{"id":10041,"date":"2022-08-18T15:20:14","date_gmt":"2022-08-18T18:20:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/?p=10041"},"modified":"2022-08-18T15:20:14","modified_gmt":"2022-08-18T18:20:14","slug":"stf-pagamento-de-ferias-atrasadas-nao-mais-sera-em-dobro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalimprensasindical.com.br\/sitenovo\/stf-pagamento-de-ferias-atrasadas-nao-mais-sera-em-dobro\/","title":{"rendered":"STF: pagamento de f\u00e9rias atrasadas n\u00e3o mais ser\u00e1 em dobro"},"content":{"rendered":"<div>A decis\u00e3o se deu no julgamento da ADF (Argui\u00e7\u00e3o de Descumprimento de Preceito Fundamental) 501, na sess\u00e3o virtual encerrada dia 5 de agosto. O mercado agradece mais essa dadiva do STF oferecida ao capital.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A s\u00famula do TST estabelece que o pagamento em dobro, san\u00e7\u00e3o legalmente prevista para a concess\u00e3o das f\u00e9rias com atraso (artigo 137 da CLT), seja tamb\u00e9m aplicado no caso de pagamento fora do prazo legal, que \u00e9 de 2 dias antes do in\u00edcio do per\u00edodo (artigo 145 da CLT), ainda que a concess\u00e3o tenha ocorrido no momento apropriado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A maioria do plen\u00e1rio acompanhou o entendimento do relator, ministro Alexandre de Moraes, de que o verbete ofende os preceitos fundamentais da legalidade e da separa\u00e7\u00e3o dos Poderes.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O plen\u00e1rio da Corte tamb\u00e9m invalidou decis\u00f5es judiciais n\u00e3o definitivas (sem tr\u00e2nsito em julgado) que, amparadas na s\u00famula, tenham aplicado, por analogia, a san\u00e7\u00e3o de pagamento em dobro com base no artigo 137 da CLT.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Legisla\u00e7\u00e3o vigente<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>No voto favor\u00e1vel ao pedido, formulado pelo governo do estado de Santa Catarina, o relator entendeu que a jurisprud\u00eancia que subsidiou o enunciado acabou por penalizar, por analogia, o empregador pela inadimpl\u00eancia de obriga\u00e7\u00e3o (pagar as f\u00e9rias) com a san\u00e7\u00e3o prevista para o descumprimento de outra obriga\u00e7\u00e3o (conceder as f\u00e9rias).<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No entendimento do relator, o prop\u00f3sito de proteger o trabalhador n\u00e3o pode se sobrepor a ponto de originar san\u00e7\u00f5es n\u00e3o previstas na legisla\u00e7\u00e3o vigente, em raz\u00e3o da impossibilidade de o Judici\u00e1rio atuar como legislador.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cEm respeito \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o Federal, os tribunais n\u00e3o podem, mesmo a pretexto de concretizar o direito \u00e0s f\u00e9rias do trabalhador, transmudar os preceitos sancionadores da CLT, dilatando a penalidade prevista em determinada hip\u00f3tese de cabimento para situa\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 estranha\u201d, decidiu.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Penalidade cab\u00edvel<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em rela\u00e7\u00e3o ao uso de constru\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica, ele explicou que a t\u00e9cnica pressup\u00f5e a exist\u00eancia de lacuna a ser preenchida. No caso, no entanto, a pr\u00f3pria CLT, no artigo 153, previu a penalidade cab\u00edvel para o descumprimento da obriga\u00e7\u00e3o de pagar as f\u00e9rias com anteced\u00eancia de 2 dias.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O ministro ressaltou, tamb\u00e9m, que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel transportar a san\u00e7\u00e3o fixada para determinado caso de inadimplemento para situa\u00e7\u00e3o distinta, em raz\u00e3o de a necessidade de conferir interpreta\u00e7\u00e3o restritiva \u00e0s normas sancionadoras.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O relator lembrou, ainda, que o pr\u00f3prio TST, em julgamentos mais recentes, tem adotado postura mais restritiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mat\u00e9ria, para atenuar o alcance da s\u00famula em casos de atraso \u00ednfimo no pagamento das f\u00e9rias.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O voto do relator foi acompanhado pelos ministros Dias Toffoli, Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, Lu\u00eds Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Luiz Fux (presidente) e Nunes Marques.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Efetiva prote\u00e7\u00e3o<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Primeiro a divergir, o ministro Edson Fachin votou pela improced\u00eancia do pedido. Para ele, o enunciado deriva da interpreta\u00e7\u00e3o de que a efetiva e concreta prote\u00e7\u00e3o do direito constitucional de f\u00e9rias depende da sua remunera\u00e7\u00e3o a tempo, e seu inadimplemento deve implicar a mesma consequ\u00eancia jur\u00eddica do descumprimento da obriga\u00e7\u00e3o de concess\u00e3o do descanso no per\u00edodo oportuno.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No entendimento de Fachin, o TST formulou o entendimento \u00e0 luz da CLT, adotando interpreta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel dentre mais de 1 hip\u00f3tese de compreens\u00e3o sobre a mat\u00e9ria. Seguiram essa posi\u00e7\u00e3o, vencida, as ministras C\u00e1rmen L\u00facia e Rosa Weber e o ministro Ricardo Lewandowski. (Com Not\u00edcias STF).<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Por For\u00e7a Sindical<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A decis\u00e3o se deu no julgamento da ADF (Argui\u00e7\u00e3o de Descumprimento de Preceito Fundamental) 501, na sess\u00e3o virtual encerrada dia 5 de agosto. O mercado agradece mais essa dadiva do STF oferecida ao capital. 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