o queria aceitar, e n\u00e3o aceitou de fato, que a PM e a Pol\u00edcia Federal entrassem no acampamento para prender os insurretos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o foi uma situa\u00e7\u00e3o muito delicada.<\/p>\n<p>E, realmente, n\u00e3o se sabia durante algumas horas sobre que for\u00e7as o Governo Federal tinha ou n\u00e3o tinha controle.<\/p>\n<p><strong>O senhor, como estudioso e especialista em For\u00e7as Armadas, teve alguma atua\u00e7\u00e3o nesse dia?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Eu acho que a gente conseguiu alguns canais diretos de fala. E esses canais funcionaram com dois deputados do PT, que estavam na comitiva do Lula l\u00e1 em S\u00e3o Paulo, e com dois secret\u00e1rios do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, que entenderam perfeitamente.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed \u00e9 que est\u00e1 o grande pulo do gato e a mudan\u00e7a e a sensa\u00e7\u00e3o de retomada de controle que foi n\u00e3o utilizar o artigo 142 da Constitui\u00e7\u00e3o (que garante a decreta\u00e7\u00e3o de GLO) e ir para o artigo 136 de Defesa do Estado, onde se coloca a quest\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o civil. Tanto que imediatamente se nomeia Ricardo Capelli, que \u00e9 um jornalista, \u00e9 um civil, para fazer a interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o esses canais ligados principalmente a um grupo de cientistas pol\u00edticos e advogados que conseguiram falar e dizer que de maneira alguma se deveria usar a GLO. Porque na verdade, se tinha j\u00e1 at\u00e9 preparado o nome de um general para assumir o controle. E assumindo o controle, a devolu\u00e7\u00e3o desse poder \u00e0 Rep\u00fablica n\u00e3o seria f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Esse era o mesmo grupo de pesquisadores que hoje acha que o artigo 142 tem que ser reescrito. Ele \u00e9 uma falha, \u00e9 aquilo que a gente chama de erro constitucional, acontece nas constitui\u00e7\u00f5es, aconteceu na Constitui\u00e7\u00e3o de Weimar e deu no que deu.<\/p>\n<p>E esses pesquisadores realmente ficaram muito surpresos quando o governo agora voltou a utilizar o 142.<\/p>\n<p><strong>Sim. O senhor diz agora, na ado\u00e7\u00e3o de uma GLO para portos e aeroportos do Rio. Qual o problema?\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Com isso, volta a se dar uma for\u00e7a muito grande a essa falsa doutrina da tutela militar sobre a Rep\u00fablica. Sobre a ideia de que sem os militares a Rep\u00fablica n\u00e3o consegue se manter.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma quest\u00e3o fundamental da Rep\u00fablica. E com isso, o governo Lula comete o principal erro dele em toda a gest\u00e3o da crise, que \u00e9 revigorar o artigo 142 atrav\u00e9s da quest\u00e3o da criminalidade urbana.<\/p>\n<p><strong>Agora, o PT chegou a falar em reformar o artigo 142 e tal. Acho que j\u00e1 desistiram, n\u00e9?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1. Na verdade, com a nova GLO, se reafirmou a doutrina que est\u00e1 contida nele, que \u00e9 a tutela militar.<\/p>\n<p>A outra coisa \u00e9 tamb\u00e9m que os pr\u00f3prios militares se entendem como poder, o que \u00e9 um erro, n\u00e9?<\/p>\n<p>Eles n\u00e3o s\u00e3o poder, n\u00e3o existe poder militar na Rep\u00fablica. Os poderes s\u00e3o tr\u00eas, est\u00e3o l\u00e1 na Constitui\u00e7\u00e3o. E devem conviver harmonicamente.<\/p>\n<p>Os militares s\u00e3o uma burocracia do Poder Executivo que t\u00eam uma caracter\u00edstica Weberiana espec\u00edfica: s\u00e3o os que t\u00eam o monop\u00f3lio da viol\u00eancia legal do Estado. A diferen\u00e7a deles \u00e9 isso. Mas s\u00e3o uma burocracia de Estado, n\u00e3o s\u00e3o um poder. Quer dizer, n\u00e3o tem que se fazer uma avalia\u00e7\u00e3o dos interesses da opini\u00e3o das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p><strong>Que foi o caso do convite para fazerem parte da Comiss\u00e3o Eleitoral, por exemplo.