{"id":10145,"date":"2022-09-26T09:38:47","date_gmt":"2022-09-26T12:38:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=10145"},"modified":"2022-09-26T09:38:47","modified_gmt":"2022-09-26T12:38:47","slug":"parcela-de-indecisos-e-voto-envergonhado-deixam-eleicao-mais-imprevisivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/parcela-de-indecisos-e-voto-envergonhado-deixam-eleicao-mais-imprevisivel\/","title":{"rendered":"Parcela de indecisos e \u2018voto envergonhado\u2019 deixam elei\u00e7\u00e3o mais imprevis\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de as pesquisas indicarem um eleitorado majoritariamente decidido, analistas ouvidos pelo\u00a0<b>Estad\u00e3o<\/b>\u00a0indicam fatores \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es que podem mudar o cen\u00e1rio em 2 de outubro. Um deles \u00e9 a absten\u00e7\u00e3o, facilitada neste ano pela possibilidade de justificativa por aplicativo. H\u00e1, ainda, o voto \u00fatil dos que defendem encerrar a disputa no primeiro turno, o chamado \u201cvoto envergonhado\u201d \u2013 n\u00e3o revelado nas pesquisas \u2013 e o porcentual de indecisos.<\/p>\n<p>Baixo nos levantamentos estimulados (quando se informam os nomes dos candidatos), o \u00edndice de indecisos varia de 11% a 28% nos levantamentos espont\u00e2neos, aqueles em que os nomes dos candidatos n\u00e3o s\u00e3o apresentados.<\/p>\n<p>Segundo o cientista pol\u00edtico e professor da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) Fernando Abrucio, a taxa de indecisos pode ser maior do que aparece nas pesquisas. \u201cAlguns querem esperar at\u00e9 o fim para se informar mais e tomar uma decis\u00e3o, muitos podem ir para Simone Tebet ou Ciro Gomes , outros querem decidir se v\u00e3o votar no Lula, como voto \u00fatil\u201d, disse. \u201cO voto \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de fatores sociais e econ\u00f4micos, al\u00e9m de valores. Bolsonaro estacionou porque a economia est\u00e1 melhorando, mas o bem-estar social n\u00e3o est\u00e1.\u201d<\/p>\n<p>A absten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m influencia. Ela cresceu de 16%, em 2006, para 20,3% em 2018. Foram quase 30 milh\u00f5es de pessoas que deixaram de votar na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o. Para analistas, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) pode ser o mais prejudicado com eventual alta de faltantes, mas ela tamb\u00e9m afetaria a vota\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro (PL), que tenta a reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com Abrucio, as classes D e E tendem a votar menos (maioria declara voto em Lula), assim como os idosos (maioria declara voto em Bolsonaro). Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, em 2018, o grupo com maior \u00edndice de absten\u00e7\u00e3o foi o de analfabetos com mais de 60 anos (superior a 50%). Por outro lado, houve neste ano recorde de jovens abaixo dos 18 anos que tiraram t\u00edtulo de eleitor \u2013 2 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O cientista pol\u00edtico e presidente do conselho do Instituto de Pesquisas Sociais, Pol\u00edticas e Econ\u00f4micas (Ipespe), Antonio Lavareda, apontou o que chama de \u201cvoto err\u00e1tico\u201d, decidido nos \u00faltimos dias, como mais um fator de surpresa. \u201cTem aquele eleitor que v\u00ea a pesquisa da v\u00e9spera e vota em quem est\u00e1 liderando. E o que decide votar no azar\u00e3o, que n\u00e3o tem nenhuma chance de vencer.\u201d<\/p>\n<p>Em 2018, 10% dos votos que as pesquisas indicavam ir para outros candidatos migraram para Fernando Haddad (PT) ou Bolsonaro no \u00faltimo dia da disputa presidencial.<\/p>\n<div>\n<p>Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, a trajet\u00f3ria da mudan\u00e7a de inten\u00e7\u00e3o de voto dos eleitores \u00e9 evidente. \u201cAs pessoas s\u00e3o capazes de mudar sua inten\u00e7\u00e3o de voto dependendo da din\u00e2mica do sistema eleitoral. Aconteceu em 2018. Minha avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de que isso tende a acontecer em 2022. N\u00e3o \u00e9 desprez\u00edvel o efeito que a gente pode ter de voto \u00fatil.