COREN - SP


Fabíola Campos: uma trajetória em defesa da saúde e das mulheres


//A palavra empoderamento está ganhando um significado mais forte nos últimos anos. Ela foi definida pelo consagrado educador Paulo Freire como a “capacidade do indivíduo realizar, por si mesmo, as mudanças necessárias para evoluir e se fortalecer”. Em tempos em que as desigualdades de gênero e sociais estão permeando os debates em diversos setores da sociedade, o empoderamento dos cidadãos se torna cada vez mais importante e necessário.
Mulher, enfermeira, advogada, mestre e doutoranda em Ciências da Saúde, Fabíola Campos adotou o empoderamento como mote de suas ações e projetos. À frente da presidência do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) até dezembro de 2017, quando conclui sua gestão, ela representa 500 mil profissionais da categoria no Estado, dos quais mais de 80% são mulheres.
Por ser majoritariamente feminina, a profissão enfrenta desafios que, muitas vezes, são consequência da desigualdade de gênero, como baixos salários, longas jornadas de trabalho e a violência no ambiente profissional. A luta em defesa dos direitos femininos sempre esteve presente em sua trajetória. Como vice-presidente (2012-2014) e presidente do Coren-SP (2015-2017), promoveu projetos na área de saúde da mulher, como o “Qualifica Parto”, que capacita enfermeiros e obstetrizes para um novo modelo de assistência ao parto, pautado pela humanização e pelo protagonismo da mulher, visando uma assistência mais segura.
Também participa ativamente de audiências públicas e ações sobre políticas públicas de combate à mortalidade materno--infantil, que ainda apresenta altos índices no Estado de São Paulo. “As mulheres têm o direito de escolher sobre a sua própria saúde e os profissionais da área têm o dever de incentivar o seu empoderamento”, avalia. Em sua gestão, Fabíola travou uma forte batalha no combate à violência praticada contra os trabalhadores de enfermagem e da saúde em geral, ao lançar a campanha “Violência Não Resolve”, uma parceria entre o Coren-SP e Cremesp. ”Não podemos encarar a violência como algo comum em nosso cotidiano.
Ela gera um ciclo que prejudica os profissionais e a população”, pontua. Devido à sua militância em prol dos direitos da mulher, foi selecionada para integrar o Conselho Estadual da Condição Feminina e eleita 2ª vice-presidente, em 2017. O órgão é vinculado à Secretária da Justiça e da Defesa da Cidadania e tem entre as suas atribuições formular diretrizes e promover, em todos os níveis da administração direta e indireta, atividades que visem a defesa dos direitos da mulher, a eliminação das discriminações, bem como a sua plena integração na vida socioeconômica político-cultural.
A defesa da saúde pública brasileira também sempre esteve presente na trajetória de Fabíola Campos, que é membro efetivo da Frente Democrática em Defesa do SUS e, há anos, vem denunciando a situação de subfinanciamento e de modelos ineficientes de gestão, mostrando os impactos desta realidade na vida dos cidadãos e dos profissionais. “Transformar a nossa realidade, depende de cada um de nós. Por isso, o empoderamento é o caminho para que as mulheres e cidadãos conquistem cada vez mais seus direitos, respeito e valorização”, diz Fabíola Campos.
Fabíola Camposé enfermeira, advogada, doutoranda em Ciências da Saúde, Mestre em Ciências e pós-graduada em Auditoria de Serviços de Saúde e Direito Processual do Trabalho. Presidente do Coren-SP (gestão 2015/2017) e integrante do Conselho Estadual da Condição Feminina