Sintracon-Itapevi-SP


Cenário é ideal para exploração de mão de obra barata


//Entrou em vigor no dia 11 de novembro a reforma trabalhista. Votada por deputados de partidos sem comprometimento com os interesses dos trabalhadores, a nova legislação altera mais de 100 pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e outros dispositivos que regem as relações entre empregadores e empregados no país.
Entre as mudanças, a mais importante é a prevalência do negociado sobre o legislado: ou seja, acordos firmados entre patrões e funcionários, sem presença do sindicato, terão mais força do que a lei.
A partir de agora as empresas possuem amparo legal para firmar acordos que modificam aspectos trabalhistas que envolvem direitos como férias, horas extras, jornada de trabalho, entre outros. O presidente golpista comemora. Segundo Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, divulgada pelo IBGE, o número de trabalhadores sem carteira e autônomo aumentou.
Estamos “recuperando mercado”, disse Temer. Em um ano, os trabalhadores sem carteira foram de 11% para 12% e os autônomos, de 24% para 25%. O problema não são os números ruins em si, mas seu significado. “Estamos falando de chefes de família, homens e mulheres sem renda, sem dinheiro para o aluguel, sequer para as espesas básicas do dia a dia que, desesperados, humilhados que fazem de tudo para sobreviver diante de uma crise gerada por um indiscutível golpe de estado, comenta Angelo Angelini, presidente do Sintracom-Itapevi.
A crise e a humilhação dos brasileiros parece não afetar Brasília. Denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela Procuradoria-Geral da República, por obstrução de Justiça e formação de quadrilha, Temer conseguiu na Câmara dos Deputados votos suficientes para manter-se no cargo como se não existissem malas de dinheiro, filmes e escutas da Polícia Federal e muito menos delações que comprovem seu envolvimento com falcatruas. Foram 251 votos favoráveis a Temer e 233 contrários.
Dois deputados se abstiveram e outros 25 se ausentaram. Além de Temer, os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, ambos do PMDB e citados na denúncia da PGR, também ficaram livres de investigação do STF (Supremo Tribunal Federal) com a decisão do plenário de 24 de outubro. Com a decisão, os três só poderão ser investigados pela justiça comum quando deixarem o cargo.
Detalhe: eles têm mais de setenta anos e provavelmente ficarão livres já que vão apresentar inúmeros recursos até que seus crimes prescrevam e não possam mais ser punidos já que o prazo prescricional cai pela metade.
Os parlamentares não livraram só Temer e seus ministros. Aécio Neves também se livrou. O senador mineiro se safou da denúncia de corrupção passiva e obstrução de Justiça, apesar de gravações de diálogos e de imagens de malas de dinheiro –“empréstimo” de R$ 2 milhões em dinheiro vivo.
No Rio de Janeiro, a Assembleia Legislativa livrou da cadeia os deputados estaduais do PMDB Jorge Picciani (presidente da Alerj), Paulo Melo e Edson Albertassi. Para o Ministro Luiz Fux, a decisão da Alerj de soltar deputados é ‘promíscua’, ‘vulgar’ e ‘certamente será revista’ pelo STF. Depois da terceirização, da reforma trabalhista e de livrar Temer de investigações, agora a corrida é pela reforma da Previdência. Michel Temer justifica afirmando que o brasileiro vai viver até aos 140 anos e o Estado não terá dinheiro para pagar o rombo.
“O desgoverno cresce e quem aproveita são os partidos políticos que negociam o voto em benefício próprio. É o cenário ideal para empresários inescrupulosos explorarem uma mão de obra que se torna barata pela total falta de opção e desespero” acrescenta Angelini. Em 2018, na hora de votar o eleitor precisa estar atento e lembrar dos partidos que votaram a favor de reformas, deram o golpe na Nação e livraram políticos corruptos da cadeia, finaliza Angelini.