{"id":10537,"date":"2023-01-29T19:10:02","date_gmt":"2023-01-29T22:10:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=10537"},"modified":"2023-01-29T19:13:55","modified_gmt":"2023-01-29T22:13:55","slug":"apos-ostracismo-de-bolsonaro-alemanha-volta-a-olhar-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/apos-ostracismo-de-bolsonaro-alemanha-volta-a-olhar-para-o-brasil\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s ostracismo de Bolsonaro, Alemanha volta a olhar para o Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span id=\"alttext-container\"><span id=\"alttext\">&#8220;Em <\/span><\/span>Viagem de Olaf Scholz a Bras\u00edlia busca restabelecer parceria hist\u00f3rica entre os dois pa\u00edses. Mas caminho pode ser mais dif\u00edcil do que aparenta.As rela\u00e7\u00f5es entre Brasil e Alemanha andam estremecidas h\u00e1 anos. Pouco tempo ap\u00f3s entrar para o seleto grupo de parceiros estrat\u00e9gicos de Berlim, Bras\u00edlia passou a ser evitada pelo pa\u00eds europeu. Durante os quatro anos que esteve no poder, Jair Bolsonaro n\u00e3o recebeu nenhuma visita de um chanceler federal alem\u00e3o, tampouco foi convidado para vir a Berlim. J\u00e1 coopera\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas foram suspensas pelo governo alem\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, desde a elei\u00e7\u00e3o de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, a Alemanha vem ensaiando uma reaproxima\u00e7\u00e3o com seu parceiro mais importante na Am\u00e9rica Latina. A visita do chanceler federal da Alemanha, Olaf Scholz, ao Brasil, que ocorre na pr\u00f3xima segunda-feira (30\/01), \u00e9 mais um sinal desse interesse. \u00c9 a segunda viagem de uma delega\u00e7\u00e3o alem\u00e3 ao pa\u00eds em menos de um m\u00eas, ap\u00f3s a presen\u00e7a do presidente alem\u00e3o, Frank-Walter Steinmeier, na posse de Lula.<\/p>\n<p>Mas depois de um per\u00edodo turbulento, o caminho para restabelecer os antigos la\u00e7os pode ser mais dif\u00edcil do que aparenta \u00e0 primeira vista. &#8220;A elei\u00e7\u00e3o de Lula foi vista com um al\u00edvio na Alemanha, mas pode ser uma armadilha, pois as coordenadas mudaram com o governo Bolsonaro. Al\u00e9m disso, a Alemanha e a Europa v\u00e3o enfrentar uma grande concorr\u00eancia com a China. N\u00e3o d\u00e1 para continuar com o antigo projeto e a receita antiga, \u00e9 preciso uma nova proposta para se encontrar um novo interesse comum&#8221;, avalia o cientista pol\u00edtico G\u00fcnther Maihold, diretor interino do Instituto Alem\u00e3o para Pol\u00edtica Internacional e Seguran\u00e7a (SWP).<\/p>\n<p>Parceira hist\u00f3rica<\/p>\n<p>Os la\u00e7os entre Brasil e Alemanha v\u00eam de longa data. O s\u00e9culo 19 marcou o auge da migra\u00e7\u00e3o alem\u00e3 para o pa\u00eds latino-americano. Nesse per\u00edodo tamb\u00e9m foram estreitadas as rela\u00e7\u00f5es comerciais e econ\u00f4micas. A Alemanha era na \u00e9poca um dos principais compradores de a\u00e7\u00facar e caf\u00e9 do Brasil, e tamb\u00e9m importava tabaco, algod\u00e3o e couro.<\/p>\n<p>No fim do s\u00e9culo 19, algumas empresas alem\u00e3s se estabeleceram no pa\u00eds, como a Siemens, em 1895, e a Bayer, em 1896. Com as guerras mundiais, houve um rompimento nas rela\u00e7\u00f5es bilaterais, mas que retornaram com toda a for\u00e7a a partir da d\u00e9cada 1950, quando grandes empresas da Alemanha, como Volkswagen e BASF, abriram f\u00e1bricas no Brasil. E, assim, S\u00e3o Paulo tornou-se o maior polo industrial alem\u00e3o fora do pa\u00eds.