SINDUSCON-SP


Construção espera retomar crescimento em 2018


//JOSÉ ROMEU FERRAZ NETO
//O ano de 2017 foi marcado por uma expressiva reversão de expectativas na indústria brasileira da construção. Ao final de 2016, a recessão econômica começava a dar sinais de que iria arrefecer. O novo governo federal parecia prenunciar a proximidade da retomada do desenvolvimento econômico. Uma agenda correta havia sido lançada, marcada pela intenção de realizar reformas relevantes para a diminuição dos gastos públicos, como a da Previdência.
Ao mesmo tempo, surgiam novas perspectivas de investimentos em infraestrutura com recursos privados, por meio de concessões e parcerias público-privadas. A inflação começava a recrudescer, antevendo sua expressiva redução em 2017 e abrindo espaço para a redução dos juros, condição necessária para um impulso ao crédito imobiliário.
Na área da habitação popular, o novo governo assegurava recursos para a retomada das obras paradas do Programa Minha Casa, Minha Vida, e dava esperanças de novas contratações em volume expressivo. Com este horizonte, o SindusCon-SP (reúne a indústria da construção paulista) estimava que o PIB do setor cresceria 0,5% em 2017.
Ou seja, depois de três anos consecutivos de queda, a atividade deste segmento estratégico retomaria a trajetória de crescimento interrompida pela crise iniciada em 2014. De fato, em 2017 a recessão econômica ficou para trás, puxada pelo aumento do consumo, favorecido pela queda da inflação.
No entanto, esta recuperação inicialmente não se estendeu aos investimentos em atividades de longo prazo, como a indústria da construção. Tais atividades requerem que construtoras, incorporadoras, investidores, instituições financeiras e famílias se sintam suficientemente seguros para aportar recursos expressivos em projetos de infraestrutura, empreendimentos imobiliários e habitação popular.
De maio a setembro, a incerteza gerada pela delação da JBS, o adiamento da reforma da Previdência e das concessões de infraestrutura, e a ausência de recursos federais para novos investimentos em habitação popular certamente não contribuíram para gerar essa desejada confiança.
O nível de investimentos chegou ao seu nível mais baixo, de 15% do PIB, muito longe dos desejáveis 25% que asseguram um crescimento sustentável da economia. Em consequência, já em agosto o SindusCon-SP reduziu sua previsão de desempenho do PIB da construção para 2017, de um crescimento de 0,5%, para uma queda de 3,5%.
Caso esta queda se confirme, em 2017 o PIB da construção deverá cair pelo quarto ano consecutivo, acumulando uma queda superior a 16% desde 2014. Com a decisão do Congresso de não afastar o residente Temer, diminuiu o pessimismo dos empresários da construção em relação ao futuro da economia e de seus negócios. Vendas e lançamentos imobiliários foram retomados e têm superado os resultados do ano passado. Contratações no Programa Minha Casa, Minha Vida voltaram a acontecer.
Novas concessões e parcerias para ampliação da infraestrutura voltaram ao horizonte. A expectativa é de que este horizonte de maior segurança para os investimentos na indústria da construção se mantenha ao longo de 2018. Há esperança de que o crescimento previsto para este ano acabe acontecendo no ano que vem.
Também obtivemos uma reforma trabalhista que traz mais segurança jurídica aos contratos de trabalho e abre perspectivas de retomada do emprego neste e em outros setores. Mas para tanto é imprescindível que, além da aprovação da reforma da Previdência e de outras providências para a redução dos gastos públicos, facilite--se o acesso ao crédito imobiliário, tome novo impulso a agenda de concessões e parcerias público-privadas para a ampliação da infraestrutura, e se intensifiquem as iniciativas para o incremento da habitação popular nos níveis da União, dos Estados e dos Municípios.
JOSÉ ROMEU FERRAZ NETO - é presidente do SindusCon--SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) e vice-presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e da Fiabci-Brasil (Federação Internacional Imobiliária)