{"id":10562,"date":"2023-02-05T18:30:46","date_gmt":"2023-02-05T21:30:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=10562"},"modified":"2023-02-05T18:30:46","modified_gmt":"2023-02-05T21:30:46","slug":"meio-ambiente-passa-a-ser-cartao-de-visitas-do-brasil-no-exterior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/meio-ambiente-passa-a-ser-cartao-de-visitas-do-brasil-no-exterior\/","title":{"rendered":"Meio Ambiente passa a ser cart\u00e3o de visitas do Brasil no exterior"},"content":{"rendered":"<p><i>O compromisso com a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento devolve ao Brasil o protagonismo perdido com Bolsonaro e enche o caixa do governo com recursos externos: o Fundo Amaz\u00f4nia j\u00e1 foi reativado e a Alemanha anunciou um repasse de R$ 1,1 bilh\u00e3o para o Pa\u00eds.<\/i><\/p>\n<p>Se o descaso com a Amaz\u00f4nia durante o governo passado relegou o Brasil \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de p\u00e1ria internacional na quest\u00e3o ambiental, o Pa\u00eds agora est\u00e1 de volta como lideran\u00e7a global nas discuss\u00f5es sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O compromisso da gest\u00e3o de Lula com a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento, avalizado pela presen\u00e7a de Marina Silva no Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, n\u00e3o s\u00f3 recoloca o Pa\u00eds no papel de protagonista, mas tem funcionado tamb\u00e9m como um excelente cart\u00e3o de visitas para a atra\u00e7\u00e3o de recursos financeiros dos pa\u00edses ricos e j\u00e1 come\u00e7a a abrir caminho para importantes parcerias. Os resultados pr\u00e1ticos n\u00e3o tardaram a aparecer: o governo da Alemanha anunciou a doa\u00e7\u00e3o de um pacote de R$ 1,1 bilh\u00e3o ao governo brasileiro, al\u00e9m de outros R$ 192 milh\u00f5es para o Fundo Amaz\u00f4nia, que estava paralisado desde 2019.<\/p>\n<h3>R$ 1,1 BILH\u00c3O\u00a0Valor do pacote que o governo alem\u00e3o pretende repassar ao Brasil<\/h3>\n<p>O an\u00fancio do repasse foi feito por Svenja Schulze, ministra alem\u00e3 da Coopera\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica e do Desenvolvimento, com a anu\u00eancia do chanceler Olaf Scholz, que esteve no Brasil na segunda-feira, 30, para um encontro com o presidente Lula. Na pauta da reuni\u00e3o do premier alem\u00e3o o tema principal foi a prote\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e a autoriza\u00e7\u00e3o para que parte dos recursos liberados seja usada no socorro aos yanomamis. Lula e Scholz discutiram tamb\u00e9m a conclus\u00e3o do acordo comercial entre Uni\u00e3o Europeia (UE) e Mercosul. A visita confirma que o Pa\u00eds voltou a ter relev\u00e2ncia no cen\u00e1rio internacional: a \u00faltima viagem de um chanceler alem\u00e3o ao Pa\u00eds havia ocorrido em 2015, quando Angela Merkel se reuniu com a ent\u00e3o presidente Dilma Rousseff. Depois de Scholz, deve vir ao Brasil tamb\u00e9m o presidente da Fran\u00e7a, Emannuel Macron e, na pr\u00f3xima semana, Lula ser\u00e1 recebido na Casa Branca, em Washington, pelo presidente americano Joe Biden. O combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 o primeiro ponto da pauta dos encontros. Quando esteve em Davos, no F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, Marina lembrou que o Acordo de Paris estabelece que os pa\u00edses desenvolvidos devem investir at\u00e9 US$ 100 bilh\u00f5es anuais nos pa\u00edses mais pobres e que o Brasil pode captar boa parte desse dinheiro.