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito pol\u00edtico, nos anos ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, os pa\u00edses assinaram diversos acordos de coopera\u00e7\u00e3o \u2013 em energia nuclear, agricultura, economia, pesquisa cient\u00edfica, desenvolvimento tecnol\u00f3gico, preserva\u00e7\u00e3o de florestas e coprodu\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica. Essa rela\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou um novo patamar em 2008, quando a ent\u00e3o chanceler federal alem\u00e3 Angela Merkel e o ent\u00e3o presidente Lula assinaram um plano de parceria estrat\u00e9gica, algo in\u00e9dito entre os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Essa parceria visava aprofundar coopera\u00e7\u00f5es ambientais, energ\u00e9ticas, nas \u00e1reas de defesa, seguran\u00e7a, ci\u00eancia e tecnologia, em quest\u00f5es sociais e ligadas ao trabalho, desenvolvimento sustent\u00e1vel e direitos humanos. Buscava-se ainda uma atua\u00e7\u00e3o mais afinada em rodadas internacionais como as que ocorrem no \u00e2mbito da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura do Conselho de Seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Esse foi o primeiro passo para uma coopera\u00e7\u00e3o maior. Em 2015, os dois pa\u00edses chegaram a promover as primeiras Consultas Intergovernamentais de Alto N\u00edvel Brasil-Alemanha. Na \u00e9poca, apenas dez pa\u00edses faziam parte do seleto grupo de parceiros mais pr\u00f3ximos de Berlim: Fran\u00e7a, Espanha, It\u00e1lia, Pol\u00f4nia, Israel, R\u00fassia, China, \u00cdndia, Tun\u00edsia e Holanda. Merkel esteve em Bras\u00edlia com uma comitiva de ministros e secret\u00e1rios que se reuniram com seus hom\u00f3logos brasileiros. Ao fim do encontro, foram previstas novas rodadas de conversas neste \u00e2mbito a cada dois anos, mas isso nunca aconteceu.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma pol\u00edtica simb\u00f3lica. Esse formato prev\u00ea n\u00e3o somente uma viagem de uma delega\u00e7\u00e3o com chanceler, mas encontros frequentes do alto escal\u00e3o governamental para tratar de temas importantes para ambos os pa\u00edses. Desde o impeachment de 2016, a Alemanha viu a situa\u00e7\u00e3o no Brasil como preocupante e manteve o distanciamento&#8221;, afirma o cientista pol\u00edtico Peter Birle, diretor cient\u00edfico do Instituto Ibero-Americano.<\/p>\n<p>Longa ruptura<\/p>\n<p>O estremecimento das rela\u00e7\u00f5es bilaterais come\u00e7ou ap\u00f3s o impeachment de Dilma Rousseff. Em 2017, Merkel esteve na Am\u00e9rica Latina, visitando Argentina e M\u00e9xico, mas evitou passar pelo Brasil. A rela\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 estava abalada, esfriou ainda mais durante o governo Bolsonaro.<\/p>\n<p>&#8220;As rela\u00e7\u00f5es internacionais, no geral, sofreram no governo Bolsonaro, devido \u00e0 sua radicalidade, ao descuido com a pol\u00edtica ambiental e \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es que prejudicavam a Amaz\u00f4nia e comunidades ind\u00edgenas&#8221;, pontua a cientista pol\u00edtica Mariana Llanos, do Instituto Alem\u00e3o para Estudos Globais e Regionais (Giga).<\/p>\n<p>Em junho de 2019, a ent\u00e3o chanceler federal Merkel disse ver com &#8220;grande preocupa\u00e7\u00e3o&#8221; a situa\u00e7\u00e3o no Brasil sob Bolsonaro. Pouco tempo depois, em meio \u00e0 alta do desmatamento da Amaz\u00f4nia e a in\u00e9rcia de Bolsonaro em combater o problema, a Alemanha suspendeu os repasses para o Fundo Amaz\u00f4nia \u2013 mecanismo criado em 2008 para financiar a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e combate ao desmatamento do bioma. O pa\u00eds europeu tamb\u00e9m congelou outros programas ambientais na regi\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"zLpKAG43\">\n<p>Na \u00e9poca, Bolsonaro menosprezou o ocorrido. &#8220;Ela [Alemanha] n\u00e3o vai mais comprar a Amaz\u00f4nia, vai deixar de comprar a presta\u00e7\u00f5es a Amaz\u00f4nia. Pode fazer bom uso dessa grana. O Brasil n\u00e3o precisa disso&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Em 2020, o governo alem\u00e3o admitiu ainda a dificuldade de cooperar com o Brasil em \u00e1reas como pol\u00edtica ambiental e assist\u00eancia aos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Mas o afastamento n\u00e3o foi impulsionado s\u00f3 pelo lado alem\u00e3o. &#8220;A Alemanha evitou o Brasil durante o governo Bolsonaro, mas Bolsonaro tamb\u00e9m n\u00e3o teve muito interesse na Alemanha&#8221;, destaca Birle.<\/p>\n<p>Em 2021, Bolsonaro chegou a se reunir em Bras\u00edlia com a deputada alem\u00e3 Beatrix von Storch, ent\u00e3o vice-l\u00edder do partido ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD), cujos deputados n\u00e3o costumam ser recebidos por governo estrangeiros devido \u00e0s suas tend\u00eancias extremistas.<\/p>\n<p>J\u00e1 no \u00e2mbito econ\u00f4mico, houve uma continuidade nas rela\u00e7\u00f5es. &#8220;A Alemanha tem nessa \u00e1rea uma presen\u00e7a estabilizada no Brasil, por\u00e9m n\u00e3o houve novos grandes investimentos devido \u00e0 instabilidade criada com o governo Bolsonaro&#8221;, afirma Maihold.<\/p>\n<p>Um recome\u00e7o<\/p>\n<p>Diante desse quadro, a viagem de Scholz pode ser vista como um claro sinal de apoio ao novo governo, avalia Llanos. &#8220;Depois dos anos de ostracismo de Bolsonaro, o Brasil volta ao cen\u00e1rio internacional&#8221;, ressalta.<\/p>\n<p>A viagem do chanceler alem\u00e3o, que inclui ainda a Argentina e Chile, tamb\u00e9m sinaliza que o governo alem\u00e3o apoia a atual dire\u00e7\u00e3o dos governos desses pa\u00edses. As tr\u00eas na\u00e7\u00f5es sul-americanas t\u00eam atualmente governos de esquerda, e o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), de Scholz, \u00e9 de centro-esquerda.<\/p>\n<p>No Brasil, o SPD tem ainda uma liga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica com o PT. Em 2021, Lula reuniu-se em Berlim com Scholz ap\u00f3s o resultado da \u00faltima elei\u00e7\u00e3o alem\u00e3, quando este ainda negociava a forma\u00e7\u00e3o do atual governo. Na mesma viagem, o petista encontrou-se com outros pol\u00edticos social-democratas. Enquanto esteve preso, diversas figuras do SPD manifestaram solidariedade a Lula. Em 2018, Martin Schulz, ex-l\u00edder do SPD alem\u00e3o e ex-presidente do Parlamento Europeu, visitou Lula em Curitiba na pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de demonstrar esse apoio e de abordar a quest\u00e3o ambiental, os especialistas afirmam que h\u00e1 tamb\u00e9m interesses comerciais na visita de Scholz. Representantes do setor econ\u00f4mico alem\u00e3o fazem parte da comitiva que ir\u00e1 ao Brasil. A Alemanha busca, principalmente, novos parceiros para a produ\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio verde.<\/p>\n<p>Por DEUTSCHE WELLE<\/p>\n<div>\n<div data-hb-type=\"ads\" data-hb-position=\"p15\">\n<div class=\"clearfix\"><\/div>\n<div id=\"\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Em Viagem de Olaf Scholz a Bras\u00edlia busca restabelecer parceria hist\u00f3rica entre os dois pa\u00edses. Mas caminho pode ser mais dif\u00edcil do que aparenta.As rela\u00e7\u00f5es entre Brasil e Alemanha andam estremecidas h\u00e1 anos. Pouco tempo ap\u00f3s entrar para o seleto grupo de parceiros estrat\u00e9gicos de Berlim, Bras\u00edlia passou a ser evitada pelo pa\u00eds europeu. 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