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O ministro Barroso, o que \u00e9 de se surpreender, porque ele \u00e9 um jurista do Supremo, ele, ao convocar militares para compor aquela comiss\u00e3o eleitoral, ele errou enormemente.<\/p>\n<p>Ele abriu a porta a que os militares tivessem opini\u00e3o sobre urna eletr\u00f4nica, sobre sistema de apura\u00e7\u00e3o, sobre c\u00f3digo-fonte, sobre tudo isso.<\/p>\n<p>Quer dizer, os militares s\u00e3o chamados para garantir a integridade da vota\u00e7\u00e3o. \u00c9 isso. Eles n\u00e3o t\u00eam opini\u00e3o. Se se vota em papel, em m\u00e1quina, se vota de dia, de noite, nada tem opini\u00e3o deles.<\/p>\n<p>Eles n\u00e3o t\u00eam que fazer nada disso. Quem tem opini\u00e3o sobre isso s\u00e3o os tr\u00eas poderes. O Legislativo que criou a regra, o Executivo que criou a lei, quem executa, e a Justi\u00e7a Eleitoral, que v\u00ea se est\u00e1 tudo conforme os preceitos legais.<\/p>\n<p><strong>Mas nesse caso, do desmerecimento das urnas, aquele relat\u00f3rio que n\u00e3o diz nem que n\u00e3o nem que sim, mas que pode ser, neste caso estamos falando de uma atua\u00e7\u00e3o institucional, e n\u00e3o s\u00f3 de um ou dois generais\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Aquilo era criar as condi\u00e7\u00f5es para deslegitimar o resultado eleitoral. Veja que em todas essas insurrei\u00e7\u00f5es modernas, na Pra\u00e7a Maidan, na reelei\u00e7\u00e3o do Evo, ou na contagem de votos do Trump, todo o centro da quest\u00e3o \u00e9 deslegitimar a vota\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 o candidato. N\u00e3o \u00e9 dizer que o candidato \u00e9 corrupto, que o candidato \u00e9 isso, que o candidato \u00e9 aquilo.<\/p>\n<p>\u00c9 o pr\u00f3prio processo eleitoral.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando o Ex\u00e9rcito assume uma postura de, contra o Superior Tribunal Eleitoral, criticar o processo eleitoral, ele estava exorbitando enormemente das suas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E todos aqueles que fizeram a express\u00e3o verbal dessa exorbit\u00e2ncia deveriam ter sido punidos no ato.<\/p>\n<p>No ato.<\/p>\n<p>Deix\u00e1-los continuar falando sobre resultados eleitorais, a discutir, a fazer pareceres de moto pr\u00f3prio, \u00e9 uma forma de subverter o processo eleitoral. N\u00e3o \u00e9 leg\u00edtimo, \u00e9 ilegal.<\/p>\n<p>Mas a institucionalidade, ela se expressa verbalmente atrav\u00e9s de indiv\u00edduos.<\/p>\n<p><strong>Sim.<\/strong><\/p>\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o tem como punir a institui\u00e7\u00e3o e o Ex\u00e9rcito. Mas se algu\u00e9m, como foi o caso do ministro da Defesa do Bolsonaro, vem a p\u00fablico e diz que desconfia do sistema eleitoral, ele deve ser punido. E isso n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<p>N\u00e3o aconteceu, n\u00e3o pela parte do Poder Executivo, de onde a gente n\u00e3o esperaria nada, mas n\u00e3o aconteceu tamb\u00e9m por parte da Justi\u00e7a Eleitoral e nem da parte do Supremo.<\/p>\n<p>Porque, naquele momento, as pessoas realmente n\u00e3o estavam acreditando na possibilidade do golpe.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea compartilha da opini\u00e3o que as institui\u00e7\u00f5es responderam bem, salvaram a democracia?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 verdade. Quando o poder militar fala do processo eleitoral, as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o funcionando. Como hoje tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o.<\/p>\n<p>Numa democracia normal, saud\u00e1vel, n\u00e3o tem que se vencer golpes. N\u00e3o tem que se lidar com golpes. N\u00e3o tem que se lidar com minutas que v\u00e3o ca\u00e7ar ju\u00edzes do Superior Tribunal Eleitoral ou do Supremo Tribunal Eleitoral.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 verdade que a democracia brasileira estava bem, era forte e que mostrou sua for\u00e7a vencendo o golpe.