<\/p>\n<p>\u201cTenho certeza de que essa decis\u00e3o do governo alem\u00e3o de direcionar recursos para projetos relacionados ao clima e ao meio ambiente no Brasil ser\u00e1 seguida pelos demais pa\u00edses desenvolvidos\u201d, diz Suely Ara\u00fajo, especialista s\u00eanior em pol\u00edticas p\u00fablicas do Observat\u00f3rio do Clima. \u201cOs problemas ambientais n\u00e3o respeitam fronteiras entre pa\u00edses, e o mundo inteiro ganha com a coopera\u00e7\u00e3o internacional nesse tema\u201d, explica. \u201cO Brasil tem de aproveitar suas vantagens comparativas e pode se tornar a primeira grande economia do mundo a capturar mais gases de efeito estufa do que emite, tornando-se um pa\u00eds negativo em carbono\u201d. S\u00f3cio-fundador do Instituto Socioambiental, M\u00e1rcio Santilli diz que a retomada das pol\u00edticas socioambientais pelo governo Lula \u201crenova a esperan\u00e7a\u201d de que \u00e9 poss\u00edvel evitar a devasta\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia \u2013 e que isso contribui para destravar as negocia\u00e7\u00f5es do Acordo entre a UE e o Mercosul, facilitando a ades\u00e3o do Brasil \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE).<\/p>\n<h3>R$ 192 milh\u00f5es\u00a0Valor do repasse dos alem\u00e3es para o Fundo Amaz\u00f4nia<\/h3>\n<h3>Cart\u00e3o de visitas<\/h3>\n<p>\u201cSem d\u00favida, a credibilidade do atual governo na pauta ambiental, na pessoa da Marina Silva, \u00e9 importante para atrair compromissos de investimentos\u201d, diz Mario Monzoni, coordenador geral do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV. \u201cSa\u00edmos da narrativa dos \u00faltimos quatro anos de que o meio ambiente \u00e9 obst\u00e1culo para o desenvolvimento. O Brasil agora passa ao mundo a mensagem de que \u00e9 poss\u00edvel conciliar preserva\u00e7\u00e3o ambiental com prosperidade econ\u00f4mica\u201d, explica. \u201cTem s\u00f3 um m\u00eas de governo, a ver quanto esse cart\u00e3o de visitas vai entregar. Mas o que se apresenta \u00e9 uma pol\u00edtica ambiental que j\u00e1 deu certo no passado, quando Marina esteve \u00e0 frente da pasta do Meio Ambiente nos dois primeiros governos do presidente Lula\u201d, completa Monzoni. O pesquisador lembra que, num cen\u00e1rio internacional em que a quest\u00e3o clim\u00e1tica est\u00e1 no centro do debate, o Brasil tem compromissos internacionais com a redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de carbono. \u201cA nossa maior emiss\u00e3o \u00e9 do desmatamento\u201d, diz. \u201cA nossa grande contribui\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 a reduzir a derrubada das florestas\u201d.<\/p>\n<p>O l\u00edder ind\u00edgena Beto Marubo tamb\u00e9m v\u00ea com naturalidade as contribui\u00e7\u00f5es de outros pa\u00edses para o combate ao desmatamento. \u201cAs quest\u00f5es ambientais e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas afetam o mundo inteiro\u201d, avalia. \u201cHavendo um esfor\u00e7o internacional, isso beneficia n\u00e3o s\u00f3 o meio ambiente, mas tamb\u00e9m impacta em a\u00e7\u00f5es sociais correlatas, que envolvem ind\u00edgenas, ribeirinhos e pequenos agricultores\u201d. Marubo \u00e9 l\u00edder na regi\u00e3o do Vale do Javari, no Amazonas \u2013 regi\u00e3o invadida por garimpeiros e madeireiros ilegais onde foram assassinados o indigenista Bruno Pereira e o jornalista brit\u00e2nico Dom Phillips. Sobre a crise humanit\u00e1ria dos yanomamis, ele destaca a import\u00e2ncia das medidas emergenciais para mitigar o sofrimento dos ind\u00edgenas \u2013 parte dos recursos do Fundo Amaz\u00f4nia ser\u00e1 destinada para a\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o afetada. Mas ele lembra que \u00e9 fundamental garantir a presen\u00e7a do estado nos territ\u00f3rios ind\u00edgenas, por meio do fortalecimento da Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas (Funai). \u201cNo final disso tudo, quem vai ficar no territ\u00f3rio \u00e9 a Funai, n\u00e3o s\u00f3 para a assist\u00eancia aos povos ind\u00edgenas mas tamb\u00e9m para a prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente\u201d, ressalta.<\/p>\n<p class=\"author tooltip-comp\">\n<p class=\"author tooltip-comp\"><span class=\"tooltiptext\"><span class=\"author\">Gabriela R\u00d6LKE &#8211; Isto \u00e9<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O compromisso com a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento devolve ao Brasil o protagonismo perdido com Bolsonaro e enche o caixa do governo com recursos externos: o Fundo Amaz\u00f4nia j\u00e1 foi reativado e a Alemanha anunciou um repasse de R$ 1,1 bilh\u00e3o para o Pa\u00eds. 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