\u201d O mais recente levantamento do Datafolha mostrou que 11% admitem mudar de voto para que a elei\u00e7\u00e3o presidencial acabe no primeiro turno. No Ipespe, 68% tamb\u00e9m disseram que preferem que termine no dia 2.<\/p>\n<p>Intercalam-se aos indecisos e err\u00e1ticos os que podem fazer um \u201cvoto envergonhado\u201d no pr\u00f3ximo domingo. E, segundo analistas, dentre eles, os mais presentes seriam os evang\u00e9licos. \u201cO voto envergonhado evang\u00e9lico \u00e9 uma realidade. Criou-se um meio em que quem fala que vai votar no Lula sofre uma repres\u00e1lia social\u201d, disse o cientista pol\u00edtico e diretor do Observat\u00f3rio Evang\u00e9lico, Vinicius do Valle.<\/p>\n<p>A campanha de Bolsonaro aposta que exista tamb\u00e9m uma parcela de voto envergonhado para ele. Isso aconteceria nos segmentos mais pobres. E o mesmo ocorreria em sentido inverso nas faixas de maior renda, pr\u00f3-Lula.<\/p>\n<p><b>Economia<\/b><\/p>\n<p>O tema mais frequente nas preocupa\u00e7\u00f5es do eleitorado \u00e9 a economia, mostram as \u00faltimas rodadas das pesquisas. Para o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, o grupo de eleitores que recebe de dois a cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos \u00e9 um dos mais afetados pela flutua\u00e7\u00e3o do desempenho da economia. Meirelles aponta que historicamente esses eleitores t\u00eam potencial de definir a elei\u00e7\u00e3o, por ser um segmento em disputa.<\/p>\n<p>\u00c9 o que acontece nesse pleito. Enquanto Lula avan\u00e7a entre os mais pobres e Bolsonaro entre os mais ricos, a classe C \u00e9 disputada voto a voto. No Ipec, presidente e ex-presidente j\u00e1 assumiram a lideran\u00e7a mais de uma vez na s\u00e9rie hist\u00f3rica, o que pode resultar em surpresas no dia 2.<\/p>\n<p>Intercalam-se aos indecisos e err\u00e1ticos os que podem fazer um \u201cvoto envergonhado\u201d no pr\u00f3ximo domingo. E, segundo analistas, dentre eles, os mais presentes seriam os evang\u00e9licos. \u201cO voto envergonhado evang\u00e9lico \u00e9 uma realidade. Criou-se um meio em que quem fala que vai votar no Lula sofre uma repres\u00e1lia social\u201d, disse o cientista pol\u00edtico e diretor do Observat\u00f3rio Evang\u00e9lico, Vinicius do Valle.<\/p>\n<p>A campanha de Bolsonaro aposta que exista tamb\u00e9m uma parcela de voto envergonhado para ele. Isso aconteceria nos segmentos mais pobres. E o mesmo ocorreria em sentido inverso nas faixas de maior renda, pr\u00f3-Lula.<\/p>\n<p><b>Economia<\/b><\/p>\n<p>O tema mais frequente nas preocupa\u00e7\u00f5es do eleitorado \u00e9 a economia, mostram as \u00faltimas rodadas das pesquisas. Para o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, o grupo de eleitores que recebe de dois a cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos \u00e9 um dos mais afetados pela flutua\u00e7\u00e3o do desempenho da economia. Meirelles aponta que historicamente esses eleitores t\u00eam potencial de definir a elei\u00e7\u00e3o, por ser um segmento em disputa.<\/p>\n<p>\u00c9 o que acontece nesse pleito. Enquanto Lula avan\u00e7a entre os mais pobres e Bolsonaro entre os mais ricos, a classe C \u00e9 disputada voto a voto. No Ipec, presidente e ex-presidente j\u00e1 assumiram a lideran\u00e7a mais de uma vez na s\u00e9rie hist\u00f3rica, o que pode resultar em surpresas no dia 2.<\/p>\n<div class=\"qKM67K9h\">\n<div data-hb-type=\"ads\" data-hb-position=\"p15\">\n<div class=\"clearfix\"><\/div>\n<div id=\"\">Por Estad\u00e3o Conte\u00fado.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de as pesquisas indicarem um eleitorado majoritariamente decidido, analistas ouvidos pelo\u00a0Estad\u00e3o\u00a0indicam fatores \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es que podem mudar o cen\u00e1rio em 2 de outubro. Um deles \u00e9 a absten\u00e7\u00e3o, facilitada neste ano pela possibilidade de justificativa por aplicativo. 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