<\/p>\n<p>Venceu o golpe por muito pouco. O risco foi muito, muito elevado.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que est\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es civis militares hoje?<\/strong><\/p>\n<p>Olha s\u00f3, eu diria que 80% das for\u00e7as militares, mais quase 90% do oficialato, \u00e9 aquilo que a gente poderia chamar de \u201cmorista\u201d. Continuam defensores do S\u00e9rgio Moro, da ideia de que n\u00e3o houve elei\u00e7\u00e3o leg\u00edtima, houve interven\u00e7\u00e3o do Supremo e do Superior Tribunal Eleitoral, que eles \u00e9 que escolheram o Lula presidente.<\/p>\n<p>Por sinal, o Lula \u00e9 tratado normalmente como o \u201cdescondenado\u201d. N\u00e3o como algu\u00e9m que foi absorvido e n\u00e3o tem nada contra ele, mas como \u201cdescondenado\u201d, mostrando a ideia de uma justi\u00e7a parcial nesse sentido.<\/p>\n<p>O governo n\u00e3o tem promovido de maneira alguma uma renova\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas. Ele tem reafirmado tudo, inclusive a pol\u00edtica do primeiro e segundo mandatos do Lula, de refor\u00e7ar com equipamento, com novas armas, com novos treinamentos, etc, as For\u00e7as Armadas. At\u00e9 porque o Lula acha que isso \u00e9 importante para a pol\u00edtica externa, e o Lula \u00e9 apaixonado por pol\u00edtica externa.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o ele continua investindo. N\u00e3o houve nenhuma puni\u00e7\u00e3o, n\u00e3o houve nenhuma diminui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existem elementos fundamentais que n\u00f3s, o c\u00edrculo de intelectuais, professores que estudamos isso, consideram b\u00e1sico como, por exemplo, a reforma dos curr\u00edculos das escolas e academias militares para tirar essa ideia messi\u00e2nica de tutela das for\u00e7as militares sobre a Rep\u00fablica. Mas isso nem \u00e9 pensado.<\/p>\n<p>A nova pol\u00edtica de intelig\u00eancia promulgada, m\u00eas passado, pelo ministro Jos\u00e9 M\u00facio Monteiro, permite que os \u00f3rg\u00e3os de intelig\u00eancia das For\u00e7as Armadas operem dentro da fronteira. O que \u00e9 totalmente absurdo. A fun\u00e7\u00e3o dos militares \u00e9 fronteira para fora, e n\u00e3o fronteira para dentro.<\/p>\n<p>O documento do Jos\u00e9 M\u00facio Monteiro reafirma essa capacidade e n\u00e3o fala mais em \u201cinimigos internos\u201d, mas fala em \u201cfor\u00e7as antag\u00f4nicas no pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Quer dizer, continuamos dentro do mesmo mundo mental do bolsonarismo no seio das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p><strong>Por Natalia Viana, Ag\u00eancia P\u00fablica<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"m-8-t text-center\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 P\u00fablica, historiador Francisco Teixeira afirma que houve tentativa de insurrei\u00e7\u00e3o &nbsp; Houve uma tentativa de insurrei\u00e7\u00e3o, segundo conceito da ci\u00eancia pol\u00edtica \u2013 e uma insurrei\u00e7\u00e3o que repete a\u00e7\u00f5es semelhantes que ocorreram recentemente da Ucr\u00e2nia \u00e0 Bol\u00edvia e nos Estados Unidos. Essa \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o do historiador Francisco Teixeira, que estuda a rela\u00e7\u00e3o entre civis [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":11253,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[1709,1710,1672],"class_list":["post-11252","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-8-de-janeiro","tag-tentativa-de-golpe","tag-terroristas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11252","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11252"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11252\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11254,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11252\/revisions\/11254"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}